:: 27/fev/2020 . 23:04
O CONTO DA CARTEIRA ASSINADA COM O FALSO SALÁRIO MÍNIMO
Como tantas outras no Brasil, a lei do salário mínimo padrão obrigatório, como parâmetro para que todo trabalhador tenha esse mísero ganho no final de cada mês, é uma deslavada mentira. A mídia anuncia que aumentou o número de carteiras assinadas no pais, mas não diz que milhares e milhares de empresas burlam o decreto e não pagam o valor real. É o conto do vigário da carteira que foi institucionalizado.
Aqui mesmo em Vitória da Conquista, principalmente médias e pequenas empresas, conheço várias que assinam a carteira, mas por fora só pagam a metade do mínimo, quando muito, 700 reais. É só fiscalizar, mas isso não existe porque a reforma trabalhista escravizou o pobre trabalhador, e ainda veio o capitão-presidente e acabou com o Ministério do Trabalho.
A CHAMADA “RACHADINHA”
A prática de assinar a carteira (não recolhem o FGTS e outros benefícios) e combinar com o empregado pagar outro valor bem abaixo do fixado está ficando comum. Diante da necessidade, e sabendo que uma enorme fila lá fora aceita estas mesmas condições humilhantes, o candidato não tem outra saída. É a chamada “rachadinha” trabalhista. Não adiante ter capacidade e preparo.
Isso ocorre em todas as profissões, inclusive de professores. A maioria das escolinhas particulares de Conquista assina a carteira do professor, mas avisa logo que só paga 500 ou 700 reais mensais por três ou quatro turnos de aulas por semana. Para ostentar e intimidar o pretendente a aceitar a oferta, o diretor, ou diretora, exibe um monte de currículos em sua mesa.
É muito vergonhoso e triste um professor no Brasil ter que se sujeitar a esse tipo de exploração desprezível, mas outras categorias também estão incluídas nesse pacote de escravidão. As empresas fazem isso porque sabem que não são incomodadas por fiscais do governo. Por outro lado, a mídia só faz mostrar a estatística do IBGE, mas não investiga o outro lado da verdade. Não divulga o outro lado macabro da moeda.
CONTO DO VIGÁRIO
É praticamente trabalhar de graça quem recebe 500 ou 700 reais por mês. Depois que a pessoa tira o dinheiro do transporte (a empresa não paga), no caso de Conquista, se for só um ônibus por dia, o funcionário fica com cerca de 400 a 600 reais, isso se não fizer um lanche na rua. Muitos trabalham com fome para ganhar uns trocados no final do mês.
Nenhum órgão, sindicato ou entidade do trabalhador investiga, fiscaliza e denuncia esta tremenda irregularidade do mercado. Fazem vistas grossas. Todos preferem acreditar na mentira e no conto do vigário do salário mínimo. Aliás, o brasileiro está sendo massacrado pelas fake news e pelas mentiras publicitárias, sem reagir e sem se indignar. Uma claque de lunáticos e fanáticos invadiu nosso território.
Dias desses fiquei horrorizado quando ouvi de uma psicóloga da área de recursos humanos afirmar que o empregado capaz e dedicado tem o poder de barganhar aumento salarial. Ela está totalmente por fora da atual realidade brasileira. Está sonhando! Estamos sim, num regime de escravidão, onde milhões se sujeitam a ganhar menos de um salário mínimo para não passar fome e, mesmo assim, passando.
OS TERCEIRIZADORES VIGARISTAS
Com a reforma trabalhista e o fim do Ministério do Trabalho, o Brasil virou terra de ninguém onde os coronéis de chibata e arma na mão ditam as ordens. O operário em geral segue de cabeça baixa, recebendo as migalhas, com exceção de algumas classes mais fortes e privilegiadas, como petroleiros, químicos, metalúrgicos, bancários e outras.
Está aí para constatar os fatos a praga da terceirização. Aproveitadores e oportunistas montam firmas sem dinheiro, e até mesmo irregulares, verdadeiras arapucas, para explorar mão-de-obra barata e escrava. Ganham licitações e contratos do poder público e do setor privado na base das tramoias. Depois deitam e rolam descumprindo as “leis”. Atrasam os salários, não pagam décimo terceiro, não recolhem o FGTS e outros benefícios. Os “responsáveis” nunca são punidos.
Muitos abrem um escritório fajuto, sem nenhuma estrutura, pegam a grana do contratante terceirizador e se mandam com o dinheiro do trabalhador. Geralmente não dá em nada, e o empregado fica a ver navios, passando fome e outras necessidades. Estamos no Brasil faroeste das vigarices e das mentiras, como a do salário mínimo da carteira assinada.
Neste país das castas, só os funcionários públicos diretos do executivo, legislativo e judiciário são os privilegiados, muitos com ganhos de até 100 mil reais mensais. Nunca falta dinheiro e não há atrasos no pagamento desses “servidores” dos três poderes, que jamais sofrem cortes de verbas. Eles continuam mamando nas tetas do povo, que come o “pão que o diabo amassou”, com a redução de recursos na educação, na saúde e nos programas sociais em geral, e ainda são vítimas da mentira do salário mínimo.
QUEM SE LEMBRA DO MADRIGAL?
Passaram-se muitos anos que o único cinema ainda funcionando em Vitória da Conquista, depois de tantos outros (a história deles pode ser encontrada nos livros “Andanças” e a “Imprensa e o Coronelismo”, do jornalista Jeremias Macário), foi fechado, se não me engano, quase 20 anos, ou mais, mas o prédio está lá na rua Ernesto Dantas, sem ser utilizado. Quem ainda se lembra do Cine Madrigal, sempre cheio e exibindo grandes filmes de sucesso? O prédio foi adquirido pela Prefeitura Municipal, no Governo do PT, para dele fazer um centro multicultural. Até hoje nada, e ninguém fala do assunto, principalmente a mídia regional, que pouco noticia fatos do nosso município e da região (prefere matérias repetidas, requentadas, da capital e federal). Aí muitos dirão: É o progresso. Os cinemas hoje estão localizados nos shoppings e só passam filmes empacotados norte-americanos, e outros de péssima qualidade. Um equipamento caro, comprado com o dinheiro do povo, continua lá, praticamente abandonado e sendo destruído pelo tempo. Uma vergonha! Vamos fazer uma matéria jornalística sobre o antigo Cine Madrigal e seu provável destino!
NOS BARES DA VIDA
Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário
A inspiração aflora e o casal do lado só namora
O papo rola com a turma do jogar conversa fora
Uns caras da saideira falam de política e fofocas
O poeta rabisca no guardanapo seu fiapo da letra
Canta uma canção de amor a viola cigana menina
Moucos das redes sociais navegam em suas locas
Num bar de Minas bateu asas o Clube da Esquina.
Nos bares da vida sempre tem freguês
Uns vão comemorar feliz suas glórias
Outros vão até lá suas mágoas consolar
Se está numa boa se diverte nas histórias
Se bate a crise toma pra esquecer a danada
Escutar o cancioneiro falar da mulher amada
Mesmo sabendo que a conta chega todo mês
Nos bares da vida discutem escritores e cordelistas
Olhares indiscretos trocam bilhetes com o garçom
Em Munique sentou num bar o corvo cruel da morte
O comuna Marx brigou com o anarquista Proudhon
Nas tabernas, bárbaros juraram derrubar os romanos
Num bar de Gori, Stalin tirano tramou a queda do czar
Hemingway tomava a santa cana na Bodeguita cubana.
Saiu o manifesto Bola-Bola Cinema Novo no Alcazar
No Vermelhinho cruzaram militantes contra a ditadura
O surrealismo francês ternura nasceu no Cyrano de Paris
Artistas baianos curtiram noites no Anjo Azul e Tabaris
Nas etílicas tintas das matérias escolheram seus pincéis
Naquele bar atiraram pistoleiros e jagunços dos coronéis
Nos bares da vida, sempre existiu aquele histórico bar.
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