:: 23/jun/2016 . 0:43
“O AMIGO DA ONÇA” E A VERDADE
Causou-me espanto a cena de uma onça acorrentada por soldados do exército ao lado da tocha olímpica que continua a desfilar pelo Brasil a fora torrando nosso dinheiro. O quadro remete a duas cenas, uma moderna e outra primitiva em que o homem bruto faz questão de mostrar sua superioridade sobre os animais.
Lembra também a Roma antiga dos circos onde os césares imperadores mandavam soltar tigres na arena do Coliseu para lutarem contra os gladiadores como meio de distração do povo. As lentes fotográficas e as câmaras das emissoras agradecem as belas imagens produzidas através do encantado cenário bucólico da floresta amazônica.
FOTO REPRODUÇÃO
Tem o adágio popular do “amigo da onça” quando uma pessoa se refere a outrem dito “amigo” que lhe colocou em embaraços e o deixou em maus lençóis frente a uma situação difícil. É como um passe ruim que um jogador de futebol dá para seu companheiro de time.
Literalmente neste caso o exército foi o “amigo” que ferrou de morte a própria onça ao expor a fera a constrangimentos numa clara traição da sua confiança. Para o reino animal, a corporação militar se portou como “amigo do homem” que terminou por tirar a vida da onça depois do seu uso indevido.
Gostaria de saber o quê a onça estava fazendo ali ao lado daquela tocha cercada de gente falando baboseiras com os clichês de sempre sobre cidadania e pátria? Tenho certeza que o animal estava com a mesma indagação interior. “O quê estou mesmo fazendo aqui, gente? Não tenho nada a ver com a festa de vocês. Estou cansada e ainda acorrentada, sendo obrigada a aturar toda esta babaquice”!
JIBOEIRICES – ASPECTOS SOCIOLÓGICOS E FOLCLÓRICOS DO SUDOESTE BAIANO
Com uma impressão de qualidade e bom para se ler pela sua linguagem simples e acessível, o livro “Jiboeirices-Aspectos Sociológicos e Folclóricos do Sudoeste Baiano”, do médico Ernane N.A. Gusmão, lançado recentemente em Vitória da Conquista, merece uma correção atualizada quanto ao Pico das Almas (Rio de Contas) com 1850 metros, citado como o ponto mais alto da Bahia.
Pelos novos estudos geográficos, a serra do Barbado, em Piatã, passou a ser o maior relevo do estado. Como sacis escondidos numa imensa floresta que sempre estão a nos enganar, assim são as palavras que escapam à revisão ortográfica numa obra literária e aparecem quando bem entendem, sempre depois de impressa para o leitor.
No mais, Ernane, nascido em Pedra Azul (MG), mas filho de jiboeiros da gema, da Jiboia da Serra do Maçal (Mundo Novo), mesmo se arriscando em divulgar em seu trabalho números e dados estatísticos dos aspectos geográficos e demográficos que naturalmente com o tempo ficam desatualizados, situa muito bem o leitor dentro da região sudoeste onde Vitória da Conquista é o polo de desenvolvimento.
Poderia ter sido mais sucinto na sua contextualização sudoestina ao descrever sobre os jiboeiros e as jiboeirices, matérias-primas da sua obra, mas preferiu, com todo seu perfeccionismo, alargar os conhecimentos entrando em detalhes sobre a formação, origens e toda história de uma região, se bem que muitos costumes, hábitos e denominações não são apenas específicos do sudoeste.
O autor procurou penetrar com profundidade no Sertão da Ressaca para localizar a nação jiboeira com suas peculiaridades a partir de Vitória da Conquista, situada a 940 metros do nível do mar. Em “Aspectos Geográficos” ele cita cidades e microrregiões de altitudes diferentes, como Jequié com 216 metros, que fazem parte do sudoeste. Já no Planalto da Conquista, as altitudes variam de 700 a mil metros.
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