Lamento muito a declaração do diretor da Adab -Agência de Defesa Agropecuária da Bahia, Maurício Bacelar, de que o estado vai criar uma cadeia produtiva de jumentos, jegues ou asininos, para fornecer, de “forma sustentável”, esses animais, símbolos do Nordeste, para o abate nos frigoríficos baianos. A foto e a informação foram divulgadas nesta semana, com exclusividade, no blog do nosso companheiro e amigo jornalista, Mário Bitencourt (blogdomariobitencourt). Uma balela para enganar ambientalistas e defensores dos animais. Na verdade, o que está por trás disso é uma estratégia montada para extinguir com os jumentos em nosso Nordeste, porque não vai haver cadeia produtiva alguma, como bovinos, caprinos e suínos, citados pelo diretor da Adab. Aqui na Bahia, os frigoríficos de Amargosa, Simões Filho e Itapetinga estão matando, impiedosamente, os jegues para vender a carne e o couro para a China, utilizados em iguarias domésticas e para fabricar um gelatina, o eijao, medicamento para pele e impotência sexual, como afirmam os chineses. Depois que os jumentos foram substituídos pelas motos e não servem mais para transportar água e lenha, resolveram, criminosamente, acabar com esta espécie que tanto serviu ao sertanejo na labuta do dia a dia, sustentando famílias. Em meio a essa pandemia, com milhares de mortes, o governo federal (a matança conta com o apoio) está destruindo o meio ambiente, incluindo os animais. A perversidade do homem sobrou agora para os nossos inocentes jumentos. Cadê o Ministério Público, as entidades ambientalistas e outros órgãos de defesa animal que se calam e não tomam providências contra mais este absurdo?