Não é mais nenhuma novidade dizer que a cultura em nosso país, tachada de comunista pelo capitão-presidente e seus seguidores da morte, está sendo estraçalhada, mas ela resiste às forças do mal. Dentre as tantas linguagens artísticas, a literatura, representada pelo escritor, é a mais devastada de todas. O Dia Mundial do Escritor (13/10) passou em branco pela mídia e outros organismos.

Como na Idade Média, livros estão sendo destruídos e queimados nas fogueiras dos inquisidores vindos dos infernos. Para completar essa destruição por parte do atual governo, por incrível que pareça, a classe de escritor está sendo ultrajada e esquecida pela própria categoria que tudo deveria fazer para prestigiar o artista da escrita, o artesão da palavra e aquele que faz texto e literatura.

Não desmerecendo seu grande talento de intérprete da música popular brasileira, leio que a cantora Maria Betânia acaba de ser erguida ao Olimpo da Academia de Letras da Bahia. Não existe aqui em nosso Estado, ou no Brasil, um merecedor de tal honraria, que tenha uma obra aceitável? Será que o escritor também pode ganhar o prêmio Grammy de música algum dia, mesmo sem conhecer uma nota, como bem indagou Achel Tinôco, no Espaço Opinião do Leitor do “A Tarde”?

Há uns dois anos deram o Prêmio Nobel de Literatura ao cantor e compositor norte-americano Bob Dylan, que se recusou receber pessoalmente a grana de um milhão de dólares. Mais recente, a atriz Fernanda Montenegro tornou-se imortal da Academia Brasileira de Letras. Na época, teve gente que disse que ela foi agraciada pelo mérito de ter escrito aquela quantidade de cartas no filme Central do Brasil. Alguém pode ganhar um Oscar pelo filme em que não atuou?

Concordo com Achel quando afirma que os autores precisam de mais reconhecimento para desenvolver seus trabalhos, caso contrário haverá uma grande debandada de grandes artistas das letras para outras áreas. O escritor é aquele primo mais pobre dos pobres.

Quando se fala de arte, a classe de escritor é a menos lembrada, principalmente em situação difícil como nesse período da pandemia. Muitos entendem que somente a música, o teatro e a dança, por exemplo, precisam de ajuda dos poderes públicos. Praticamente deixam de fora de um auxílio o escritor que também ficou na penúria porque não pode lançar sua obra durante a pandemia.