É A EXTREMA INVADINDO O BRASIL
Não sou nenhum profeta, cientista político, sociólogo, historiador ou coisa assim, mas há anos, por mais de dez, venho dizendo que a extrema direita ia invadir o Brasil, principalmente quando começou a crescer a participação dos conservadores evangélicos em pleitos políticos.
Não somente isso, mas o cenário assim se apresentava quando o PT começou a se desviar de seus princípios e se aliar à grande elite burguesa. Outro fator foi o crescimento contínuo das bancadas conservadoras no Congresso Nacional, sem contar que o nosso povo traz em sua história cultural um DNA do atraso.
Sobre o resultado das eleições, o professor de história e cientista político, Chico Carlos, fez uma previsão sombria do que vai acontecer a curto prazo no Brasil. Disse ele que em todo seu tempo de ofício nunca esperava um avanço tão acelerado da barbárie.
Em seu ponto de vista, não se trata de mudar o povo, mas transformá-lo através do investimento na educação. “Mais violento são os anos de fascismo que se abaterão sobre o Brasil. As florestas e os biomas Amazonas e Pantanal serão destruídos”.
Ele prossegue afirmando que os índios serão abandonados e depois declarados extintos pelo Bolsonaro. A cultura irá se transformar em programas de auditórios pelos cruéis conservadores, e as universidades em escolas para disseminar a ideologia do fascismo.
É muito triste desenhar esse quadro, mas é a verdade. Alguém do PSOL comentou que essa situação é uma tragédia e que a direita se enraizou em todos estados. As eleições acabaram de comprovar essa catástrofe a começar pelo número de senadores e governadores eleitos. O Bozó segue forte para o segundo turno.
Em minha humilde opinião, ficou registrado que aquele ódio de 2018 contra o PT ainda persiste. O partido se mantém em seu orgulho prepotente de não pedir desculpas pelos erros do passado. Nas majoritárias não aceita ser vice numa chapa. Quase ninguém entrou nessa campanha olhando o bem do Brasil, mas apenas com sede no poder, como se os meios justificassem o fim.
O Geraldo Alkmin, vice de Lula, não transferiu votos como se imaginava. Ao contrário, milhares de seus eleitores migraram para o Bozó. Em São Paulo, o Haddad é tão pesado junto ao eleitorado que ficou atrás do candidato do capitão-presidente, enquanto o Boulos, do PSOL, que deveria ser o nome a disputar o governo, conseguiu mais de um milhão de votos para o Senado.
Os quadros do PT estão ficando enferrujados e, mesmo assim, não faz um acordo onde não seja o cabeça de chapa. Além do mais, esqueceu suas bases populares e suas origens quando foi fundado. Passou do tempo de outros partidos da esquerda se unirem com um discurso sério e ações firmes de coerência ideológica que ficaram lá atrás. Como resgatar a confiança, sem dividir?
É angustiante ver essa extrema negacionista, arcaica, medieval, fascista e nazista avançar em nosso território. Por que tudo isso está ocorrendo? É hora de refletir, analisar, reconhecer os erros e tomar outras atitudes.
Temos hoje um Brasil cada vez mais inculto e com uma população ainda mais fácil de ser manipulada. Não dá para entender como um maluco psicopata, totalmente apagado como parlamentar, com ideias fascistas e totalitárias, sai da Câmara e faz todo esse estrago.
Lamentavelmente, o nosso país já está praticamente nas mãos desses extremistas. Vamos ter mais quatro anos de inferno? Esse segundo turno é incerto e tudo depende das alianças dos eleitores de Simone e Ciro, o qual está muito ressentido.
Essa polarização serviu mais ainda para dividir a nação com dois projetos bem opostos. Muita gente acreditou numa vitória no primeiro turno. Uns chegam a falar que o povo não acorda, mas, na verdade é produto desse sistema que eles (políticos) e nós mesmo criamos.
Mesmo com tanta desgraça em vários aspectos da vida brasileira, como depredação do meio ambiente (desmantelamento dos órgãos de fiscalização e liberação para derrubar floresta e grilar), invasão de terras indígenas pelos garimpeiros, discriminação racial e de gênero, misoginia, raiva contra jornalistas, relações péssimas no exterior, apoios a uma ditadura e tantos outros absurdos, o capitão conseguiu 45% dos votos.
Ser socialista sempre foi uma tarefa difícil, principalmente quando se está numa democracia burguesa onde elege Damares, Mourão, Marcos Pontes, Sérgio Mouro e tantos outros do mesmo naipe. Está na hora de toda esquerda fazer uma revisão, ser mais coerente e conquistar a confiança perdida do povo.











