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:: ‘Notícias’

CAIU UMA ESTRELA NO QUINTAL

(Chico Ribeiro Neto)

Olhar o sol contra as bolas de gude me deu a primeira ideia de infinito, aquela luz lá bem longe.

O quintal é um tesouro. É só aprender a cavar. Veja as minhocas como saem junto com a terra. Parece que dançam! As formigas saem dos buracos. Sinal que vai chover.

A lagartixa tá quentando o sol. Quando vê a gente, se pica. Em Porto Alegre, quando faz um solzinho no inverno, o pessoal senta nos bancos dos jardins para tomar sol. O gaúcho diz que está “lagarteando”.

De manhã cedo tem muito passarinho no abacateiro. Titia manda eu sair de perto porque está com um ferro em brasa passando roupa.

A água da chuva escorre das bicas para o tanque de cimento que vôvô Chico mandou fazer perto do quintal. Era a água de gasto. A de beber vinha de uma fonte, trazida pelos burros em carotes de madeira.

Tem uma hora da tarde em que tudo fica parado, nem as moscas se mexem, as folhas não se mexem, as pessoas dormem.

Aqueles joelhos são da professora de Francês, a primeira mulher a ensinar no Ginásio São Bento, onde até então todos os professores eram homens. A capa de chuva, de nylon, tinha um buraco na frente e a vida sorria no ginásio.

Volto ao quintal. É de noite. Tem uma coisa brilhando lá no meio. Será o sapato da Primeira Comunhão, uma estrela que caiu ou um balão pegando fogo?

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

A MULHER “PORTA-CELULAR”

Detesto sair de casa para resolver “pepinos”, ou BOs, como muita gente prefere falar quando se refere a problemas. Acho que ninguém gosta, a não ser quando se vai a passeio para olhar vitrines e fazer compras para sentir aquela sensação de prazer consumista.

Na maioria são mulheres com uma penca de filhos arrastando sacolas num frenesi de entra e sai das lojas, principalmente em épocas festivas. Os pais também acompanham, mas bem menos.

Em meu caso, nem isso me agrada, nem mais para tomar umas num boteco, como nos velhos tempos. Cruzar com muitas pessoas e andar em multidão me deixa em pânico. Será que estou precisando de um analista?

Quando sou obrigado a ir, talvez como terapia, aproveito para observar o comportamento das pessoas, os mais diversos e que chamam a atenção pelas suas atitudes. Umas são engraçadas, a cara do Brasil, e outras são lamentáveis.

Uns se mantém calados cuidando de suas obrigações. Outros são escandalosos que falam alto e individualistas que não respeitam o direito do outro no ambiente público. Até parecem que estão em suas casas. Tem aqueles que tentam burlar a fila, trapacear e existem os mais conscientes e humanos. Tem para todo gosto do cliente.

Essas mercadorias você encontra mais em repartições públicas, bancos, clínicas, eventos diversos e nas ruas, praças e avenidas. Quanto maior a cidade, mais elementos que servem de matéria-prima para escritores, poetas e humoristas.

Na véspera de São João, segunda-feira, fui ao banco resolver um BO e lá estava uma mulher de muleta com o pé enfaixado de gazes (deve ter levado uma queda ou uma topada) que me chamou a atenção.

Como as coisas andam em termos de vigarices e golpes, poderia até ser uma simulação. Sabe do caso daquele indivíduo que foi fazer uma perícia médica no INSS de cadeira de rodas e depois saiu andando na maior cara de pau? Nunca se sabe!

Estava na fila prioritária, que não tem nada de prioridade, e ela girava mancando falando bem alto com o celular na mão o tempo todo. Mais parecia uma mulher porta-celular. Não desgrudava do aparelho e lá ia ela pulando de muleta de um lado para o outro. Não se apartava do bendito celular.

Teve um momento que ela saiu gritando quem podia trocar 50 reais. Às vezes ia lá fora e não parava de conversar no celular, de uma forma tão escandalosa que lá de dentro se escutava tudo quanto ela dizia. “Coloca um pix”! Sentava, levantava, rodava como peru, sempre com aquele celular na mão e pulando de muleta.

No momento, agoniado e impaciente na fila, lembrei da música “O Chato”, de Oswaldo Montenegro. Foi o talento da imaginação se cruzando com a realidade.

Era uma cena hilária e literária! A mulher era muito da chata. Um vídeo com ela nas redes sociais, para quem gosta de besteiras, daria milhares de visualizações e seguidores em poucos minutos.

Para completar o quadro, um senhor baixinho atrás de mim não parava de bulir no celular. Foco total que nem viu a cena! No Banco do Brasil, a gerência colocou duas filas, uma prioritária e outra convencional, só para pegar a senha, e o funcionário chama um de cada vez, de maneira intercalada. Ora, só queria saber mesmo o que tem de prioridade nisso!

– É pura enganação – reclamava uma idosa de lá que preferiu ficar na outra fila normal, ou convencional. O guarda até achou estranho, mas depois disse que ela estava no seu direito de escolha.

Coisa foi lá no segundo andar! Cada um sofredor e desrespeitado chega com sua senha na mão de olho no painel de chamada. Tome ansiedade na espera da sua vez! No entanto, a mulher porta-celular nem estava aí e continuou a exibir seu espetáculo.

Sentou com sua filha e outra amiga, falando alto. Das sacolas, sacou umas roupas íntimas que havia comprado. Nelas consegui ver uma meia fina de pernas, sei lá, sutiãs, e o mais inusitado, umas calçolas. Coisa de louco, meu irmão!

No outro assento, mais ao lado, aquele senhor do celular começou a ouvir vídeos na maior altura e dava suas risadas, como se estivesse só. Ele chegou a incomodar tanto os outros, que uma pessoa da vigilância da instituição teve que ir lá e mandar que ele desligasse os vídeos.

Não é brincadeira não, meu camarada, o ser humano é um bicho estranho, uma espécie imprevisível que não nasceu para viver em sociedade e pensar no coletivo! Desde os tempos da pedra lascada, do neandertal ao homo sapiens que é assim.

 

 

 

A NOSSA MÍDIA CAIU NO RIDÍCULO

Cena um, o repórter transmite o São João do Parque de Exposições de Salvador e informa da passagem do cantor Thierry com sua sofrência e anuncia a entrada de uma banda sertaneja. Cena dois, ele diz que a festa na capital é a melhor do Brasil. Cena três, lá de Caruaru, em Pernambuco, o outro colega faz seu estardalhaço com a presença de Zezé de Camargo e também enfatiza que a festa junina da cidade é a maior do país.

O forró ficou de fora, em seu canto solitário, ou foi posto na solitária como um condenado de alta periculosidade para as mentes humanas. “Tivemos pagode, arrocha, sofrência, sertanejo, axé e também forró”. Essa é a transmissão mais comum que se ouve dos jornalistas nessa época junina.

Durma com um barulho desse, meu camarada! Que me desculpem os colegas da nova geração, que a esta altura deve me apedrejar, mas a nossa mídia caiu no ridículo por perder o senso crítico.

Como profissionais formadores de opinião, a função deles é defender a preservação da nossa cultura popular, a tradição de séculos, muito bem representada por Luiz Gonzaga com seu baião e o forró de rachar o chão.

Agora, o que está em jogo é a competição entre boiadeiros sertanejos, sofrência, arrocha, axé carnavalesco, piseiros e outros ritmos de rebolados de mulheres mostrando as bundas.

Entraram a guitarra, a viola, a bateria, o baixo e saíram o sanfoneiro, a zabumba e o triângulo. Toda mídia celebra esse paganismo, essa profanação e, porque não dizer: Essa invasão dos bárbaros!

As vestimentas das quadrilhas mais parecem fantasias de carnaval. A coreografia da dança não é mais a mesma. Para enganar, maquiar e tapear a nossa gente, eles colocam uns enfeites de balõezinhos, umas casinhas de taipas típicas dos arraias que mais servem para tirar fotos de celular para serem colocadas nas redes sociais. Todo mundo fica empolgado e cai no conto do vigário, ou do prefeito.

Não vou mais falar de Vitória da Conquista porque a onda é geral em todo Nordeste. Alguém me falou nesta semana que não existe mais sanfoneiro no Piauí.

O São João com seu forró pé de serra, seu forrobodó arrasta-pé está como mulher rendeira, coisa rara de encontrar. Seus registros vão ficar apenas na história para interesse de pesquisa acadêmica

Quando digo que a mídia caiu no ridículo é que ela não é mais a guardiã da nossa cultura; não questiona e não critica o assassinato do nosso São João praticado pelas prefeituras. É tudo um esquema político eleitoreiro armado porque os prefeitos e governadores sabem que o nosso povão é inculto e nem sabe o que é preservar a tradição.

Como em todos os lugares, não tenho o receio e o medo de dizer que a maioria da nossa mídia em Conquista, infelizmente, é chapa branca, como era nos tempos do jornal impresso. São escassos os veículos que combatem esse ato criminoso contra a nossa cultura porque desvirtuar uma tradição é crime.

O pior, ou o que já era esperado, é que nosso povo lota os espaços, aplaude, entra em êxtase e idolatra esses cantores de polpudos cachês pagos antes de se apresentarem, tipos Safadão, Leu Santana, João Gomes, Pablo, Thierry e os sertanejos em geral, como ocorreu em Conquista, onde teve até camarotes. Depois ainda sai dizendo que é tudo de graça. Que maldade!

Ouvi um vídeo nesta semana onde um analista diz que o problema é que os burros no Brasil resolveram falar, enquanto os inteligentes e os intelectuais decidiram se calar.

Num paralelo dessa fala, diria que os burros foram para a festa dos sertanejos, enquanto os intelectuais recuaram e só poucos apareceram para observar o nosso forró sendo enforcado pela inquisição dos prefeitos, como se fosse uma heresia.

Confesso que nesta idade me sinto profundamente triste, decepcionado, desiludido e sem expectativas de mudanças nesses tempos da anticultura, não somente com o assassinato do nosso sagrado São João.

Tenho minhas dúvidas se a nova geração, do modo que está sendo educada, vai reagir a tudo isso e resgatar a nossa tão amada cultura popular do São João, exclusiva do Nordeste.

Para mim, era a festa genuinamente nordestina mais linda do Brasil e a que eu mais participava, mas não é mais e me recuso, enquanto vida, a sair de casa para ver essa presepada.

Desde menino, quando terminava um São João já ficava pensando no próximo ano para curtir o sanfoneiro, o cantor forrozeiro, as fogueiras, as comidas e as bebidas típicas, bem como os rituais do culto sagrado.

PAPO DE FUTEBOL

– Viu como o nosso futebol brasileiro está bem representado no Mundial de Clubes da Fifa, deixando os europeus no chinelo? Eles não vão mais ficar aí fazendo chacotas do nosso futebol, o maior do mundo – comenta o torcedor para o seu outro seu rival, com apertos de mãos e tapinhas nas costas.

É o assunto do momento que até roubou a cena do nosso falso São João, mas estão surfando na onda da mídia esportiva que é a mais tendenciosa e omite muitas coisas. Diz ela que são jogadores de altíssimo nível, o que não é verdade.

– Você esqueceu, meu amigo, que os times brasileiros hoje, especialmente da série “A”, estão todos enxertados com mais de seis estrangeiros da América do Sul e até da Europa, muitos dos quais de seleções de seus países – falei para o torcedor empolgado com a camisa rival do meu tricolor Fluminense, sem querer ser espírito de porco.

O cara meio que titubeou, não deu o braço a torce e saiu com outro argumento que não convence muito. Como todo fanático, arrematou que o futebol brasileiro ainda é o melhor. Ainda garantiu que vai ser campeão desse torneio da Fifa, feito para ganhar dinheiro.

– Como no futebol, a gente se deixa levar em outras coisas por essa mídia de exaltação, que apenas se preocupa em vender seu peixe. Veja como está a classificação do Brasil entre as seleções da América do Sul nas eliminatórias para a Copa de 2026? Está no quarto lugar! Seria o último colocado se dessa vez não fossem seis os selecionados – tentei convencê-lo.

Nesse papo furado de futebol, de jogar conversa fora, citei até o nosso grande cronista Nelson Rodrigues, tricolor das Laranjeiras, quando disse que toda unanimidade é burra e ainda soltou a sua irreverência de que o brasileiro tem complexo de vira-lata. Parece que essa copa está aliviando o brasileiro dessa carga pesada do complexo.

 

Tenho acompanhado essa copa (alô meu saudoso amigo tricolor Carlos Gonzalez que já partiu, grande especialista que foi no assunto) e observei que a maioria dos gols têm sido de cabeça. Não sei o porquê, mas acho o gol de cabeça feio, sempre naquela bola cruzada na base do empurra-empurra. Poderia ser proibido fazer gol de cabeça, mas isso é coisa maluca da minha cabeça.

Outra coisa é que não vi um craque novo, tipo revelação nessa copa – uns mais velhos, como Messi, Suarez, Crisma e outros, apagados em campo -, visto que no Brasil, há muitos anos que acabou essa safra. Tem mais pernas de paus que dão aqueles chutões de atravessar os estádios.

A mídia esportiva passa o tempo todo floreando, enchendo linguiça e jogando confetes em jogador quando acerta alguns lances dignos do futebol. Não estou vendo nada de exuberante para encher os olhos e mudar de opinião.

O atleta de hoje basta encostar que ele cai e pede falta. Por falar nisso, o mais ridículo é quando todos correm para cima do juiz. Isso já poderia ser terminantemente proibido na regra. Dá cartão para todo mundo, seu juiz, e acaba logo com esse baba!

Prefiro ser mais uma metamorfose ambulante, como diz o grande cantor, músico e compositor baiano, pai do rock rool, Raul Seixas, do que ter aquela opinião formada sobre tudo.

– Para ser sincero, meu companheiro, torcedor fica cego e faz aquela farra de elogios e de cachaça quando seu time ganha e xinga “pra burro” quando perde. Não temos mais craques como antigamente que infernizavam as defesas dos adversários.

– Tenho mesmo é saudades daqueles tempos de Garrinha, Djalma Santos, Didi, Pelé, Rivelino, Tostão, Dirceu, Clodoaldo, Jairzinho, Ronaldo, Romário, Ronaldinho, Sócrates, Zico e, por último, até do moleque Neymar, que só quer saber de baladas, Nisso até que o cara concordou.

 

O “CONTO DO VIGÁRIO” E O GOLPE VIRTUAL

– Amigo, cuidado, porque isso aí pode ser um golpe! Não caia nessa! Fica esperto! Não atenda telefonemas suspeitos e nem clique em mensagens estranhas! Delete!

São sinais de alerta que mais se ouve entre as pessoas nos dias atuais quando algo vantajoso e fácil cheira a enganação, a trapaça. A recomendação é não confiar mais em ninguém, mesmo em alguém considerado confiável e correto. Hoje tem mais golpistas no país que a praga dos gafanhotos do Egito, do faraó.

A gente procura seguir a regra, mas sempre tem alguém caindo numa armadilha. Quase todo mundo já levou um “tombo”, um golpe. Não é mais coisa para se envergonhar. Muitas vezes se apanha e não se aprende, contrariando a máxima, de que é “apanhando que se aprende”.

O golpista leva a vantagem de pegar o cidadão desprevenido, como se leva um susto danado quando se está distraído, no mundo da lua e alguém faz uma presepada.

Ninguém fala mais que a pessoa caiu no “conto do vigário” quando se é vítima dos inúmeros golpes virtuais que se proliferaram a partir da internet, muito mais sofisticados e profissionalizados com o uso das novas tecnologias da informática.

Dia desses um companheiro comentou comigo que não se usa mais a expressão “conto do vigário”, ou vigarista, mas de golpista, aquele que utiliza das redes sociais para retirada de dinheiro de conta bancária de clientes, quem pega dados de alguém para clonar cartões, vende carros, apartamentos, móveis e imóveis falsos, se passa como facilitador de processos judiciais, liberação de programas sociais, entre outras coisas.

– É verdade! Os tempos são outros, não mais aqueles pés de chinelos do bilhete premiado da federal, da mala pesada, da herança do parente distante, do tesouro perdido, das correntinhas reluzentes como ouro que depois viravam ferro e outras práticas estelionatárias presenciais. Não se engane, camarada, são espécies em extinção, mas ainda se encontra zanzando perdidos por aí esses elementos, ou meliantes das antigas.

– Saudades daquela época porque na maioria das vezes o sujeito era preso pelo delegado e pegava cana. A gente até achava graça das armações e tirava sarro das vítimas. Com a tecnologia atual, que rende mais, com menos esforço, até a saidinha bancária se tornou raridade.

Recordo que meu pai uma vez me contou um desses casos do seu irmão que vivia por aí fazendo malandragens. Estava sem dinheiro e um dia se hospedou numa pensão com uma mala pesada cheia de esterco de gado.

Fez toda recomendação ao dono para guardá-la num local seguro porque nela havia uma mercadoria preciosa. Passou uma temporada na cidade e depois sumiu sem nada pagar. O resto da história, todos sabem. O dono do estabelecimento caiu no “conto do vigário”, se lascou, sifu…

Em Amargosa, na Bahia, onde estudei como seminarista, para ser vigário (não vigarista), soube do caso do conto do pavio. Um senhor safado comprou sacos e mais sacos de pavios e foi vender aos pobres na zona rural.

Ele propagava aos quatro cantos, como profeta da barba grande, que a terra ia ficar uma semana na escuridão e estimulou os camponeses a comprarem pavios para acender seus candeeiros a querosene. Vendeu tudo com sua conversa fiada.

Nessa prosa sobre “Conto do Vigário”, o amigo acrescentou que os caras hoje são mais espertos, inteligentes, trabalham em escritórios confortáveis, não tiram folga semanais (fazem bacanais), estão sempre de plantão e conseguem se esconder com mais facilidade da polícia.

– Ah, e têm mais lábia, sem falar que esses bandidos invisíveis sempre dão um passo à frente para burlar os programas de segurança e possuem mais capacidade de imaginação quando se trata de mudar a modalidade de golpe. Todo dia surge uma coisa nova!

Foi o que disse para ele, que aproveitou para indagar o porquê desse termo de “Conto do Vigário”, que muito se falava na era analógica, desde lá dos tempos de nossos avós, quando alguém era enganado pelos chamados vigaristas, muitos deles engomadinhos e com boa lábia também.

– Sabe não?  “Conto do Vigário” era um golpe antigo onde trapaceiros se passavam por representantes de um vigário (padre) para enganar pessoas, com histórias elaboradas sobre heranças, buscando tirar dinheiro delas.

A origem do termo surgiu do envolvimento entre duas igrejas em Ouro Preto, Minas Gerais, que disputavam uma imagem de Nossa Senhora. Um padre recomendou amarrar a imagem em um burro e deixar que ele escolhesse um destino. O animal que pertencia ao padre foi justamente para a igreja dele. Daí nasceu a associação vigário e engano.

Existe outra versão que aponta para Portugal onde golpistas fingiam ser emissários de vigários, usando promessas falsas e papos furados para boi dormir, convencendo pessoas a entregar dinheiro ou bens.

Esta explicação tem até mais raiz porque quando Cabral aportou em terras brasileiras trouxe degredados, corruptos e malfeitores em suas caravelas, os quais enganaram os nativos indígenas com presentes mixurucas, como espelhos e pentes, e levaram bens mais valiosos, como o Pau Brasil, o ouro, os diamantes, entre outras riquezas.

Na realidade, foi o primeiro “Conto do Vigário” em que caímos, isto é, os coitados dos índios. Os outros portugueses navegadores e exploradores que vieram depois, a partir do primeiro governador Thomé de Souza, procederam da mesma forma.

O “Conto do Vigário”, significando história elaborada com o objetivo de burlar alguém, pode ter vindo de lá e aqui encontrou terra fértil para prosperar e dar bons frutos. A expressão, inclusive, é usada em Portugal e no Brasil. Como disse o escrivão Pero Vaz de Caminha, aqui plantando, tudo dá, e como deu!

COMO ASSIM, DE GRAÇA!

A falta de conscientização política, conhecimento e saber para discernir as coisas, ou seja, educação, leva os governos a enganar o nosso povo com propagandas falsas. Não existe, por exemplo, esse negócio de graça quando o poder executivo banca um evento e não cobra a entrada da população.

Para fazer sua média, a prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos, vem dizendo em seu discurso político que a população não vai pagar para entrar na festa terceirizada do São João de camarotes. Aliás, é o São João da desigualdade social de divisão de castas. Tudo lá dentro vai ser caro e só poucos vão puder tomar uma bebida ou comer alguma coisa.

Primeiro, nunca vi em minha vida uma festa pública junina organizada pelas prefeituras onde o povo tivesse que pagar para frequentar. Segundo, tudo que vem do governo em benefício do povo é pago pelo contribuinte através de seus impostos e, sendo assim, nada é grátis. Terceira, deixa de ser cara de pau!

No caso específico de Conquista (todos eles dizem isso) fica parecendo que a própria prefeita tira o dinheiro do seu próprio cofre para pagar a entrada do São João para seus eleitores. Só rindo para não chorar!

A mesma coisa ocorre quando ela afirma que vão sair ônibus de graça do Espaço Glauber Rocha para o Parque de Exposições. Quem vai cobrir esse gasto? Com certeza não são as empresas. O recurso é tirado do próprio povo.

Por falar em transporte público, a tarifa de ônibus e de outros veículos poderia muito bem ser zero porque os governos em geral possuem recursos para isso. Lembram dos movimentos de ruas em 2013 que tiveram como ponto de partida essa justa reivindicação? Por que em algumas cidades o usuário não paga o transporte?

Pena que a grande maioria acredita e até acha que seu prefeito, governador e o presidente estão sendo bonzinhos. O pior é que a mídia esquece do seu papel de esclarecer o que é certo e errado e termina embarcando na onda da falsidade.

Sinceramente, fico incomodado quando essa imprensa preguiçosa, que não mais questiona os fatos e deveria ser formadora de opinião, diz que a vacina é de graça, que o documento de identidade é de graça, que a certidão de nascimento é de graça, que tal mutirão de saúde é de graça e que um show pago pelo governo é de graça.

Esse papo furado, minha gente, até parece mais com o “Conto do Vigário”. Eles aproveitam a ignorância do povo para propagar mentiras e ganhar o voto do cidadão na época das eleições. Quem paga tudo isso? O governo é apenas um repassador da arrecadação dos tributos.

O Governo do Estado, através do Detran, está aí com um programa de conceder, sem custo para o interessado, carteira de habilitação às pessoas de menor poder aquisitivo. Exige um monte de burocracia para a pessoa ser contemplada e ainda fala que é de graça. Vem a mídia do factual e assina embaixo.

É subestimar a inteligência dos outros porque tudo que sai do governo em benefício do brasileiro é verba dos impostos. Portanto, não me venham com essa conversa demagógica de que é de graça.

DO CAVALO AOS FOGUETES

Primeiro foi a pedra e o pau que o homem antes da época do Neandertal começou a usar como instrumentos para enfrentar seus semelhantes por comida e áreas territoriais. Depois vieram as lanças e as flechas entre as tribos. Tivemos também as espadas, os punhais e as adagas na descoberta do ferro.

Passaram-se séculos e o homem foi se evoluindo para combater seus inimigos até chegar à utilização do cavalo como arma poderosa. Os primeiros povos a domesticar esse animal para o uso de conflitos, permitindo ataques e fugas rápidos, saíram das estepes da Eurásia (Ucrânia, Hungria e Romênia) por volta de 4000 a 3000 a.C.

As civilizações que mais empregaram o cavalo nas infantarias de guerras foram os romanos, os celtas, os partas ou persas (iranianos de hoje), os gauleses, os vikings e os germanos entre 2000 e 1000 a.C. sem falar nos Cruzados e nos mouros durante os séculos XIV e XV.

Depois das duas primeiras guerras (1914/18 – 1938/45), os cavalos serviram mais como meios de transportes de suprimentos em geral e armas, para arados, quando foram substituídos pelas máquinas, inclusive os aviões, mais mortíferas. Até hoje, para simbolizar a sua força, um cavaleiro num cavalo vermelho empunha uma espada, representando a guerra.

Nessas duas guerras tivemos o emprego maior das metralhadoras, fuzis e das bombas que ceifaram milhões de vidas humanas. Os relatos de matanças e carnificinas me fizeram lembra do saudoso cancioneiro poeta conterrâneo Wilson Aragão que, em uma de suas toadas músicas, diz que uma guerra de facão mata menos gente.

Do cavalo aos foguetes, o que temos hoje é uma guerra tecnológica de aviões potentes supersônicos e drones derramando suas ogivas em pontos estratégicos, deixando um rastro de escombros com maior letalidade. Nas imagens, os foguetes cruzam os céus entre as partes inimigas. Até parecem estrelas cadentes luminosas, mas não encantam nossos olhos, muito pelo contrário.

No entanto, ainda temos o contraste entre o moderno e o atraso no mundo da guerra. Tribos africanas de nações mais pobres, como Burundi, República Centro Africana, Somália, Congo, Sudão, Moçambique, Níger, Libéria, entre outras, ainda se matam através de lanças, armas de fogo e até facões.

Pois é, raramente existe o enfrentamento corpo a corpo, e os soldados de hoje são treinados para outras funções, como apertar botões de precisão e manejar tecnologias sofisticadas. Diante dessa parafernália toda, pelo menos o cavalo foi preservado porque só na I Guerra Mundial foram utilizados cinco a seis milhões deles.

A insensatez e a autodestruição do ser humano, bicho sanguinário, chegaram ao ponto das grandes nações destinarem a maior parte de seus orçamentos para as indústrias armamentícias. Gastam-se por ano trilhões de dólares, enquanto cerca de um bilhão de pessoas, dos sete a oito bilhões de habitantes, vive na extrema pobreza e na miséria.

As desigualdades sociais só se aprofundam com a concentração de renda nas mãos de poucos, sobretudo nos países menos desenvolvidos da África e das Américas do Sul e Central, como é o caso do nosso Brasil.

Outra vítima dessa barbárie contemporânea evolutiva às avessas é o meio ambiente através do desmatamento de nossas florestas, o lixo do consumismo, o uso de combustíveis fósseis e o lançamento de gases tóxicos na atmosfera.

Como estamos falando de guerras, do cavalo aos foguetes, ainda temos hoje os facínoras dos holocaustos e dos genocídios em massa, praticados por criaturas neonazifascistas que encarnaram os espíritos de Hitler, Stalin e outros, como o criminoso carniceiro da Bósnia, no início dos anos 90, nos Balcãs.

Um desses exterminadores atuais que deveria estar encarcerado com a pena de morte é o tal do Benjamin Netanyahu, o chamado “Bibi”, o judeu que se comporta como vítima do hitlerismo, para jogar bombas contra os indefesos palestinos, assassinando impiedosamente crianças e idosos.

Agora ele está lançando foguetes contra os iranianos, sob o pretexto de destruir arsenal nuclear, e tudo isso com a mão e o consentimento dos Estados Unidos, do Trump desequilibrado e louco.

Ora, fizeram um acordo onde somente eles, a França, a Índia, o Paquistão, os Estados Unidos, Rússia e o próprio Israel podem ter bombas nucleares. Existe um desequilíbrio geopolítico na questão dos armamentos. Por que não selam uma aliança para destruir todas essas malditas bombas e reduzir drasticamente a fabricação de armas?

A PROFANAÇÃO DO NOSSO FORRÓ

Acabo de receber uma mensagem de um primo lá de Juazeiro onde ele reproduz um comentário de revolta e protesto, de autoria de Rivelino Libarino, sobre a abertura do São João de Petrolina. Em seu artigo, afirma que entre os presentes registrou-se a ausência do principal personagem no evento, no caso, o nosso sagrado forró.

Enquanto lia sua matéria ia passando em minha cabeça o mesmo filme que aconteceu e está acontecendo em Vitória da Conquista onde a prefeita terceirizou a nossa festa junina e a transformou num carnaval misturado com arrocha, axé, sertanejo e outros ritmos que nada têm a ver com a nossa tradição.

O que estão fazendo com o nosso São João e o nosso forró, e isto já vem ocorrendo há anos em todo Nordeste, é uma profanação, uma heresia, onde os prefeitos deveriam ser julgados, sentenciados e punidos por tentar nos enganar, como vem fazendo a nossa prefeita, colocando na imagem um movimento na Praça Nove de Novembro e dizendo que a entrada é grátis no Parque de Exposição.

Nada é grátis quando o dinheiro sai dos cofres públicos. Não sabia que tem São João organizado pela prefeitura (dinheiro do contribuinte) com ingresso pago! Infelizmente, a nossa mídia ainda entra nessa onda quando fala que tal show público é de graça. Como é de graça? É subestimar a nossa inteligência e tratar a população, a maioria inculta, de idiota.

Deveriam perder o cargo e até serem presos porque estão cometendo um crime que é matar e sepultar uma cultura popular de séculos, porque não se muda uma tradição, símbolo de uma expressão nordestina. Além do mais, existem os superfaturamentos, os desvios de recursos nas contratações de artistas lixo, com astronômicos cachês.

A Justiça faz vistas grossas, e os intelectuais, acadêmicos, os movimentos culturais, inclusive os artistas forrozeiros da terra, praticamente ficam em silêncio. Não se sai daquele bê-á-bá ou blábláblá de sempre, de apenas condenar e achar que estão acabando com o nosso senhor forró, quando, na verdade, já acabaram.

A festa junina autêntica, o forro pé de serra, o chamado arrasta-pé o forrobodó, a sanfona, o zabumba e o triângulo são hoje peças e personagens secundárias de decoração no maior evento nordestino. No meio colocam algumas quadrilhas em horários de pouca gente, como no início ou final de tarde.

Não me venham com essa de modernização que não cola. Mudanças existem, inclusive nas pessoas, de forma a se amadurecer mais e acompanhar os novos tempos, as novas tecnologias, mas cultura popular, tradição artística secular não se muda, se preserva, conserva e se apoia para que nunca morra.

A prefeita de Conquista, por exemplo, cometeu o maior crime em sua gestão que foi comercializar a festa e ainda permitiu que ela seja realizada no Parque de Exposição Agropecuária, excluindo milhares de conquistenses de curtir o tradicional São João, quando se tem o Espaço Glauber Rocha, na zona oeste, construído com o dinheiro do povo para nele realizar atividades culturais.

Por falar nisso, o Glauber Rocha hoje é utilizado por empresas de prestação de serviços (também foi terceirizado), um total desvio de finalidade. Pode-se dizer que ele hoje é um elefante branco. É lá que o São João deveria ser realizado, sem custo de pagar outra área particular.

Em todo o tempo em que estou em Conquista, 34 anos, se é que esteja enganado, um São João nunca foi feito no Parque de Exposições, com camarotes e cantores que nada têm a ver com o nosso forró, num estilo totalmente diferente.

É um desastre, senhora prefeita, e aqui fica minha palavra de repúdio. Esse ato vergonhoso vai ficar marcado para sempre na história de Vitória da Conquista. A senhora deveria ser responsabilizada por acabar com a nossa cultura, a começar pelos equipamentos culturais, todos fechados e sendo destruídos pela poeira do tempo.

Entram os safadões, a Ivetona, o Leu dos rebolados carnavalescos, o boiadeiro sertanejo, os piseiros, arrocheiros e lambadeiros e sai o nosso saudoso forró. Expulsaram a chicote o sanfoneiro, o forrozeiro, o xote, o baião da festa junina. Tiveram a grande proeza de assassinar a nossa cultura, genuinamente nordestina.

AS CANÇÕES DE AMOR NA VOZ DE EVANDRO CORREIA

Quis o destino que o nosso cancioneiro Evandro Correia se fosse justamente no Dia dos Namorados porque em suas letras e canções poéticas falava do amor, de gente que sempre quis viver esse amor.

Este texto de minha autoria foi feito com ele ainda em vida numa conversa descontraída sobre sua infância e sua vida de cantar suas composições. Seus shows sempre tinham um público cativo e quando soltava sua voz, todos se emocionavam.

Quando aqui cheguei, em 1991, sua música “Menino da Vida” me fez conhecer o romântico Evandro Correia. É uma grande perda para nossa cultura, mas deixa um grande legado para a posteridades. Passou por aqui e deixou sua marca registrada. Viveu a vida como ela é. Segue o texto que fiz há tempos sobre sua pessoa e sua carreira:

O amor é o seu mastro de salvação, é um veleiro que navega em rios e mares, aportando em terras longínquas para conhecer gentes diferentes e levar a mensagem de conforto em forma de oração e louvação para os mais carentes.

Seu amor é reconciliação, é uma estrela de esperança. Assim cantam as letras na voz do compositor e poeta nordestino, baiano e conquistense Evandro Correia, que abriu seu baú da vida para falar um pouco da sua carreira, de cultura, das dificuldades para vencer, de artistas que admira, de seus projetos e da sua terra natal onde nasceu e a tem como mãe.

O menino que aprendeu a cantar, acompanhando as missas nas igrejas das Graças (rua Otávio Santos) e na São Miguel (bairro Alto Maron), em Vitória da Conquista, seguiu seu caminho musical e há 19 anos vive fazendo sua arte com dedicação e profissionalismo.

Na verdade, pode-se dizer que seu trabalho está completando 27 anos de duração já que em 1980 fez sua primeira aparição no Festival Estudantil da Bahia, no Ginásio Raul Ferraz de Vitória da Conquista, arrancando o primeiro lugar na classificação, com a música “Rosa Flor”.

A partir daí, Evandro Correia foi cantando suas melodias em festivais de Conquista e de outras cidades até cravar seu sucesso com a música “Menino da Vida”, cujo clip foi lançado pela TV Sudoeste logo que se instalou na região há 17 anos. Evandro não parou mais de cantar e suas obras são verdadeiras apologias ao amor e bálsamo para o espírito. Tímido, calmo e de voz pausada, o artista vai falando das dificuldades que existem para se produzir cultura neste país, mas acredita na vitória quando se esforça e se quer vencer.

Em 1990, com a carreira mais sedimentada, grava o CD “Menino da Vida”. Foi seu primeiro disco oficial/solo com produção de João Leme e Waltinho Amorim. Depois veio “Gema”, em 1993, com produção de Marcos Ferreira. Passou uma temporada no Rio de Janeiro nas noites cariocas; esteve em São Paulo e norte de Minas Gerais; e em 97 gravou “Divindade”. O artista continuou cantando em casas de shows pela Bahia a fora e fazendo suas composições nas horas vagas e de inspiração. Em 2001 lançou o disco “Garimpeiro do Sonho.”

Além das suas baladas misturadas a outros ritmos, Evandro sabe cativar o público também com o forró como nos dois discos que gravou em homenagem ao rei Luiz Gonzaga e ao Trio Nordestino (há três anos que ele faz São João). Ao todo são oito trabalhos elaborados com dedicação e amor, tema que ele mais aborda nas suas cantorias, acompanhadas de uma banda formada por violões, violino, violoncelo e bateria. Com seu jeito de ser simples e profundo, o artista lançou no início deste ano o seu primeiro DVD, o “Pulo do Gato”.

“Meu público gosta de uma mensagem mais direta, limpa, com um romantismo social, consciente e politizado” – foi assim que Evandro definiu o seu produto musical e a forma como as pessoas apreciam suas obras. Suas canções são urbanas e populares, com um forte tempero romântico, sem pieguices. “O povo gosta desse lado romântico que luta pelas conquistas e briga para prosseguir com as coisas”.

Sobre o axé music, Evandro acha bonito por falar da vida com simplicidade e emoção, embora tenha pouca letra, com exceção dos trabalhos de Gerônimo, Luis Caldas e Edil Pacheco que ele cita como expoentes. No entanto, lamenta que depois disso, nada mais de novo tenha acontecido na Bahia. Para Evandro, que admira Elomar e Luiz Gonzaga, a música da Bahia é mais samba e mais dançante.

Sobre as dificuldades, o compositor conquistense encara os problemas com otimismo e garra, apesar de reconhecer que viver de arte no mundo é uma tarefa quase impossível. “Quanto a mim, que não tenho gravadora e sou independente, sempre procurei buscar meu espaço, com coerência, dignidade, transparência e respeito aos outros”.

A cultura de um modo geral no Brasil, na sua visão, não tem sido prestigiada como deveria, mas não coloca toda culpa no governo. Para ele, o artista tem que se impor e produzir mais, independente do poder público. Lamenta que ainda existam artistas que são sanguessugas e se vendem facilmente.

Quanto a polêmica do produto musical ser comercial ou não, ele entende que toda obra visa o mercado, e que é difícil conseguir esse mercado porque a mídia direciona e empurra as pessoas para determinados movimentos. Do outro lado, as produtoras se ligam no glamur, no status, naquilo que dá ou não dá, “mas no final tudo é comercial”.

Para o músico, Conquista é sua terra natal que muito preza, pela personalidade e inteligência de seu povo a quem muito deve, “pois aqui sempre tive um espaço aberto e foi onde tudo começou”. Ele promete para 2008, novos projetos, novas canções em CD e DVD, com violão e orquestra de cordas. Como letrista e compositor, Evandro se identifica como dono do circo que faz de tudo, desde a comida para o leão, a varrer a área e tomar conta da bilheteria.

“PULO DO GATO”

O seu primeiro DVD “Pulo do Gato” é recheado de romantismo como toda sua obra, mas sem ser meloso. Nas suas definições de amor, está sempre lembrando do sertão como seu parceiro na vida. É um romantismo com conteúdo, como a primeira canção “Eu e Ela” que fala da procura e da doação. “O amor é jóia rara” – canta Evandro que sabe ser inconfundível na sua mensagem.

A canção “Gema”, muito conhecida, faz uma declaração de amor à sua gema da vida. Não tem vergonha de dizer que quer o teu amor. “É assim que sempre quis”. “Menino da Vida” é o diamante da sua carreira e uma melodia dedicada à natureza e à vida. Seus passos pisam em pedras, mas encontram também o sorriso e a vida para navegar – diz Evandro.

“Estrela Guia” fala do amor à primeira vez. Nela, ele é um amante da vida e do amor. Derrama um amor que encanta, e canta numa linguagem sem pieguices. Na canção “Roxo”, em violão e violino, compara a chegada das águas com as lágrimas que caem por amor. Em “Eternamente”, o artista, com seu jeito tímido, diz que sem você não há luz no infinito, não há mundo, não há lugar. Eternamente é como um viajante solitário que sem amor não tem histórias para contar.

Trago flores para você para que o amor não morra nas trevas – é a mensagem do artista na canção “Canôro”. Já “Marcéu”, “Marlua” e “Lis” são baladas dedicadas aos seus três filhos adorados. Sobre “Marlua”, canta ser ela o filme mais bonito que já viu. “É o livro mais profundo que já li”. Em “Lis” é verde tua visão; é chuva no sertão. Pede ao seu filho “Marcéu” para que lhe abrace forte quando chegar e dê sua mão.

Evandro canta ainda a “Lua de Agosto” que é puro amor e roga para seus olhos encontrar os olhos dela; “Sanha” diz que o amor é o pai, é a mãe; “O Tango da Onça” fala do amor selvagem que lambuza, rainha das grutas de dentes macios, me usa, abusa para comer mais tarde; “Na Mira”, o artista quer fugir da solidão e se revela ao afirmar que salve, salve o que vier do amor.

Completa seu trabalho com “Canção Serenata”, “Duas Bandas” que narra o sofrimento de quem foi embora, das carências, das recordações (quando olho para a lua vejo teu rosto); “Devoção”, que de forma clássica na letra e na música, faz uma louvação ao amor e compara a falta dele ao sertão sem chuva; “Saudade de Endoidecer”, que dói noite e dia sem te ver; “Branca” e “Cadê My Love” encerram o DVD.

 

 

 

 

 

DURMA COM UM BARULHO DESSE!

(Chico Ribeiro Neto)

Aniversário no salão de festa do prédio com banda ao vivo. Sapato alto no andar de cima. Som alto, axé, até 11 da noite. Tem velotrol no corredor. Latido de cachorro grande com fome. “Nunca more numa rua onde passa ônibus”, dizia uma amiga.

Insônia é coisa braba. Desde menino, sempre achei sem graça esse negócio de contar carneirinhos pro sono chegar. Se não dá certo dormir de um lado, vira pro outro. Se também não consegue dormir, fica de barriga pra cima e aí começa a pensar nos problemas. Vixe! Só ligando o rádio.

Sempre gostei de um rádio de cabeceira. Ouvir música tem hora que ajuda a dormir. Teve uma noite em que sonhei dançando um forró com Elba Ramalho. Acordei logo depois e ouvi o locutor dizer: “Acabamos de ouvir “Bate Coração”, com Elba Ramalho”.

Gosto de ouvir música clássica na Rádio Câmara FM (105.3), mas repetem muito a programação, principalmente valsas de Strauss. Ouço também a Educadora (107.5).

Se pegar no sono é difícil, acordar também não é fácil. Quando ligo o despertador do celular, sempre acordo antes dele tocar e o desligo, para não tomar susto quando ele tocar.

E o tal “só cinco minutos”? Quem nunca disse isso e depois dorme mais meia hora? Meu tio Antônio se gabava de nunca ter perdido o trem. E eu, com uns 8 anos, morria de vontade de perder o trem.

Esse tio tinha uma tática infalível pra acordar a gente: passava uma linha molhada no bigode e nos lábios. Não tem quem não acorde com aquela gastura.

O pai de um amigo me contou uma vez que, quando acorda, diz 10 vezes: “Eu sou forte, muito forte, cheio de saúde e alegria”. Nunca tive tamanha disposição.

Acho que era o escritor Paulo Mendes Campos que dizia à mulher e filhos: “Não me peçam decisão nem opinião sobre nada até duas horas depois que acordo”.

Veja o belo poema “Dormir”, de Armindo Trevisan, do livro “Adega Imaginária”:

“Não há instante

mais íntimo

do que aquele em que nos enrolamos

em nós mesmos.

 

Dormir “a pata suelta”,

num trem,

num bosque,

num banco de praça.

 

Quando dormimos,

nossa memória estende as asas,

e voamos com ela

para abraçar a lua.”

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 

 

 





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