NOSSO SARAU EM FESTA
Mais uma vez o Espaço Cultural “A Estrada”, no Jardim Guanabara, em Vitória da Conquista, recebeu os amigos para mais uma noitada de bate papo e troca de ideias no campo da literatura, da política e outras áreas que fazem parte do cotidiano de nossas vidas.
Nosso sarau que já vem sendo realizado há anos com a participação de artistas, estudantes, professores e intelectuais desta vez foi no início de maio e marcou mais uma festa com a troca de conhecimento, sempre um respeitando o pensamento do outro num ambiente de cordialidade entre um vinho, uma cerveja gelada, uma boa música e uma comidinha que ninguém é de ferro.
Foi muito prazeroso o encontro com o professor Itamar Aguiar, com o fotógrafo José Carlos D´Almeida, nossa companheira Lídia Rodrigues, a psicóloga Regina Chaves, de Caraíbas, com seu bebê e outros que sempre nos brindaram com suas presenças.
De novidade tivemos a participação da professora da Uesb –Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Andreia com seus filhos que ficaram encantados com o Espaço Cultural. Surpresa maior ainda foi o reencontro com a nossa amiga Nadir que há tempo não aparecia por questão de ordem pessoal.
Para este mês de junho, antes do São João, já estamos programando outro sarau, desta vez em homenagem ao eterno compositor, poeta e letrista Raul Seixas que está completando 70 anos de vida, isto mesmo porque ele não morre.
Nossos amigos Dorinho, Marta Moreno, Mano Di Souza e mais outros músicos violeiros e contadores de histórias já são nossos convidados. É claro, não pode faltar o professor e filósofo Itamar Aguiar, bem como, os demais que sempre aqui estiveram.
O BRASIL ESCANCARADO
A impressão que temos é a de que vivemos num país medieval, bem antes da Revolução Francesa (1789). De um lado temos reis e rainhas, príncipes e princesas, duques e duquesas, condes e condessas, e, do outro lado, os súditos vivendo na pobreza e na subserviência das injustiças. Nobres e lordes lá do alto que manobram a massa ignara e sempre querem mais e mais.
Estamos numa nação de mordomias e safadezas escancaradas entre os três poderes (executivo, legislativo e judiciário) que não temem mostrar as vísceras das desgraças de um povo, por considerarem que se trata de uma gente que nunca vai reagir, mesmo que se arranque tudo dela, além da dignidade e a vontade de viver. O que esses nobres pensam é que esse castelo nunca vai ruir.
O título acima poderia ser também de “O Brasil Envergonhado” porque cada vez mais roubam e nos entopem de propagandas enganosas do tipo de que as eleições, do modo que eles plantaram, são as saídas para a moralização, quando deixam tudo pior do que antes. Tudo neste país atrasado é mentiroso e nos ensinam a viver nos faz de conta, na base de um enrolando o outro.
Já dizia o estadista francês George Clemanceau que “nunca se mente tanto quanto antes das eleições, durante a guerra e depois da caça.” Nem é preciso falar muita coisa sobre o que está acontecendo, mesmo depois das manifestações nas ruas. Li há pouco tempo um comentário que cita kierkgaard; “Só os ladrões e os ciganos dizem que não se deve voltar onde já se esteve”. Ocorre que no Brasil os ladrões voltam, inclusive para saquear a mesma vítima.
NA ROTA DAS BURAQUEIRAS

- Uma viagem de Vitória da Conquista para Juazeiro, na Bahia, cortando a Chapada Diamantina, é muita prazerosa não fossem as inúmeras irregularidades e a buraqueira das estradas. As belas paisagens se desfazem na irritação constante do motorista, provocada pelos estragos nas pistas.
Com a crise política e econômica nos governos estadual e federal, a situação das estradas baianas tende a piorar e alguns trechos já estão intransitáveis. Se o quadro já era de abandono, imagine agora com a extinção do Derba e a falta de recursos para recuperação!
O terror da viagem começa a partir do entroncamento de Anagé para Tanhaçu num percurso de cerca de 60 quilômetros só de buracos. Aí, os amortecedores do seu carro começam a baixar, sem contar a perda de um pneu, ou sofrer um acidente fatal. Animais estão por toda parte cruzando a estrada.
De Tanhaçu para Ituaçu são 25 quilômetros num corredor apertado de um resto de asfalto cheio de “costela de vaca”. A trepidação do veículo deixa você tonto e exige atenção redobrada, principalmente nas ultrapassagens. Nem pensar em acostamento!
O trecho para Barra da Estiva, mais 25 quilômetros, é melhor, mas irregular e sem sinalização. Nos municípios de Ibicoara até Mucugê a vista é deslumbrante e deixa qualquer um encantado. As fazendas agropecuárias de hortigranjeiros sinalizam prosperidade e o asfalto ainda está em bom estado.
O alívio termina a partir de Mucugê para Andaraí, cerca de 50 quilômetros de pista estreita, tortuosa e de buracos em vários locais. De Andaraí até a BR-242 as árvores e os matos invadiram a estrada de mais 50 quilômetros. Nem pergunte por sinalização horizontal e vertical!
Perigo maior ainda é na BR-242 (Bahia-Brasília). Para quem vai em direção a Ruy Barbosa para sair em Baixa Grande, o motorista que não conhece bem o trecho federal pode ser apanhado de surpresa com as enormes crateras no asfalto e sofrer um sério acidente.
A estrada conhecida como do “Feijão”, de Feira de Santana a Xique-Xique, também está esburacada. Coisa feia mesmo é se o viajante for obrigado a passar por Piritiba, Miguel Calmon e Jacobina, pegando Caem para sair em Antônio Gonçalves próximo a Senhor do Bonfim.
Aí, meu amigo, são quase 100 quilômetros de só tormento entre a buraqueira numa estrada tipo “caminho da roça” e tomada pelo mato! O perigo está a todo o momento. É uma viagem estressada de mais de duas horas de volante e cuidado redobrado para não estourar um pneu.
Melhor pegar Mairi e Capim Grosso para sair em Senhor do Bonfim e chegar a Juazeiro. Mesmo assim, de Várzea da Roça até Capim Grosso o trecho está inacabado. De um modo geral, as estradas baianas estão caindo aos pedaços. Só nesta viagem, dos mais de 800 quilômetros, mais da metade são de buraqueiras num corredor que dá medo.
VIOLÊNCIA BUDISTA
Blog Refletor TAL-Televisión América Latina
De Orlando Senna
Indicado e comentado por Itamar Aguiar
A migração de refugiados no Mediterrâneo é um acontecimento angustiante e marcante da atualidade. Milhares de pessoas fugindo de seus países em barcos precários, tentando escapar de conflitos bélicos, perseguições étnicas e religiosas e da fome. O destino sonhado é a Europa e estão à mercê de organizações de traficantes de gente, que lucram milhões de dólares com o negócio e tratam os migrantes como gado descartável. Como mercadoria que, já tendo sido paga e sem credor para recebê-la, pode ser jogada fora, afogada. O número de mortos é impressionante e não para de crescer no que está sendo classificada como a “rota migratória mais letal” que se tem notícia.
O trânsito criminoso também acontece no Oceano Índico, mas fiquemos com o Mediterrâneo, um mar interior com uma estreita saída para o Atlântico, entre a Europa, a África e a Ásia. Os refugiados são majoritariamente provenientes da Líbia, Síria, Iraque, Sudão, Eritreia e Bangladesh, países islâmicos, e Mianmar, controlado pelo budismo. A União Europeia, assustada, está realizando operações de resgate de barcos à deriva e de combate aos traficantes e apresentou uma nova agenda sobre migração, com programas de asilo em todos os países do bloco e rapidez na legalização dos asilados. Espero que os programas sejam implementados imediatamente, pois a cada meia hora alguém morre afogado ou assassinado nas águas mediterrâneas.
FAÇA VOCÊ MESMO
Blog Refletor TAL-Televisión América
De Orlando Senna
Indicado por Itamar Aguiar
A seca na Califórnia, entrando em seu quarto ano, é a pior já registrada na região. O governo do estado decretou racionamento severo, redução em 25% do consumo de água em todas as cidades. A ameaça de um colapso aquático no estado maior produtor agrícola dos EUA está estimulando a organização de dezenas de ecovilas, modelo sustentável de comunidade com energia própria e renovável, produção orgânica de alimentos, bioconstrução, poços para coleta de água, economia solidária, compartilhamento de excedentes, gestão participativa, sistemas de apoio familiar e social. É surpreendente (ou não, muito pelo contrário) que um número considerável de ecovilas esteja nascendo na Califórnia, a meca do agronegócio e do agrotóxico.
A gestação das ecovilas começou em 1970 com o surgimento da permacultura, criada pelos ecologistas australianos David Holmgren e Bill Mollison como solução à degradação do solo e desmatamentos causados pelas monoculturas de trigo e soja em seu país. Inspirada na relação saudável das comunidades aborígenes da Austrália com o meio ambiente e nas comunidades alternativas da Contracultura nos anos 1960 e 1970, durante o movimento hippie, a permacultura tem como base “trabalhar com a natureza e não contra ela” e ”cada um tomar para si a responsabilidade de sua própria existência e a de sua família”.
Juntando os conceitos “agricultura permanente” e “cultura permanente”, a proposta australiana que ganhou notoriedade mundial é um manual de implantação e manutenção de sistemas produtivos integrados às características da natureza circundante, com zero de desperdício e reciclagem de insumos, e também uma filosofia de vida, um comportamento mais contemplativo da existência que inclui um constante “diálogo” com o reino vegetal, uma aproximação à “interlocução mágica” dos povos primitivos (como os aborígenes australianos e os índios americanos) com a Mãe Terra, a Pachamama. Na prática, a integração sistêmica de plantas, animais, construções e seres humanos em ambientes produtivos e harmônicos.
MENSAGENS DE DESABAFO
Nas margens do “Velho Chico”, do lado de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), moradores e visitantes se deparam com mensagens de desabafo em favor da preservação do rio São Francisco que corta cinco estados, mas o que se vê em torno dele é sujeira e degradação.
De tão castigado pelas estiagens e pelas mãos dos homens, as ruínas da antiga cidade de Remanso não estão mais cobertas pelas águas da barragem do Sobradinho. Os ribeirinhos da região sofrem com a falta de água e os bancos de areia invadem o rio.
Ainda nas épocas de fartura e de pouca exploração, os governantes trataram de espalhar hidrelétricas e projetos de irrigação por toda parte, sem repor suas margens e conservar seu leito. Como numa poupança da qual só se faz retirada, o rio agora está raso e sem fundo.
As obras faraônicas da transposição do “Velho Chico” para outros estados nordestinos estão paradas. Só o pôr-do-sol ainda salva a paisagem de desolação. Em alguns pontos das cidades ainda se atravessa de barcos, mas cada um segue sua rotina de vida como se nada estivesse acontecendo.
Até o famoso e decantado vaporzinho “Saldanha Marinho” que por muito tempo navegou pelo rio e serviu de atração como restaurante em Juazeiro foi encostado num canto. O que se percebe é que o rio se encolheu e perdeu seu encanto e sua magia. É o retorno da agressão.
“VAMOS RECICLAR O VELHO CHICO”
Semana passada fui visitar-te no leito de morte e não gostei nada de ver-te em estado de saúde terminal. Há mais de 500 anos quando aqui chegaram os primeiros navegadores eras um moço forte, corado, vigoroso e caudaloso para dar vida eterna a quem necessitasse de ti.
Agora, um velho ancião jogado numa dura cama que não consegue andar com tuas próprias pernas! Precisas que alguém de uma barragem solte um pouco do teu líquido que a ti pertences! Estás todo desmatado em tuas margens, assoreado, depredado e cheio de lixo! Tem uns caras que passam e sempre dizem que vão limpar o teu leito, mas o tempo vai e continuam a sugar o teu resto de sangue.
Dei uma volta de caiaque com meu filho Caio e em teu redor só vi estragos, molambos e farrapos, apesar de captar algumas mensagens solitárias de cidadãos que pedem o teu socorro e desabafam contra o que fizeram e ainda estão fazendo contra ti. As imagens, por si só, já dizem tudo.
Em torno da “Ilha do Fogo”, entre Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), numa prainha, muita gente ainda curte o lazer do que resta de ti, sem ao menos imaginar que haverá um dia que as futuras gerações só vão te conhecer através de fotografias.
Por falar em máquina fotográfica, numa dessas visitas minha lente registrou uma das ironias e deboches que sempre fazem contigo. Na parte de Pernambuco lá estava num tipo de cabana de ferro e plástico no formato de um barco os dizeres: “Ainda dá Tempo, Vamos Reciclar o Velho Chico”. Encrustada e abandonada num resto de árvores, nas margens da ilha, a velha cabana perfurada de balas nem balança mais por falta de correntezas.
IGNORÂNCIA E SAFADEZA
Sérgio Fonseca
Em meados de abril, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal votou pela substituição da prisão preventiva de nove empresários implicados na rede de corrupção Lava Jato, pela prisão domiciliar. São eles: Ricardo Pessoa, da UTC; Agenor Franklin de Medeiros, José Ricardo Nogueira Breghirolli, Mateus Coutinho Sá Oliveira e José Aldemário Pinheiro Filho da OAS; Erton Medeiros Fonseca, da Galvão Engenharia; João Ricardo Auler, da Camargo Correa; Gerson de Melo Almada, da Engemix e Sérgio Cunha Mendes, da Mendes Junior.
Os nove executivos deverão se manter afastados de suas empresas. Estão proibidos de deixar o país, tendo de entregar seus passaportes. A cada quinze dias, deverão se apresentar ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba, que conduzirá os processos relacionados a eles. Os investigados terão que utilizar tornozeleiras eletrônicas.
A decisão de transformar a prisão preventiva em prisão domiciliar, foi tomada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, composta pelos excelentíssimos ministros Carmen Lúcia, Celso Mello, Dias Tóffoli, Gilmar Mendes e Teori Zavaski. A maioria dos ministros (3 votos a 2), seguiu o entendimento do relator do caso, ministro Teori Zavaski (ministros Dias Tóffoli e Gilmar Mendes). Votaram contra a ministra Carmen Lúcia e o ministro Celso Mello.
Acontece que os três ministros da maioria (Dias Tóffoli, Gilmar Mendes e Teori Zavaski ) olimpicamente passaram por cima da Lei 12.403, de 4 de maio de 2011, que deu a seguinte redação ao artigo 318, do Código de Processo Penal:
Art. 318 – Poderá o Juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar, quando o agente for:
I – maior de 80 (oitenta) anos;
II – extremamente debilitado por motivo de doença grave;
III – imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com deficiência;
IV – gestante a partir do sétimo mês de gravidez ou sendo esta de alto risco;
Parágrafo Único –para a substituição o Juiz exigirá prova idônea dos requisitos estabelecidos neste artigo.
Nenhum dos empresários transferidos para a prisão domiciliar está grávido; nenhum dos empresários envolvidos nesses malfeitos, como diria a presidente Dilma (malfeitores?), tem mais de 80 anos; nenhum dos empresários envolvidos está extremamente debilitado; nenhum empresário está cuidando de menor de 6 anos ou com deficiência.
Como cidadão, inicialmente achei que Mendes, Tóffoli e Zavaski estavam agindo de má fé. Mudei de opinião, dando-lhes o benefício da dúvida. A meu ver, trata-se de um simples caso de profunda ignorância jurídica. Que não fica bem a magistrados que, para serem indicados ao STF, precisam gozar de notável saber jurídico . Não é o que parece que aconteceu neste caso. Lamentável.
Fernando Gabeira, quando deputado federal, dizia em 2009: “temos no Brasil um governo moralmente frouxo, um Congresso apodrecido e um Supremo Tribunal Federal em princípio de decomposição”.
AZUL E CINZA
Blog Refletor TAL-Televisión América
De Orlando Senna
Itamar indica e comenta
Às vezes a gente lê sobre a falta de assunto do cronista ou comentarista diante da página em branco (leia-se da tela do computador em branco). Hoje isso é raro, mas antes era comum encontrar textos sobre esse tema escritos pelos jornalistas que têm por obrigação entregar um artigo diário ou semanal, com hora marcada. Menciono isso porque, aqui e agora, diante da tela em branco com um sinal luminoso intermitente mostrando onde devo começar o texto, minha indecisão viaja na contramão da falta de assunto. Neste momento caótico da civilização, com a velocidade da informação disputando corrida com a luz, é a quantidade e não a falta que paralisa o escriba (por isso quase ninguém mais filosofa sobre páginas em branco).
Os dedos e os neurônios coçam quando olho para um mapa do mundo que acabo de colorir e vejo que o cinza que pintei nas zonas de conflito armado é uma área maior do que o azul que apliquei nas zonas sem conflitos letais. São 12 países com guerras de alta ou média intensidade e 33 países com guerras de baixa intensidade (que significa com menos de mil mortos por ano). Um impulso é escrever, no sentido de tentar entender, sobre as razões que levaram a Colômbia (guerra civil) e o México (guerra do narcotráfico) estar entre os 12 países mais violentos.
Já que entrei pela América Latina, outro impulso é refletir sobre a perigosa confusão política e econômica que assola os países que, por volta do ano 2000, adotaram grandes políticas de inclusão social e combate efetivo à pobreza. E assola também o Chile, que não adotou essas políticas. Talvez deva escrever mesmo é sobre o Brasil, pátria amada idolatrada metida em uma camisa de onze varas, com governo enfraquecido, oposição canhestra, mídia leviana, corrupção a grosso e a granel. Ou quem sabe sair correndo para um aeroporto virtual, pegar um avião ídem e dar uma olhada no Estado Islâmico, no desatino da hiper violência fundamentalista.
O INTERIOR FAZ A FESTA!
Carlos González (gonzalezcarlos@oi.com.br)
“É campeão!” Mais de 6 mil vozes, num coro uníssono, anteciparam em uma semana a retomada da liderança do futebol baiano pelo interior do estado. Aos 28 minutos do segundo tempo, após a marcação do terceiro gol do Esporte Clube Primeiro Passos contra o até então favorito Esporte Clube Bahia, os torcedores de Vitória da Conquista tiveram a certeza de que no próximo domingo trarão para sua cidade o título de 2015, juntando-se ao Fluminense de Feira de Santana (campeão em 1963 e 1969), o Colo-Colo de Ilhéus (vencedor em 2006) e o Bahia de Feira, em 2011.
Mesmo se o Bahia vier a contar com a ajuda do Sobrenatural de Almeida (personagem invocado pelo jornalista e dramaturgo Nélson Rodrigues nos momentos difíceis do seu Fluminense), revertendo os 3 a 0 de domingo passado no Estádio Lomanto Júnior, o Vitória da Conquista já alcançou o objetivo a que se propuseram os seus fundadores, entre eles o atual presidente Ederlane Amorim, em janeiro de 2005: colocar o futebol, depois dos insucessos do Humaitá, Serrano e Vitória da Conquista Esporte Clube, no mesmo patamar de outras atividades, responsáveis pelo extraordinário desenvolvimento do município neste século.
Uma das missões do Conquista neste momento, na condição do papel que representa, não apenas no cenário esportivo de sua cidade, mas de todo o Nordeste, é o de valorizar o futebol de nossa região. Com o apoio de sua entusiástica torcida – vale destacar o trabalho dos jovens da Criptonita – e ajuda dos poderes municipais, o ECPP pode mudar uma conjuntura que considero deprimente, comum em todo o Norte-Nordeste: o amor exagerado do torcedor pelos chamados “grandes” clubes do Rio e São Paulo. Estamos, dessa forma, abraçando aqueles que nos discriminam



























