De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Essa gente berra,

Se desespera,

Se angustia,

Um numa boa,

Outra se ferra,

Não dá mais liga,

Na roda do vai e fica.

 

Essa gente não cordial,

Quer mais folia;

Procura abrigo,

Na rede social,

Do falso amigo,

E a tragédia,

triste comédia,

Do desabrigo.

 

Tem gente que luta,

Outro se emberna,

Em sua caverna,

Na multidão que passa,

Apressada, cortando

A avenida e a praça,

E pouco se escuta,

O gemido da fome e do frio;

Prefere cair atrás do trio,

De um povo no cio.

 

Essa gente sofre,

Do Nordeste ao Norte,

Na busca da sorte.

Um nasce e outro morre,

Mas quem importa,

Se só se pensa

Em arrombar outra porta!

 

Essa gente se revolta,

Uns pro mal,

Outros pelo bem,

No vai e vem,

Do circo e da festa,

Que pouco interessa.

 

Essa gente,

Que quer ser gente,

É dominada pelo agente,

Que impede,

De ser gente,

De livre mente,

De todo dia,

Na tristeza e na alegria.

 

Essa gente aflita,

Que nem mais grita,

Maldita e bendita,

Na luz e na escuridão,

Vivendo na escravidão.