:: 21/maio/2020 . 23:30
LEMBRANÇAS DE PARIS

O coronavírus fez silenciar o mundo com o isolamento social, mas as lembranças permanecem vivas, como nesta foto do Rio Sena et Petit Cité, clicada pelo meu filho Caio Macário quando morava em Paris. Depois estive lá por uma semana e fiquei encantado com o Velho Mundo, principalmente com a Cidade Luz. Pena que esse vírus mortal deixou uma paisagem cinzenta e triste, mas as coisas por lá estão, aos poucos, voltando ao seu normal porque o povo cumpriu com as medidas de restrição, diferente do nosso Brasil desgovernado, sem rumo e liderança. Aqui as coisas estão piorando porque tem um presidente maluco que quer receitar medicamente por meio de decreto, e transformou o Ministério da Saúde num batalhão do exército. Agora, só nos resta rezar muito para voltarmos a curtir a vida e homenagear os mortos, a grande maioria de pobres desamparados e que vivem à margem da sociedade.
FLOR E DOR
Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário
Vou contar pra você, menino!
Quando ainda ginasiano,
No declinar do verbo latino,
Ouvia falar e ainda ouço,
Que toda poesia
Como piano, a flauta e o violino,
Que comandam a sinfonia,
Tinha que ter flor, luar e amor.
O poeta tinha que saber imitar
O canto do sabiá e da cotovia;
Tinha que ser melancólico,
Pálido, alcoólico e doente;
Ser o pôr-do-sol poente
Pra falar da angústia,
Dor e sofrimento da gente;
Viver como um bem-te-vi;
Andar como cigano;
Ser boêmio e até insano;
Passar noites sem dormir,
Como um penado zumbi;
Ser bem íntimo da morte;
Isalar o cheiro da depressão;
Abalar todo coração
Das mulheres românticas
Doces, sensuais e platônicas;
Ser a cápsula do tempo;
Comer dos manjares dos deuses;
Ser irmão do ar e do vento;
Renegar todo sacramento;
Ser orvalho do amanhã sereno;
Conversar com Zeus;
Provar de todo veneno;
Entender os fariseus,
E pelo menos ter
Uma musa inspiradora,
Não importando,
Se obtusa, confusa ou pecadora.
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