Existem neste país centenas de grupos radicais, ultraconservadores, de extrema direita e fundamentalistas que soltam torpedos caros e violentos de fake news para manter o capitão-presidente no poder e fortalecê-lo para completar o seu processo retrógrado de governo por mais outra temporada de quatro anos, enquanto outros grupos de ideologias misturadas, que se formam nas redes socais, colocam como regra número um não falar de política, sob pena do participante ser excluído, quando nos tempos atuais mais se deveria interagir e discutir sobre o assunto.

A proibição visa evitar rixas, ódios e intolerâncias que o tema pode gerar, quando se parte para a ignorância, criando inimizades, brigas e até morte, como já aconteceu. No lugar de se usar 10% da cabeça racional, com um bom nível de argumento que a questão requer, escolhe-se o atalho mais fácil da proibição. Esses grupos não podem levantar o assunto em festas, encontros sociais, reuniões e até em bares. Quando estão juntos, ou em redes, passam o tempo falando besteiróis e amenidades. Além da política, religião e até futebol não podem ser debatidos.

Alienação e mentes nanicas

Este tipo de comportamento termina propagando um ambiente de comodismo, alienação, consentimentos com as coisas erradas que estão ocorrendo, e formando uma nação de mentes nanicas, sem contar que a democracia está sendo apunhalada de morte, dando mais espaços aos núcleos de retrocessos e à estratégia moralista de destruir a cultura, o saber e o conhecimento.

Enquanto essa onda de proibir de se falar de política se espalha em todo nosso território nacional, o capitão, do seu quartel-general do Planalto, fala palavrão em público, diz que organismo ambientalista é um lixo e uma porcaria e, num gesto com um braço, dá uma banana para o povo brasileiro, e não somente para repórteres, como se engana a própria mídia.

O fato se deu em referência ao acervo de 42 mil itens da Biblioteca da Presidência da República que será reduzido para abrigar um gabinete da primeira dama, para fazer sua “Pátria Voluntária”. Com a reforma, não será mais possível ampliar o acervo, além de serem extintos espaços de estudo e visitação para leitura. O intuito é acabar com a nossa cultura e a memória do país, e o cara ainda quer elogios.

Não vai demorar muito e ele vai fazer aquele gesto obsceno com o dedo, mandando todo mundo tomar naquele lugar. Já disse e repito aqui. Previ há anos a tomada do poder pela extrema maluca, e muitos me ironizaram. Vamos ver coisas piores e mais indecentes. O silêncio dos bons e intelectuais é perturbador, e estamos sendo conduzidos para uma rota perigosa, num regime militarizado. Pelo voto, já estamos vivenciando a intervenção militar, tão gritada nas ruas pelos fanáticos extremistas.

É proibido falar de política, quando grupos da pesada, inclusive nazifascistas e núcleos do poder, financiados até com recursos públicos, disseminam falsas notícias; taxam veículos de comunicação (muitos até com DNA elitista de direita) de esquerdistas comunistas, bem como qualquer pessoa de ideias progressistas. Na ditadura da época da guerra fria também o maior inimigo era o comunista, visto como aquele que comia criancinhas, jogava bebês para o alto e aparava no punhal e matava idosos.

A tropa SS de Hitler

 Essa tropa saída do túnel tenebroso da Idade Média, nos faz lembrar os membros da SS hitlerista, que depois de terem passado por lavagem cerebral, jogavam duro e cometiam crimes contra judeus, ciganos, homossexuais, imigrantes, comunistas, pessoas com necessidades especiais e todos aqueles considerados como raças inferiores pelo regime de pele e olho ariano.

A tudo assistimos estarrecidos e calados onde apenas uma pequena direita de dentro do próprio governo do retrocesso é quem está fazendo uma tímida oposição contra o desmantelamento da cultura, da educação, do meio ambiente e das políticas públicas, como o Bolsa Família e o corte de benefícios do INSS.

Uma Secretaria de Educação de um estado do Norte ensaiou censurar e retirar livros de grandes autores nacionais e internacionais das escolas. Vamos esperar que façam uma fogueira de livros em alguma praça do Planalto de Brasília? Como dizia o grande poeta cancioneiro, “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

Um exemplo foi o caso recente do ex-secretário de Cultura, que clonou um discurso do chefe de propaganda de Hitler. Só caiu depois da reação das comunidades israelitas e personagens da direita, mesmo o capitão Bozó insistindo que as manifestações eram coisa da esquerda. Aliás, quem faz qualquer crítica é logo carimbado de esquerdista comunista. Faltam argumentos.

A banalização da agressão

Já virou normal e comum o capitão destilar sua psicopatia com xingamentos e ofensas contra a nação e à liberdade de expressão, e ninguém liga mais. É a banalização da agressão. Tem gente que fica horrorizada e outros acham graça. Sem essa de que ele está apenas escarrando na cara dos jornalistas. Engana o cidadão que pensa assim e acha que não foi atingido.

O capitão procurou se blindar com os generais e montou seu quartel-general no Planalto. Não se sabe o que pode acontecer daqui pra frente. Para o exterior, o Brasil passa uma imagem de um país caminhando para um totalitarismo de direita, e os estrangeiros ficam escandalizados com a postura vulgar de um presidente e de um povo submisso e sem indignação.

Por essência, o homem é um ser político, como já dizia Platão e outros filósofos da antiga Grécia onde nas ruas, no campo e reuniões o tema era enriquecedor como o maior alimento do espírito entre todas as classes, inclusive dos escravos.

No Brasil dividido de hoje, cheio de mazelas e parasitas das mordomais dos poderes constituídos que sugam como vampiros o sangue do povo mais pobre, as pessoas preferem a proibição de se falar em política nas rodas de conversas, com medo até de ser morto. A que ponto chegamos! É uma profunda decadência e um futuro ingrato do gemer e ranger de dentes.