AS FEIRAS LITERÁRIAS PRECISAM TER UMA PARTICIPAÇÃO MAIS DEMOCRATIZADA
Quando se decide organizar uma feira literária logo se pensa no convite de um, dois ou três escritores famosos de fora e nos palestrantes mais conhecidos do público. Sempre se esquece da prata da casa por considerar que não é atrativo de público e o evento pode se tornar num fracasso.
Até certo ponto isso é lógico em se tratando de mercado, maior visibilidade na divulgação da mídia e até na atração de visitantes locais e de fora, mas é preciso colocar mais o foco na democratização dos autores onde a festa vai ser realizada para que as pessoas conheçam e interajam com os novos talentos da sua cidade e região.
No entanto, quando vemos vários municípios realizando feiras literárias como agora no interior baiano, inclusive por parte de pequenas cidades, isso nos enche de esperanças e expectativas porque servem de incentivos para disseminar a leitura, principalmente entre nossos jovens que perderam o hábito de pegar um livro para ler.
Só para citar algumas cidades, como Feira de Santana, Salvador (Flipelô), Cachoeira, Rio de Contas, Lençóis, Andaraí, Caculé, Barreiras, Itabuna, Ilhéus, Mucugê, Belo Campo aqui perto de nós e outras que estão se programando para também ter a sua, como escritores isso nos deixa animados e a sensação que, até enfim, a literatura, como a músicas e outras linguagens artísticas, está sendo prestigiada e valorizada pela sociedade e os poderes públicos.
Por que não formar um consórcio de feiras literárias regionais para fortalecer o setor? Seria uma maneira de reduzir os custos e também introduzir as empresas como patrocinadoras. Está na hora dos organizadores pensarem nisso e criarem uma rede de feiras entre os municípios. Com isso, os escritores poderiam ter uma ajuda de custos para participar da festa.
As feiras literárias são por demais saudáveis para a nossa cultura, para todos aqueles que com muita luta e garra produzem suas obras, a maioria sem apoio do poder público e privado. Por outro lado, fica a frustração porque somente poucos têm condições financeiras próprias de se deslocar de suas cidades para participar dessas festas literárias.
Por isso é que falo da democratização e ajuda aos escritores locais desde seu processo de produção, divulgação e distribuição até o apoio financeiro para se fazer presentes nas feiras. Para ser mais claro, como um escritor ou poeta independente, sem recursos, pode sair de Vitória da Conquista para ir divulgar suas obras em Salvador, Feira de Santana, Barreiras, Ilhéus ou Itabuna?
Bem que todos gostariam de mostrar seu trabalho e, ao mesmo tempo, adquirir mais conhecimento e aprendizagem de como os outros estão lidando com suas dificuldades inerentes ao fazer literatura. É, sem dúvida, uma troca de informações. Está faltando esse intercâmbio entre as organizações das cidades para que haja um engajamento de autores, de forma a enriquecer e democratizar mais a arte literária.
Se está ocorrendo uma onda de feiras é porque delas estão saindo bons resultados socioeconômicos, como nos festivais de músicas, bem como na divulgação das cidades, especialmente se ela tem vocação turística. Porém, é necessário que essas feiras sejam mais democratizadas e socializadas porque no fim todos ganham.
Gasta-se muito com a contratação de escritores já consagrados, com estruturas até sofisticadas, com embalagens exageradas e não se tem dado o devido espaço para os autores regionais. Por que o poder público não oferece uma ajuda de custo aos seus escritores locais (nem todos) para que estes representem a cultura de sua cidade em outro município, ou que se faça um intercâmbio entre as diversas feiras? Garanto que todos saem ganhando, inclusive as populações em geral.
As feiras têm que ser menos fechadas, mais abertas e democráticas e não somente premiar os “grandes” já conhecidos. Existem muitos talentos escondidos por falta de oportunidades, como aqui mesmo em Vitória da Conquista que deve seguir o exemplo dos outros municípios e realizar sua feira literária, não aquela com viés totalmente político e eleitoreiro onde somente poucos têm acesso.
Como modesto jornalista, escritor e agora tateando na poesia, como minhas obras de contos, poemas, causos, prosa, inclusive no gênero de ensaios históricos, me sinto mais otimista com essa onda de feiras literárias, se bem que, infelizmente, não posso ir em todas como desejaria. É por isso que defendo a união ou uma associação de escritores conquistenses para possibilitar a participação de nossos companheiros nessas feiras.
O mais importante nisso tudo é que a nossa mãe literatura, alicerce para todas as outras linguagens, está sendo lembrada e valorizada, sem contar o estímulo que esses eventos proporcionam para que as pessoas, jovens e idosos retornem ao antigo hábito da leitura. Essas feiras devem ser compartilhadas entre as secretarias de Cultura e Educação.

















