EXTREMA UNÇÃO
Do livro do médico Ernane Gusmão, intitulado “Jiboeirices –Aspectos Sociológicos e Folclóricos do Sudoeste Baiano”.
Conta ele que entre os anos de 1955/58 Edvaldo Flores era então prefeito de Vitória da Conquista na época do padre Luiz Soares Palmeira, de espírito irrequieto, sempre da oposição.
Num certo dia amanhece estirado na Praça Sá Barreto, defronte do seu ginásio do mesmo nome, o cadáver de um jumento. Passaram horas e nada da prefeitura ordenar o reboque do defunto já em rigidez cadavérica e com os urubus em revoada ao seu redor.
O padre não se conteve e despachou um bilhete atrevido:
Senhor prefeito, comunico que o jegue moribundo da prefeitura está esticado em frente ao ginásio. Fineza providenciar imediata remoção, antes que os urubus o transformem em banquete municipal.
E o prefeito, com uma pitada de picardia respondeu:
Senhor padre, a remoção será feita, às expensas da prefeitura. Fineza providenciar a extrema unção.
TROPEÇO GRAMATICAL
Também do livro “Jiboeirices”: Jiboeiro tomou a palavra em concorrida sessão literária, realizada em Vitória da Conquista, e “tacou” um enorme e entusiasmado discurso sobre a plateia, atropelando o vernáculo de todo jeito. Ao recolher-se à sua condição de mero ouvinte, da qual nunca devera ter saído, foi duramente criticado pelos erros de concordância e outros atritos com a gramática.
Não se fez de rogado, pediu um aparte, voltou à tribuna e desafiou:
Qualquer “membro” ou “membra” dessa associação, que quiser tomar umas lições de português, é só procurar-me no endereço tal.
VEREADORES RURAIS
Vivaldo Mendes, pecuarista tradicional e patriarca ao seu modo, também teve suas andanças na política regional.
Íris Silveira, boêmio e dotado de grande inteligência, fiscal de rendas, poeta e prosador também se deixou picar pela mosca azul das lidas partidárias.
Pelos idos de 60 os dois se defrontaram na Câmara Municipal de Vitória da Conquista.
Íris, gozador, não perdeu a oportunidade de alfinetar quando Vivaldo, do alto da tribuna, com seu vozeirão verberava contra o prefeito que não cuidava das praças, das flores, das gramas dos jardins, deixando tudo à toa como se fossem mangueiros de fazendas.
Um aparte, tem muita razão o nosso vereador “Capim” porque “terra das flores” não merece esse descaso.
Obrigado, nobre colega… faz muito bem o vereador “Bezerro apoiar a minha moção, mesmo porque…
Antes que Vivaldo completasse a resposta, outro vereador adversário seu, intrigado com a troca de gentilezas, pediu um aparte;
Nobre colega, vereador “Capim”, dá para entender um edil mais preocupado com as gramas e jardins do que com os grandes problemas da cidade… mas…vereador “Bezerro”… lastimo a falta de sensibilidade.
Obrigado, colega, pela oportunidade da explicação. Como vocês todos sabem, o colega Íris, além de vereador é fiscal de rendas, passa a vida mamando no estado e… quem vive mamando… é Bezerro!











