No Brasil sempre se procura o atalho mais simples para se resolver questão mais complicadas por falta da aplicação de medidas e leis mais rígidas das autoridades que deveriam cuidar do problema. É fácil se eximir da responsabilidade e punir um terceiro que não tem culpa no cartório. É uma maneira de querer tapar o sol ou a chuva com uma peneira.

Um caso típico disso está relacionado com a crescente violência nos estádios de futebol no Brasil, a exemplo, do que ocorreu esta semana na Vila Belmiro no jogo entre Santos e Corinthians e no São Januário entre o Vasco e o Goiás onde torcedores soltaram foguetes, bombas, rojões e objetos perigosos no campo, revoltados com as derrotas de seus times.

Imediatamente a Justiça Desportiva da CBF penaliza as equipes com as perdas de público em seus estádios como se os times tivessem algum controle sobre a estupidez e a violência de determinados torcedores em momentos de raiva e ira. Não passam de bandidos assassinos que deveriam ser encarcerados. Para o reconhecimento desses brutos existe toda uma tecnologia disponível.

Como esses indivíduos violentos passam nesses portões com todo esse arsenal de guerra? Não existe fiscalização da polícia e dos agentes que cuidam da organização das partidas? Cadê o Ministério Público estadual e federal que não toma outras providências para evitar essas ocorrências e distúrbios de agressão? Quais órgãos estão sendo negligentes na manutenção da ordem?

A mesma coisa é quando grupos de torcedores praticam o racismo, a xenofobia e a homofobia contra jogadores. Por ser mais fácil, a tal justiça cega e os órgãos preguiçosos multam financeiramente o time e até existe ameaça de tirar os pontos ganhos no certame. Confesso que não consigo compreender essa lógica.

Como é possível a diretoria de um time ser responsável por um cara ou caras malucos que numa multidão de 50 ou 70 mil pessoas soltam palavrões e xingamentos racistas contra um atleta? Existem certos episódios que nem se tem certeza que esses agressores são mesmo torcedores do time que é penalizado.

Enquanto perdurar esse modus operandi simplificado, a violência e as atitudes de racismos vão perdurar nos estádios porque o sujeito malfeitor não está nem aí se seu time vai ser punido. A raiva e o ódio dele sempre vão estar acima da razão. É uma questão de educação e formação de caráter. Tem que haver outra forma rígida de se acabar de vez com esses tipos de comportamentos inadmissíveis.

Se vão continuar com a decisão de somente penalizar os times, pode até fomentar a ideia de “torcedores”, com a camisa de outro clube, penetrarem na torcida adversária para provocar violência e racismo, justamente com intuito de prejudicar seu rival. Afinal de contas, estamos num país da malandragem onde o absurdo pode acontecer.