TÃO FALADO E ODIADO!
Autoria do escritor e jornalista Jeremias Macário
Terra árida nordestina,
Do Assaré retirante,
Na “Triste Partida”
Da sua terra, amante,
Sou essa gente latina,
Tão falado e odiado
Por andantes trovadores,
Cordelistas e repentistas,
Escritores, mestres e doutores,
Da Bahia, Maranhão ao Ceará,
De todo estado nosso irmão,
Que ultrapassaram além-mar,
Desde os tempos coloniais,
No melaço dos canaviais,
E nas manchetes dos jornais.
Sertão agreste nordestino,
Pelos coronéis, escravizado,
De tanta canção que nos encantou,
No voo lamentoso da Asa Branca,
Na palavra libertária do Conselheiro,
Que deu voz ao catingueiro;
Da Coluna Prestes,
Que cortou nosso chão,
Como os jagunços de Lampião,
Onde nasceram os bravos e fortes,
Com suas tradicionais culturas,
Escritas nas lápides das sepulturas.
Tão falado e odiado,
Sou o Nordeste,
Não sou trapo farrapo,
De nazistas sulistas,
Senhores opressores,
Imigrantes intolerantes,
Que derrubam nosso cerrado,
Com suas cercas farpadas,
E ainda sugam nossos canais,
Das águas do “Velho Chico”
E nos chamam de macaco-mico,
Seus extremistas venais.











