Essa situação polêmica entre os índios ianomâmis e os garimpeiros, em Roraima, já vem de muitos anos, inclusive nos governos do PT, mas chegou-se ao um ponto caótico com o capitão-presidente Bozó que intencionava exterminar de vez esse povo originário da Amazônia.

É mais um massacre e uma catástrofe anunciados, como tantos outros no Brasil, o mesmo que acontece com as invasões irregulares de construções de casas, prédios e casebres nos morros das grandes cidades, que desabam quando batem as fortes chuvas.

Tudo poderia ter sido evitado se as autoridades governamentais tomassem providências antecipadas em termos de disciplina e fiscalização, para impedir as irregularidades.  No entanto, as coisas vão tomando proporções que fogem do controle e aí vem a violência aplicada na base do ferro e do fogo.

No caso dos garimpeiros em terras ianomâmis não é muito diferente. Eles foram entrando e avançando com o tempo, contaminando o meio-ambiente e até atraindo tribos que consentiram e participaram também da garimpagem ilegal.

Não há dúvida que ali houve um lento genocídio contra os índios que não compactuaram com os invasores. O problema foi criado há anos, mas não se pode resolver a questão de uma hora para outra com a força bruta de uma retirada desastrada dos garimpeiros que estão fugindo atordoados para outras áreas. Todos são brasileiros.

Da forma como está sendo feito, vai-se criar outra frente social crítica, não somente com a disseminação de doenças, mas violências, roubos, tráfico e outros ilícitos e delitos em razão da ausência de uma ocupação de trabalho.

Não estou aqui defendendo a ação dos garimpeiros, mas eles também são vítimas de administrações que fizeram vistas grosas para o que vinha ocorrendo há tempos na Amazônia. Por que não se criar extrações de minérios disciplinados sob uma fiscalização rígido do governo, de modo que haja uma exploração sustentável e de convívio com os nativos?

Mais uma vez, não estou sendo advogado do diabo, mas todos sabem que grandes empresas estão lá há anos com suas máquinas destruindo as florestas, a fauna, a flora e envenenando rios. Tudo não passa de uma demonstração de força impensada que pode gerar outro caos social em cima de um marketing político.

Todos esses conflitos, essa tragédia de mortes por doenças e desnutrição dos índios poderiam ter sido evitados lá na frente. O que houve no governo do capitão foi um genocídio premeditado, mas entendo que poderá haver outra saída pensada e planejada de forma que uma tragédia resolvida sirva para constituir outra ainda pior.