Em 1989, no pós-ditadura, as eleições diretas para presidente contavam com 22 candidatos, vários de direita e esquerda, como Ulisses Guimarães, Mário Covas, Leonel Brizola, Fernando Collor de Mello e o próprio Luis Inácio Lula da Silva, um sindicalista em ascensão política.

Naquela época a inflação batia recordes de mais de 1000% ao ano e o país estava arrasado com José Sarney no governo em substituição a Tancredo Neves que havia falecido. Apareceu o Fernando Collor, de Alagoas, como um salvador da pátria e que se dizia caçador de marajás. Chamava o Sarney de maior batedor de carteira da história.

No final ficou o Collor e o Lula, que era chamado por Brizola de sapo barbudo. No debate Lula foi estraçalhado com ajuda da mídia, principalmente a Rede Globo que ajudou vir à tona um caso de escândalo familiar.

Em Alagoas, ele já tinha fatos condenáveis quando passou pela prefeitura de Maceió e pelo Governo do Estado. Ficou dois anos na presidência e sofreu o processo de impeachment por irregularidades, por atos de corrupção. Aquela eleição foi marcada mais pela emoção do que pela razão.

O tempo passou e veio 2018 quando, como numa repetição da história, o povo elegeu um deputado destrambelhado, expulso do exército, homofóbico, racista e negador da ciência. A eleição transcorreu num clima de ódio contra o PT de Lula. O negócio era varrer o partido do mapa quando havia outros candidatos a escolher.

Passados três anos, num esquema invertido, as pesquisas indicam a volta de Lula para impedir a reeleição do capitão, se bem que ainda tem muita água para passar por debaixo da ponte. Até lá a história pode se repetir com a polarização no segundo turno, e aí o Brasil vai se afundar de vez num poço sem fundo.

O capitão tem uma legião de fanáticos do tempo da Idade Média entre evangélicos, militares e conservadores que viviam trancados num armário como fantasmas que consideram o PT como satanás. No eleitorado tem uma percentagem de arrependidos (cerca de 30%) que não quer nenhum dos dois, mas não se sabe em que campo vai ficar.

O maior risco é essa persistência da polarização do ódio quando, a bem da nação, o PT de Lula poderia ceder para formar um governo de coalizão entre direita, centro e esquerda para eliminar a ultra extrema-direita, mas a vaidade e o poder falam mais alto. Estamos correndo o risco de mais quatro anos de destruição.

Vamos continuar prisioneiros dessa exaltação negativa e desse maniqueísmo que vão mais ainda nos empurrar para o retrocesso? Onde está o senso crítico na escolha de um candidato que, pelo menos, pense nas prioridades nacionais; que tenha capacidade de liderança; e promova o entendimento no exercício do poder?

Quando a história sempre se repete e se comete os mesmos erros, é porque temos um povo sem memória, sem sabedoria, sem lógica, sem consciência política, iletrado e que se deixa guiar pela emoção. Como se diz no popular, estamos num beco sem saída, ou no mato sem cachorro.