Poema de autoria do jornalista Jeremias Macário

Estamos embarcando,

Rumo à última estação,

Numa viagem sem volta,

Na troca do ser pelo ter,

No insano guloso consumo,

No viço do cio pelo insumo,

E ninguém quer saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

 

Vai o sol e vem o escuro;

O vento tufão gira mundo;

As florestas viram monturo;

Os mares lixeiras atômicas;

Megalônicas cidades da fome,

Das covas zumbi e o lobisomem,

E ninguém que saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

 

Nascentes morrem nas cabeceiras;

Derretem dos polares as geleiras;

Desaparecem o urso e o salmão;

Das águas os monstros tsunamis;

Rios cimentados estouram canais,

E a selva de pedra vira um caos,

No calor de mais de 60 graus,

E ninguém que saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

 

Tem gente que não acredita,

Nos sinais do aquecimento global;

E cada um aumenta as chaminés;

Mentem nas mesas do clima,

Com mais gases e torpedos no ar;

Adoram seus deuses como Ramsés,

Que não passam de estátuas do mal,

E ninguém quer aprender a lição

Prefere ter mais armas na mão.