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:: 20/mar/2020 . 11:07

PARADEIRO

Está um paradeiro danado, não é João? Enquanto o cliente não aparece, a saída é a leitura como bom  passatempo nesses tempos onde as pessoas exercitam mais o corpo que a mente. Talvez por isso estejam mais doentes e entram em pânico como neste momento da pandemia do coronavírus e dos noticiários pandemônicos jornalísticos. É bom se prevenir das fake news que andam soltas por ai. Pena que as redes sociais viraram uma praga, e a tecnologia do celular tornou o mundo mais imbecil. Poucos hoje se dão à leitura de livros, revistas e jornais, se tornando uma massa de alienados, que acha que está bem informada e sabe tudo, quando nada sabe. Vamos ler e cuidar mais da saúde mental para tornar o corpo mais sadio e sair desse paradeiro. Um flagrante saída das lentes do jornalista Jeremias Macário, na Praça Barão do Rio Branco. A leitura pode acabar com esse paradeiro mental.

NINGUÉM QUER SABER DA LIÇÃO

Nova versão do poema, de autoria do jornalista Jeremias Macário, que fala do aquecimento global e a consequente destruição do nosso planeta

O inverno frio virou verão;

Foi-se outono e a primavera,

E o Beato do sertão virou mar,

Na profecia do mar em sertão,

Da terra mina lunar de cratera,

Pela alma vil humana profana

Do templo da nossa casa divina,

E ninguém quer saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

 

Nessas viagens messiânicas,

Da troca tirana do ser pelo ter,

No insano guloso do consumo,

Da produção por mais insumo,

Vem a tormenta ranger de dentes,

E não vingam mais as sementes,

Nesse solo de placas tectônicas,

E ninguém quer saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

 

No calor do aquecimento global,

Depois das falsas mesas do clima,

O capital aumenta suas chaminés,

E vem o escuro tufão gira mundo;

Larvas vulcânicas viram monturo;

Mares lixeiras tóxicas e atômicas;

Derrubam florestas, nasce a fome;

Some a natura no óleo do convés,

E ninguém que saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

 

Nascentes morrem nas cabeceiras;

Derretem dos polares as geleiras;

Desaparecem o urso e o salmão;

Das águas monstros de tsunamis;

Rios cimentados estouram canais,

E a selva de pedra derrete em caos,

Na fornalha de mais de 70 graus:

Tudo está escrito nos antigos anais,

E ninguém que saber da lição,

Prefere ter mais armas na mão.

A PANDEMIA JORNALÍSTICA E O MEIO AMBIENTE NUM PLANETA DESGASTADO

O OUTRO LADO DA HISTÓRIA DE UMA DESPOLUIÇÃO FORÇADA DA NATUREZA

Não há dúvida de que a situação da propagação do coronavírus, o Covid-19, no planeta já desgastado por doenças e desastres da natureza, provocados pela intervenção predatória humana, é muita séria e requer cuidados. No entanto, houve, desde o início, uma pandemia no noticiário jornalístico que criou pânico e histeria na população, com informações desencontradas e muitas outras que nem foram esclarecidas.

Na história da humanidade já ocorreram várias pandemias de vírus, pestes e doenças, como a bubônica no século XVIII e a gripe espanhola, em 1918, mas esta é devastadora e está fazendo a terra parar, como na música “No Dia Em Que a Terra Parou”, do místico compositor baiano Raul Seixas. A mídia tem o papel de fazer sua parte na divulgação, mas não sensacionalismo exagerados, na grande maioria, matérias demasiadamente repetitivas ao longo do dia.

As medidas de confinamentos e os decretos, muitos dos quais desastrosos, de fechamento de repartições, portos, aeroportos, rodoviárias, serviços de alimentação (bares e restaurantes), hotéis e de outras atividades batem em cadeias em nossas portas, e não se sabe aonde vamos chegar nos próximos dias. Por que não cancelaram o carnaval? Hipocrisia e falta de moral! A maioria individualista só pensa em abastecer suas dispensas. Tudo parece um apocalipse de final de mundo.

O MEIO AMBIENTE AGRADECE

De forma desordenada e abrupta, prefeitos e governadores tomam suas posições de fechamento de suas fronteiras e criam as mais diversas barreiras. Nessa histeria de paralisações, multidões, até poucos dias como formigueiros, estão deixando de circular e, consequentemente, emitindo menos gases tóxicos poluidores no ar, causando menos impacto ao meio ambiente, o maior beneficiário nessa catástrofe.

Nesse momento tão difícil, muita gente pode até achar irônica esta reflexão, mas o meio ambiente agradece em não estar recebendo tantas sujeiras, plásticos e outros bagulhos advindos do consumismo supérfluo. O certo é que está havendo uma despoluição forçada do planeta, com milhões de pessoas fora de circulação.

Esse é o outro lado da história, hoje focada quase que cem por cento no coronavírus, num país em desespero e sem estruturas para combater, controlar e atender às pessoas contaminadas. Sem recursos suficientes para testar e hospitalizar o contingente que cresce de infectados, os pobres, principalmente os idosos, serão as maiores vítimas dessa pandemia, como sempre acontece em ocasiões de tragédias e até mesmo através do aquecimento global. Vão confinar os idosos em campos de concentração?

Até quando a economia brasileira, já fragilizada, vai aguentar esse tranco de fechar os meios de produção e serviços? Como vai se sustentar com a abrupta queda na arrecadação, inclusive diante da necessidade premente de acudir a saúde com volumosos recursos? Não se sabe o que pode ocorrer nos próximos dias e até meses, como se comenta.

Como cidadão comum, queria aproveitar a oportunidade para fazer algumas considerações e indagações, e também expressar minha revolta com a atitude criminosa do capitão-presidente, que virou um simples fantoche no Quartel General do Planalto. Mesmo suspeito, num gesto irresponsável, se misturou aos seus amarelinhos correligionários (convocados por ele) na frente do Planalto.

Não dá para entender como ele foi o único a acusar negativo no teste do Covid-19 entre a comitiva infectada quando retornou dos Estados Unidos. Não se sabe muito bem os motivos dessa viagem à terra do Tio Sam (a mídia não explicou), quando o vírus já havia se alastrado na maioria dos países. Como um presidente diz ser um problema só dele em estar, ou não com o vírus? Em resposta, recebeu os panelaços da mesma classe que bateu para Dilma Rousselff.

MANIPULAÇÃO CIENTÍFICA?

Todos sabem que o coronavírus começou na China, mas até hoje não explicaram a sua verdadeira origem. Pode ter sido resultado de uma manipulação, ou experimento científico num laboratório onde alguma coisa deu errada e o “bicho” ganhou mundo através do pesquisador? Como ele surgiu? Ainda é um mistério a ser desvendado, mas a mídia não investiga esse outro lado. A verdade é que, por muito tempo, o governo chinês escondeu sua existência.

Por que até agora nada se fala da sua possível propagação nos países africanos? Essas nações não foram atingidas? Quanto à nossa realidade de país pobre e doente, não se vê mais notícias sobre os avanços da dengue, da chicunkuhya, da zica e de outras enfermidades. Não se mostra mais a precariedade dos hospitais públicos, e se algum deles está fazendo tratamento de algum doente da Covid-19. Os ricos e poderosos estão indo para o Sírio Libanês e para os particulares.

Todos os dias se vê, incansavelmente, as imagens televisivas (muitas distorcidas) de máscaras e o lavar de mãos com álcool e gel. Depois do lavar de mãos com todo aquele ritual, as pessoas não pegam mais em nada? Ficam imóveis? Qual a validade de tempo do produto para evitar a infecção. Vamos ter que passar o dia todo lavando as mãos? E o tempo de uso da máscara? Os governos vão ter que desinfetar, diariamente, todas as cidades brasileiras, o que é impossível.

Álcool e gel são as palavras mais usadas nessa avalanche de reportagens, e aí os oportunistas gananciosos desgraçados (acham que nunca vão morrer) aproveitam para estocar o produto e aumentar, assustadoramente, os preços para 30 e até 50 reais, inclusive numa máscara que custava cerca de cinco reais por unidade nas farmácias.

Infelizmente, a pandemia também serve para mostrar o lado cultural do colonizador nos termos estrangeirados, quando se podia muito bem se expressar em português, como o tal trabalho em casa, ao invés do “home office”, como se fosse mais elegante. Renegamos a nossa cultura para incorporar a do colonizador, e tome termos inglesados.

 

 





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