O DIA DA ÁRVORE DEVERIA SER DE PROTESTOS E NÃO DE COMEMORAÇÕES
Nada tenho nada contra o samba, a baiana do acarajé, as passeatas LGBT, as marchas por Jesus, da Consciência Negra e outras celebrações que enchem ruas, avenidas e praças das grandes cidades de multidões. Tudo em defesa de uma causa, inclusive religiosa, ideológica e da igualdade racial. No Brasil temos dia para tudo que se possa imaginar, a maioria nem é lembrado.
No entanto, o Dia da Árvore – 21 de setembro, véspera da primavera (não existem estações definidas nesse Brasil de regiões totalmente diferentes) – decretado por quem não sei e o que motivou, poucas comemorações são realizadas, a não ser em algumas escolinhas e fleches relâmpagos da mídia.
Sabemos que não temos muita coisa para se comemorar quando já nos sentimos inertes e impotentes com as derrubadas e queimadas das florestas. Infelizmente, até consideramos os incêndios, com suas labaredas de fogo, como fatos normais e corriqueiros.
As chamas que destroem nossos biomas têm tempos mais certos e fixos que as estações do ano. Em nosso país, o verão, o inverno, a primavera e o outono se confundem, dependendo de cada lugar. Acho até engraçado e hilário quando anunciam que a primavera vai chegar no dia 22 de setembro, com hora, minutos e segundos.
Com meus botões, fico comigo a pensar: Como essa primavera é pontual, justamente num país dos atrasos em todos sentidos, principalmente quando se trata de encontros marcados! No Nordeste, por exemplo, as estações são indefinidas. Acho que não sou um sujeito bem-humorado, mas ranzinza, reclamão e crítico.
Peço desculpas porque terminei desviando do assunto que é o Dia da Árvore. Sou assim mesmo. Vez por outro me pego viajando nas nuvens, ou em outro espaço sideral. Uma coisa vai puxando outra, e aí, lá estou eu fugindo do tema. Pode ser a mania de misturar alhos com bugalhos.
Com os pés fixos no planeta terra, queria apenas afirmar que o Dia da Árvore poderia ser de protestos, manifestações e movimentos de todas as classes, em forma de contestação contra as agressões praticadas pelo ser humano contra o meio ambiente. Quando se fala em árvore vem logo em nossa cabeça as matas que ainda sobraram e os descampados sem cobertura vegetal.
Essas imagens me fazem, por exemplo, entrar no túnel do tempo da história de Vitória da Conquista, quando se descrevia que até no final do século XIX e início do XX, a Serra do Periperi era toda coberta por uma mata com várias nascentes de água. Nela hoje só existe um pedaço de nome Mata do Poço Escuro.
Em torno de Conquista, tudo foi derrubado para se plantar café, mas estou apenas citando um caso no Brasil, que não é isolado e exclusivo. Em todas as outras partes ocorreu o mesmo. Mirem as margens dos nossos rios, como o “Velho Chico”! A maioria não tem mais árvores em torno de seus leitos, por isso que se tornaram temporários.
Ao me referir de que o sertão vai virar deserto, e não mar, como profetizou o beato, em um de meus versos falo que naquela serra não existe mais mata. Sem essa de que o sertão vai virar mar. Isso já aconteceu há milhões de anos. Então, o Dia da Árvore deveria ser de protestos e muita gente com a bandeira em defesa da natureza.











