PARADO NA ESQUINA
Mais uma produção poética social do jornalista Jeremias Macário
Ei, seu cabra suspeito!
O que está a pensar,
Aqui parado,
Neste poste da esquina,
Com esse jeito,
De quem vai roubar?
Seu polícia,
Meu nome é fome,
Que não me deixa raciocinar.
Só estou assuntando,
Essa sociedade assassina,
Metida a grãnfina,
Que concentra toda riqueza,
Pra gerar nossa pobreza.
É, seu preto meliante!
Com esta cara de traficante,
Se vire pra uma revista,
E “tege” preso,
Vagabundo subversivo,
Que nem deve estar vivo.
Seu soldado,
Só estou aqui parado,
Neste poste da esquina,
Esperando o carro do osso,
Pra pegar umas pelancas,
Fazer um angu,
Pra Zefa de Manu,
E minha criança menina.
Não passo de um cidadão,
Sem no bolso um tostão,
E o senhor, um cativo
Do capital patrão.
Está algemado e detido
Por desacato à autoridade,
Sem essa de liberdade,
Seu bandido atrevido.
Por ter reagido,
Jogaram o moço na viatura,
Nem passaram na delegacia,
Muita porrada e tortura,
Deram cabo do coitado,
Com tiros na travessia.











