:: jul/2016
O PONTO DA QUESTÃO
AS TRAPALHADAS OLÍMPICAS
Como se constrói um conjunto de prédios de apartamentos para receber delegações estrangeiras e antes da ocupação não se faz uma vistoria nas unidades? Como empresas contratam encanadores, eletricistas e outros profissionais da área para fazerem reparos nos imóveis sem carteira assinada? Como um prefeito faz piada de canguru com a equipe de atletas da Austrália? Como as construtoras tentam justificar os erros dizendo que se tratava de uma obra grandiosa? Ora, não sabiam disso antes?
Tudo isso, meu camarada, sempre foi comum no Brasil que entrega conjunto habitacional para os pobres sem serviços de saneamento básico, sem energia, sem nenhuma urbanização, pedaços dos tetos caiando e rachaduras nas paredes. No caso da Vila Olímpica (que vergonha!) são as primeiras trapalhadas do evento internacional que nem ainda começou. Dessa moita ainda vai sair muito coelho assustado, ou cangurus!
EXCLUSÃO TOTAL
No Hospital Couto Maia, no Rio de Janeiro, construíram três leitos tipo suítes de UTIs luxuosos com todos os equipamentos modernos, só para autoridades e delegações das Olimpíadas. A mídia soube por que o Ministério Público botou a boca no trombone, exigindo que os leitos também sejam abertos ao público, o que é de direito. Na entrada dos apartamentos colocaram até tapumes para ninguém, ver os apartamentos. Isso é que é exclusão social total para ninguém botar defeito!
TUDO MUITO QUIETO!
A grande maioria dos manifestantes que foram às ruas apoiar o impeachment da presidente Dilma não tinha consciência de como era o processo; não sabia que o Michel Temer, o mordomo de…, assumiria a vaga como interino; e achava que logo seria solucionada a crise econômica, política e moral do país. Tudo continua de mal a pior, inclusive com uma pauta conservadora de governo, mas o inquietante é que está tudo muito quieto como um monstro adormecido. O luxo é que temos dois presidentes de plantão.
Um impeachment é como um terremoto de grande escala. Nas primeiras oscilações é um horror com mortes e destruição de casas, edifícios e equipamentos. Depois batem outras vibrações menores do tipo acomodação das placas tectônicas dos blocos rochosos. Aí segue uma calmaria, mas a área continua de risco, propenso a outros terremotos. Nosso maior terremoto é a corrupção e o poder a qualquer custo. O monstro dorme, mas pode acordar a qualquer hora!
BONS GESTORES
QUEM CANTA E DANÇA SEUS MALES ESPANTA
Sérgio Fonseca
Em Vitória da Conquista, no ano passado, o Grupo de Cantoterapia Vidativa completou dez anos . Esse grupo da 3ª. Idade faz parte do Projeto – Música: Linguagem da Emoção, da Pró-reitoria de Extensão- PROEX, da UESB-Universidade Estadual do Oeste da Bahia. Desde o seu início tem sido administrado pela Profa. Dra.Virgínia Mendes Oliveira. No fim de 2015, alegando problemas de verbas, a UESB cancelou esse projeto, não mais cedendo a sala destinada aos ensaios e demitindo o organista que animava as reuniões desse grupo. A média da frequência era de cerca de 40 participantes por reunião.
Inconformados com essa atitude, os próprios participantes conseguiram a cessão gratuita de uma sala, uma vez por semana, no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima. Todos os participantes se cotizaram para pagar, mensalmente, o salário do organista. E o programa vem se perpetuando, sem perda de participantes.
Ao longo desses anos, as vivências musicais se desenvolveram com os seguintes objetivos: a) promover o resgate sócio—cultural de cantos e danças ameaçados de caírem em desuso; b) a auto-estima pelo desenvolvimento de cantos e danças; c) a integração/participação através do contato amiudado e participativo ao longo dos anos que acabou transformando o Grupo Vidativa numa grande família, inclusive com encontros externos, passeios, reuniões, além das sessões musicais.
Ao longo do tempo, ocorreu a sensibilização d vários participantes para as delícias da música e da dança na 3ª. Idade. Para alguns deles, tanto a música como a dança tem servido de equilíbrio emocional.
O Grupo Vidativa tem feito, inclusive, apresentações públicas para a socialização, tanto em Vitória da Conquista como em outras localidades vizinhas. Ainda muito importante é o resgate de canções e brincadeiras “do tempo da vovó”, notadamente cantigas de roda, quase esquecidas hoje em dia.
No Grupo, predominam as mulheres (cerca de 80%)e elas são unânimes em achar que cantar, para elas, tem sido uma terapia. Além de melhorar o astral, cantar é um eficiente exercício para quem precisa espantar a angústia, a ansiedade e a timidez.
A cantoterapia é uma técnica que usa o canto para aliviar o estresse. Especialistas garantem que a prática faz a pessoa se conhecer melhor. Vale tudo: cantarolar com os amigos, cantar sozinho, no chuveiro ou no caminho para casa .
No Grupo Vidativa, há participantes de todos os credos e das mais diversas classes sociais e orientações religiosas, todos convivendo harmoniosamente. Para muitos, a frequência ao Grupo ajudou as quebrar sua solidão, trouxe novas amizades e novos interesses, mostrando que a 3ª. Idade , através da música e da dança pode ser muito divertida e uma fonte de prazer constante.
Platão (429 A.C.- 347 A.C.) em “A República” preconiza que a educação dos jovens comece na infância, somente com música e ginástica. “ A ginástica porque preside ao crescimento e decadência do corpo”. A música, “pela influência do hábito, pela harmonia, tornando-os harmoniosos, pelo ritmo, tornando-os rítmicos” e a função da música, segundo Platão é desenvolver as sensibilidades estéticas e morais.
O filósofo francês Jean Jacques Rousseau (1671-1778) ao ingressar na 3ª.Idade, definiu felicidade como “um bom saldo bancário, uma boa cozinheira e uma boa digestão” Este cronista acrescentaria hoje, na lista de Rousseau, a participação em um Grupo da 3ª. Idade, dinâmico, entusiasmado e harmonioso, como é o Grupo Vidativa.
UM TIME DE TERCEIRA NA PRIMEIRA
Alô, alô tricolores das Laranjeiras, saudações! É triste dizer isso, mas nosso querido Fluminense (Alô meu amigo Carlos Gonzalez!), do jeito que vem jogando, sem cor, é um time de terceira na primeira divisão. Ganhou ontem (dia 27/07) por 2 x 0 contra o Ipiranga (série C) do interior do Rio Grande do Sul, mas não convenceu. Permanece cambaleando no gramado.
Desde o início do Campeonato Brasileiro, com apenas 21 pontos e muitos empates, o time tem sido apático, com uma defesa insegura, um meio de campo que não marca e não sabe distribuir a bola. O ataque é morno e pachorrento que não oferece perigo a nenhum adversário.
Como vem jogando, o Fluminense que já foi gigante e deu tantas glórias aos torcedores, vai terminar sendo rebaixado se os jogadores não tomarem vergonha na cara. Com esta equipe lenta que não está nem ai para suar a camisa, bem que merece ser rebaixado. A impressão que me vem, lembrando o saudoso Nelson Rodrigues, é que o Fluminense incorporou o “complexo de vira-lata”.
A diretoria e a comissão técnica têm que tomar providências, senão vai ser um vexame daqui pra frente. Além do mais, foram contratados ilustres desconhecidos como um Henrique “Dourado” que está mais pra “Ferro Enferrujado”.
A opção, por incrível que pareça, tem sido colocar o “vovô” Magno Alves no segundo tempo, sem nenhum preconceito contra os vovôs. Muito pelo contrário, merecem todo meu respeito. O “Gum” só sabe entortar a defesa e deixar os buracos para os adversários. Só salva o goleiro Cavalieri. Meia metade pode ser dispensada.
A única coisa que este time de terceira do Fluminense faz muito no campo é maltratar a pobre coitada da bola, com passes errados, chutes tortos e para o alto. Bem que o técnico Levi Cupi poderia passar o dia treinando passes. A equipe não tem um líder para comandar os jogos e empurrar o time pra frente, nem um batedor de faltas e cabeceador.
CONSUMIDORES DE EMBALAGENS E ENLATADOS
As cartilhas de bem estar dos programas televisivos e dos organismos de saúde recomendam e ensinam ar puro e alimentos saudáveis para longa vida. Com tanta poluição de gases venenosos no ar e aplicação indiscriminada e proibida de agrotóxicos nas lavouras, caso específico do Brasil, será mesmo que existem estes produtos limpos, ou tudo não passa de mais uma tremenda enganação para nos sentirmos mais felizes?
Dia desses estava lendo uma entrevista do criador da macrobiótica no Brasil, Tomio Kikuchi, e ele dizia que tudo é feito para estimular a imaginação e aumentar o desejo. As embalagens são atraentes e os produtos bonitos. Então conclui, comigo mesmo, que não passamos de consumidores de embalagens, de plásticos agressivos e agrotóxicos.
Tomio reforçava ainda que tudo é feito apenas com o interesse de vender, de lucrar, e detonava de vez a ideia do equilíbrio saudável quando lançou seu olhar acusatório de que as prateleiras dos supermercados estão cheias de veneno. As belas imagens dos enlatados são elaboradas para camuflar os conservantes lá dentro e conquistar paladares.
Como o ar puro que nos iludimos ter quando caminhamos numa avenida cercada de árvores ou numa orla marítima, assim são os rótulos de light e diet. Podem não conter glúten e outros itens alérgicos à saúde do indivíduo, mas as caveirinhas dos conservantes estão lá invisíveis aos olhos que leem aquelas letrinhas miúdas dos rótulos. Bem que elas poderiam ser expostas visivelmente como fazem nos cigarros!
O veneno não está somente nas prateleiras dos supermercados, senhor Tomio! Está também nas granjas e nos abatedouros clandestinos de aves e animais que a vigilância sanitária faz de conta que fiscaliza, com o tal limite de tolerância e vistas grossas.
Está nos restaurantes que não mostram suas cozinhas para os clientes, senão ficariam vazios. Está nos propenos e polipropilenos que consumimos no dia a dia. Está também nos carros e barraquinhas atraentes de comidas de ruas e praças “cercadas de verde”.
“O PORTUGUÊS QUE NOS PARIU”
Em tom bem-humorado e com uma linguagem coloquial, clara e simples, a escritora Angela Dutra de Menezes, autora dos romances “A Tecelã de Sonhos” e “Santa Sofia” resgata a epopeia portuguesa na navegação no livro “O Português Que Nos Pariu”, em edição de 2010 revista, atualizada e ampliada pela Editora Record.
A escritora enaltece o espírito aventureiro do português que com sua arte de navegar conquistou oceanos na procura de novos mercados, alimentos e ouro, visando a expansão da Coroa. A conquista de Ceuta, em 1415, foi o pontapé inicial. Depois veio Madeira e Açores. Tudo isso se deveu ao infante D. Henrique (1394-1460) que fundou a Escola de Sagres.
No reinado de D. João II, o Injustiçado (1455 – 1495), após 53 anos de tentativas, Bartolomeu Dias dobrou o cabo da Boa Esperança. Foi D. João II quem dirigiu a política das navegações e assinou o Tratado de Tordesilhas. No seu reinado, ainda negociou com Cristóvão Colombo e organizou a expedição de Vasco da Gama, navegando até as Índias.
Quem aproveitou os frutos do trabalho de D. João II foi o venturoso D. Manuel a quem coube entregar a missão do “achado” do Brasil ao seu amigo de juventude, o fidalgo Pedro Alves Cabral, ou Gouveia, mesmo sem experiência náutica. Do rio Tejo ele partiu em 9 de março de 1500 com 1.200 homens e 13 embarcações com destino a Calecute, Índia. Na verdade era a Vasco da Gama a quem o rei pretendia entregar a esquadra.
A obra é cheia de curiosidades e revelações de fatos históricos que se tornaram mitos como a tradução sobre as cores da bandeira nacional brasileira que o amarelo representa o ouro das nossas terras e o verde as florestas. Na verdade, o verde é a cor dos Bragança, dinastia quer nasceu na batalha de Aljubarrota e reinou no Brasil até 1889. O amarelo da família real dos Habsburgo, da qual pertencia dona Leopoldina, primeira mulher de D. Pedro I.
A escritora engrandece os feitos portugueses, principalmente entre final dos séculos XV e início do XVI, inclusive com o “achamento” do Brasil há 516 anos. Para ela, Cristóvão Colombo chegou à América graças a Portugal que entregou o quadrante, o astrolábio e os mapas com os conhecimentos náuticos, desde 1200.
O LEGADO DOS JOGOS RIO 2016
Carlos González – jornalista
Os australianos foram os primeiros a denunciar as más condições de moradia temporária das instalações da Vila Olímpica, que vai receber cerca de 12.500 atletas de 206 países, participantes dos XXXI Jogos Olímpicos da Era Moderna, marcados para o período de 5 a 21 de agosto, no Rio de Janeiro.
A delegação do país da Oceania deixou nesse início de semana os apartamentos que lhe foram destinados, reclamando, com repercussão no exterior, de vazamentos nas paredes, fios descobertos, vasos sanitários quebrados. O brado de alerta de Kitty Chiller, chefe da comitiva, chegou aos ouvidos dos dirigentes do Comitê Olímpico Internacional (COI), que, imediatamente, passaram um “pito” nos organizadores do evento esportivo.
Os brasileiros estão passando por uma vergonha anunciada desde o dia 2 de agosto de 2009, quando, em Copenhague, na Dinamarca, 66 votos dados por um total de 98 delegados do COI, escolheram o Rio de Janeiro para sediar os Jogos de 2016. Os brasileiros presentes, entre eles, o presidente Lula, o ministro dos Esportes Orlando Silva, o governador fluminense Sérgio Cabral, o prefeito do Rio Eduardo Paes e o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) Arthur Nuzman, comemoram efusivamente a indicação.
A pergunta que se faz agora é a seguinte: será que as nossas autoridades governamentais e esportivas não sabiam do risco em que estavam colocando o país, e, principalmente, a cidade-sede dos Jogos, em termos econômicos, políticos e sociais? Será que não olharam para o passado e constataram que os países que receberam o maior evento esportivo do mundo pagaram com sacrifício de sua população os erros que cometeram?
O PONTO DA QUESTÃO
“A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes” – Winston Churchill, estadista inglês.
REDUÇÃO DO LEGISLATIVO
Bem que o povo gostaria, mas não vai passar. Está em trâmite na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 106, de 2015 a redução dos 513 deputados federais para 386 e de 81 senadores para 54. Segundo apuração, cada parlamentar custa quase 300 mil reais por mês. Com a redução haveria uma economia de 350 milhões de reais por ano. No bojo da emenda viria o enxugamento dos partidos e de vereadores nos municípios. E como fica o acintoso foro privilegiado?
A Câmara Municipal de Vitória da Conquista, por exemplo, tem 21 um vereadores com duas sessões de oba-oba por semana, o que é um quantitativo absurdo que gera muita despesa para pouca qualidade. De um modo geral, as câmaras inverteram suas funções de legislar e fiscalizar os executivos. Passam o tempo discutindo indicações, moções de aplausos e outras baboseiras. Treze ou quinze vereadores preparados e competentes seriam suficientes para Conquista.
GASTOS DOS CANDIDATOS
De acordo com o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que listou, de conformidade com a nova “reforma”, quanto cada candidato dos 5.570 municípios brasileiros pode gastar nestas eleições, em Vitória da Conquista um pretendente a prefeito não pode ultrapassar o limite de 579 mil no primeiro turno e 173 mil no segundo. O maior gasto em 2012 foi de 865,9 mil. É aí que entra o caixa “2” e outras trambicagens. O candidato a vereador não pode ir além de 59 mil reais. Onde esses caras vão arranjar grana? Esse dinheiro mal dá para pagar aos traficantes pelo acesso de suas campanhas nas periferias onde o Estado não entra.
PERTURBAÇÃO E ZUEIRA
A primeira indagação é como a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista concedeu alvará de funcionamento para uma casa de eventos de festas numa zona estritamente residencial e próximo a um hospital? Pois é, a Paradise Eventos está localizada na Rua “G”, no Jardim Guanabara, próximo ao Hospital de Base e já está incomodando muita gente, principalmente pessoas idosas, com sons altos que varam a madrugada. Como se não bastasse tudo isso, no último final de semana, convidados de uma festa acharam de terminar suas saideiras bebendo, conversando alto e até urinando nas portas de algumas casas dos moradores locais. Para completar deixaram latas e vasilhames de bebidas nas portas. Não é possível aturar tamanho desrespeito. O poder público e o dono do estabelecimento precisam tomar uma providência urgente e acabar com isso porque muita gente está revoltada e pode haver coisa pior.
TERRENOS ABANDONADOS
O que mais se vê em Conquista são terrenos abandonados que servem de coitos para ratos, cobras, insetos. Tomados pelo lixo, são verdadeiros criatórios do mosquito da dengue. A sensação é que vivemos numa cidade sem leis que não exijam que os proprietários cerquem e cuidem dos seus imóveis. A única preocupação dos donos é fazer especulação imobiliária já que o poder público não fiscaliza e obriga que esses lotes sejam pelo menos murados. Moradores ao lado desses terrenos sofrem com a invasão de ratos, mosquitos e até de cobras.
AGORA É BEM-VINDO
Por suas ideias estapafúrdias, preconceituosas, xenófobas, racistas e homofóbicas, o deputado estadual sargento Isidoro tem sido demonizado pelos partidos de esquerda, pelas feministas, grupos LGBTs e outros movimentos sociais, o que é compreensível porque o homem é um fascista de carteirinha. O cínico e irônico é que com as eleições municipais chegando, o Governo do Estado, o PT e até o PCdoB que encaravam o cara como o próprio satanás, agora o tem como companheiro e possível candidato a prefeito de Salvador. Nesta circunstância atual, pra favas com machismo e homofobia. O sargento agora é bem-vindo.
Como fica a bancada feminista da Assembleia Legislativa que denunciou o deputado por causa das suas declarações preconceituosas. A própria candidata à prefeitura Alice Portugal (PCdoB) disse que a ideia é ter essa diversidade e que também sabe conquistar o povão. Já vi este filme na política nossa de cada dia. O Isidoro vai disputar o segundo turno com ACM Neto e vai ter muito voto, se não ganhar!
BIBLIOTECAS
DO ILUMINISMO ÀS TREVAS
Com nomes de destaque nacional e internacional na música, nas artes plásticas, no teatro, na poesia, na literatura, no cinema e outras áreas do conhecimento humano, a Bahia já foi um grande celeiro de criações artísticas e de projetos que alavancaram o desenvolvimento cultural e científico do Estado.
Arrisco a dizer que as décadas mais recentes de 40, 50, 60 e até 70 do século passado foram efervescente e representaram a era do iluminismo baiano que depois foi cedendo lugar às trevas das ideias e dos pensamentos consumistas de interesses puramente comerciais.
Diferente dos tempos passados renascentistas, hoje o criador, na sua grande maioria, ao elaborar qualquer projeto ou obra artística pensa logo se está alinhado ao que o mercado quer e pede. Caso contrário, seu trabalho não sobreviverá à ditadura do mercantilismo capitalista e da patrulha ideológica.
Quando resolvi abordar o tema “do iluminismo às trevas” confesso que me veio à mente as produções musicais das décadas passadas em referência com as da atualidade com suas letras de baixo nível, principalmente a partir dos arrastões carnavalescos da chamada era do “axé music” que está mais para a existência do caos.
Vários outros segmentos da nossa cultura popular e acadêmica também se chafurdaram pelos vícios dessa produção desprezível. Nisso, algumas tradições culturais, lamentavelmente, vivem processo de extinção, como é o caso das nossas seculares festas juninas que não são mais as mesmas por causa das misturas nefastas e babélicas de outros estilos exóticos e alienígenas, cujos representantes insistem argumentar que as mudanças são necessárias porque estamos em outros tempos.
Vivemos períodos duros da ditadura militar quando as pessoas letradas, mesmo oprimidas e amordaçadas, ainda colhiam os frutos do aprendizado revolucionário educacional e cultural das décadas de 50 e 60. Aquela gente ainda tinha o gosto e o prazer de ler, pesquisar e estudar. Não aceitavam pacotes vazios cheios de papéis picados e inúteis. O que temos hoje é um bando de sofistas e surfistas.
A regressão do ensino a partir do final da década de 70 se acentuou com a redemocratização e aí, a liberdade de expressão por si só, não foi antídoto imunológico suficiente para eliminar o vírus devastador das ideias oportunistas mercadológicas. Tornamo-nos exímios consumidores de uma sopa de embalagens bonitinhas por fora e ordinárias por dentro. Tempos de Sodoma e Gomorra!
No caso específico da Bahia, que pode também servir de exemplo para todo Brasil, o inverso aconteceu com a redemocratização a partir de 1946 em que se deu a vitória sobre o nazi fascismo e o Estado Novo. Sem contar Ruy Barbosa e outros nomes de peso entre final do século XIX (República) e início do século XX, uma safra de grandes intelectuais, como Anísio Teixeira, Nestor Duarte e outros, começou a ser colhida a partir do Governo de Octávio Mangabeira.
O PONTO DA QUESTÃO
BAIXO CLERO VIRA ALTO CLERO
A Câmara dos Deputados, hem, é digna de pena, coitada! Aliás, coitados de nós mortais! A Casa segue com sua agenda conservadora ressuscitada pelo Baixo Clero que virou Alto Clero no decorrer do comando do ex-presidente Eduardo Cunha. O novo escolhido Rodrigo Maia, do DEM, sempre foi seu aliado. Seu partido é bisneto da ARENA dos tempos da ditadura e tataraneto da antiga UDN de Carlos Lacerda. E quem diria! O DEM também está sendo ressuscitado dos mortos! Agora tem um presidente da Câmara, um ministro da Educação e um prefeito bem cotado em Salvador.
Do Baixo Clero surgiram ilustres desconhecidos que abortaram suas ideias retrógradas e nazifascistas de racismo, homofobia e xenofobia. Dos seus quadros saíram da moita deputados que nunca tinha se ouvido falar. Sobre o processo de cassação de Cunha, eles podem começar a se preparar para cantar os parabéns de aniversário de um ano, com direito a bolo e uma velinha. O Senado também não fica atrás com os senhores Renan Calheiro, Fernando Collor, Jader Barbalho e o Romero Jucá, o polivalente das tramoias e maracutaias que agora se arvora ser relator de um projeto sujo de “abuso de autoridade”.
CONQUISTA MACHISTA!
Eleições municipais e as mesmices de sempre, salvo algumas regras da capenga “reforma eleitoral”. Fora isso, os nomes e os métodos empregados para enganar o eleitor com promessas vãs são os mesmos. Para não variar, nenhuma mulher é candidata à prefeitura da terceira maior cidade da Bahia e isso nunca aconteceu em toda sua história. Seria a marca do machismo ou falta de mobilização política das próprias mulheres? Desinteresse ou descrédito e desencanto com a política nestes tempos de caos?
ÁGUA E AEROPORTO
Seja como for e quem for, o próximo prefeito de Vitória da Conquista tem que pensar de forma grande, proporcional ao porte da cidade que está a necessitar de projetos de relevância em infraestrutura, que deem sustentação ao seu crescimento. Educação deve ser a prioridade, e o município merece ter sua própria política cultural, bem além dos eventos de Natal e São João que devem continuar com os mesmos formatos e conteúdos.
Embora alguns da alçada estadual e federal, o novo prefeito tem que cobrar a conclusão da obra do novo aeroporto que está virando pouso de urubu dentro de um matagal. Outra preocupação será com o abastecimento de água da cidade com a construção de uma barragem com capacidade para atender a demanda da população. O povo não merece ser tão maltratado!
TRANSPORTES PÚBLICOS
Mobilidade urbana com alternativas de outros meios de transporte público deve ser outra meta de governo, inclusive com a implantação de um novo terminal de ônibus e urbanização do existente que é feio, sujo e já está com seu espaço saturado. Um centro administrativo da prefeitura desafogaria o trânsito no centro da cidade.
RUAS, BAIRROS e PRAÇAS
A VOLTA DOS QUE JÁ FORAM SEM UMA CANDIDATA À PREFEITURA
Na terra de dona Laudicéia Gusmão, Henriqueta Prates, Joana Angélica Santos, Geny Fernandes de Oliveira Rosa, a Dona Zaza – primeira a assumir uma cadeira na Câmara Municipal (1937), Lycia Moura, Zilda Maria Moura Costa (Zyka), Olívia Flores, Dona Dalva Flores e tantas outras de destaque no cenário econômico, político e social, uma mulher ainda não assumiu o cargo de prefeita.
Nesses quase dois séculos de história desde Vila Imperial, em 1840, Vitória da Conquista se evoluiu na economia, na educação e na cultura com grandes nomes e feitos na literatura, na poesia e na música. Enfrentou a ditadura de 1964 com a cassação de um prefeito eleito pelo povo e hoje é a terceira maior cidade da Bahia, mas nunca teve uma candidata à prefeitura.
Na política estadual, Conquista sempre foi uma caixa de surpresas e mudanças ao apoiar e eleger candidatos com ideias e tendências progressistas, comprometidos com o setor social. Saiu de uma duradoura oligarquia coronelista para votar em pessoas com viés socialista de esquerda, como foi a eleição de Pedral Sampaio, em 1962.
Nas décadas de 70 e 80 rejeitou o autoritarismo carlista elegendo nomes da oposição (Raul Ferraz, Jadiel), culminando com a tomada do poder pelo PT com a escolha de Guilherme Menezes, em 1996/97. Mesmo assim, o município que mais cresceu nos últimos anos no Norte e Nordeste ainda mantém o ranço político conservador por nunca ter elegido uma mulher como prefeita, muito menos como candidata.
Pelo que se sabe, a única mulher que tentou e não conseguiu foi Margarida Oliveira, em 1992. Terminou sendo vice na chapa de Pedral Sampaio, mas não assumiu, preferindo continuar como deputada na Assembleia Legislativa.
Nesse sistema político vicioso, arcaico e perverso, nos anos eleitorais municipais na Bahia, no Nordeste e no Brasil em geral, como agora, está sempre na tela o chamado “clube do bolinha” com a volta dos mesmos candidatos que já foram prefeitos e vereadores, mais pela via assistencialista dos favores do que pela competência propriamente dita.
Vitória da Conquista não fica de fora desse esquema das mesmas caras, ainda mais por nunca ter tido uma candidata à prefeitura, o que vale dizer que jamais foi governada por uma mulher. Neste ano não é diferente entre os partidos que postulam o cargo, embora na história mais recente, como lá atrás, muitas mulheres continuem desempenhando funções de destaque na sociedade com seus exemplos de trabalho e dedicação.
















