Com o argumento de proteção do patrimônio público, para ganhar simpatia e votos dos eleitores, ansiosos por mais segurança nacional, houve uma onda de candidatos no país que lançaram programas de criação de guardas municipais. Isso foi uma febre e contou com apoio das comunidades que acreditaram nas propostas.

No entanto, o objetivo principal foi invertido, e hoje o que presenciamos é que as guardas municipais tomaram outros rumos e houve um desvio de conduta. Na verdade, essas guardas, todas treinadas e comandadas por oficiais da reserva, passaram a ser uma extensão da polícia militar e acham que podem fazer de tudo, menos proteger o nosso patrimônio.

Ontem mesmo, o Blog do Sena noticiou protestos dos alunos do Colégio Milton Santos, na Patagônia, onde eles se posicionaram contra a atitude truculenta da guarda municipal na porta da escola, na última terça-feira (dia 16/05). Portanto cartazes, os estudantes reclamaram da forma como os guardas têm procedido nas abordagens.

Nesta terça-feira, dois menores de idade foram abordados pelos guardas de forma violenta e colocados no fundo de uma viatura (um tremendo absurdo). De acordo com manifestantes (citação do Blog), esses guardas chegaram a solicitar que os meninos tirassem a roupa (abuso de “autoridade”).

O relato é que a guarnição deixou o local por volta das 18h40min, mas só chegou ao Disep às 21 horas. O que eles fizeram com os menores durante todo esse tempo pela cidade? Será que levaram lá para a “Torre”, na Serra do Periperi, como eles têm feito com andarilhos e moradores de ruas quando fazem alguma arruaça?

Para completar a arbitrariedade, o blog informa que um idoso foi reclamar da violência e terminou sendo agredido com cassetete. Outras pessoas também que foram intervir receberam agressões verbais. Afinal, os que esses guardas pensam que são? Nem que fossem militares poderiam agir assim com tanta brutalidade contra jovens estudantes adolescentes e com nenhum cidadão.

Por que a guarda municipal, criada com intuito falso de proteger o patrimônio público, não é treinada e comandada por um civil preparado?  Obrigatoriamente tem que ser por um militar da reserva? A disciplina que recebem é militar. Nosso patrimônio continua sendo depredado como antes.

Esse desvio de conduta das guardas municipais não tem acontecido somente em Vitória da Conquista, mas em muitos outros municípios, inclusive daqui da nossa região, como no ocorrido ano passado em Itapetinga. Esse problema precisa ser revisto e corrigido urgentemente pelos prefeitos e prefeitas.

Em minha modesta opinião, foi mais um projeto político onde nosso dinheiro foi jogado fora, quando deveria ter sido investido em mais escolas, qualificação profissional dos professores e estruturação dos postos de saúde.

Enquanto guardas municipais fazem o papel de polícia, nossa educação e saúde estão caindo aos pedaços. Faltam escolas, transporte escolar decente, materiais de ensino, bem como médicos, enfermeiros e mais profissionais da saúde nos postos. Está tudo errado nesse nosso Brasil gigante.