ESCRITORES SE REÚNEM PARA DISCUTIR CONSELHO E ASSOCIAÇÃO
A nossa cultura brasileira tem uma longa história de altas e baixas, de grandes criações reveladoras de nomes e de escassas produções de relevância. Desde a República, no início do século XX até a década de 20 (Semana de Arte Moderna), foi a época pródiga e de ouro nas artes de um modo geral.
Depois veio a ditadura de Vargas e se proibiu pensar porque era perigoso para o poder vigente. Dos anos 50 até os 60 experimentamos uma etapa de efervescência das linguagens artísticas e logo depois outro regime ditatorial de obscurantismo, trevas e censuras. Tudo era subversivo e comunismo, mas, mesmo assim, tivemos a ousadia de criar e enfrentar os generais, com centenas de prisões, torturas, mortes e desaparecidos.
Veio a redemocratização a partir dos anos 90 e, de lá para cá, por incrível que pareça, a nossa cultura foi se definhando em termos de conteúdo e piorou no último governo do capitão-presidente que cortou até o Ministério da Cultura da lista. A evolução tecnológica da internet e a invenção das redes sociais no celular também influenciaram negativamente. Agora estamos vendo uma luz no final do túnel.
Todo esse bolodoro e “nariz de cera” é somente para dizer que a arte literária também está inserida nesse contexto e Vitória da Conquista não fica de fora desses percalços e ascensões. Quanto a nossa aldeia, no quesito da literatura, como há anos, estou vendo um grupo de escritores juntando forças para se organizar, mostrar seus trabalhos e obras e sair desse individualismo, uma característica local que o nosso poeta Paulo Henrique chama sempre a atenção.
Por ideia do nosso escritor e professor Nélio, que está lá fisicamente no interior de São Paulo (São Carlos), mas espiritualmente aqui conosco, formamos um grupo no ZAP onde trocamos ideias e apresentamos nossas produções. Criou-se o Foro Literário Sertão da Ressaca e já realizamos duas reuniões virtuais nas quais debatemos diversos assuntos, como a de segunda-feira (dia 28/08) onde se discutiu um nome para ocupar uma cadeira no próximo Conselho Municipal de Cultura e a possível formação de uma Associação de Escritores Conquistenses-AECO (sigla sugestão).
Também foi sugerido a montagem de um mosaico com as pessoas para ser divulgado no Foro Literário e já foi publicado com o título: “Quem são e o que querem as escritoras e escritores conquistenses”? Falamos ainda de um nome para o grupo recém constituído que identifique com nossa terra. Está em andamento a publicação de uma coletânea de escritores locais.
Estou vendo tudo isso como muito positivo e renovador de esperanças para a nossa literatura depois de 32 anos morando em Conquista como jornalista e escritor. Temos muitos talentos adormecidos por falta de oportunidades que precisam ser revelados e apoiados.
Não adianta ficar aqui só pensando na ação do poder público porque este tem destina poucas reservas no orçamento para a nossa cultura, sem falar na área privada que mais visa o lucro. Infelizmente, não temos mais mecenas como antigamente. Precisamos, sim, mostrar a nossa cara e dizer que existimos e olhem para nós.
Creio que mais gente (seja bem-vindo professor Dirley Bonfim) deve se juntar a nós nessa luta para fortalecer a cultura de Conquista e, especialmente, a cena literária, uma das linguagens mais esquecidas (a chamada prima pobre) nos últimos tempos, embora esteja sendo encorajada a partir das feiras literárias nos municípios.
Habemos um coletivo que está se movimentando e quer ter voz e deixar seu legado para a sociedade como personagem viva da nossa cultura, uma das linguagens mais importante para as outras. As ideias estão brotando e, na reunião de ontem, decidimos por apresentar um nome para o Conselho de Cultura e já marcamos uma outra reunião presencial para o próximo dia 10 de setembro, véspera da Conferência Municipal de Cultura entre os dias 11 e 12, no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima.
Quanto a Associação está sendo maturada aos poucos, apesar de alguns pontos de divergência se ela deve ou não existir, mas considero fundamental para unir mais o grupo e servir de elo de ajuda na produção, divulgação e distribuição das obras. Diz o ditado popular que uma andorinha só não faz verão. A proposta está levantada para um consenso ou não da fundação da entidade.
No encontro de ontem foram cerca de três horas de discussões (acho cansativo e demorado), mas foram produtivas e cada um externou sua opinião democraticamente. Nela estiveram presentes Nélio Silva, Afonso Silvestre, Juliana Brito, Leon Lacerda, Chirlis Oliveira, Fernanda Silva de Moraes, Luís Altério, Lídia Cunha, Paulo Henrique Medrado e Jeremias Macário.
Outros estão chegando para se juntar à nossa turma de “rebeldes” que têm a ousadia de colocar a cara a tapa para serem lidos e escutados. Vitória da Conquista tem um celeiro valioso deles que precisam ser conhecidos. Não vamos ficar somente no Conselho e na Associação. Temos outras proposições para revolucionar as artes e logo vão ser anunciadas.











