CONQUISTA NÃO É PORTAL DA CHAPADA
Tem um movimento aí de empresários que querem transformar Vitória da Conquista em Portal da Chapada. Esse grupo deveria lutar junto ao poder público e toda sociedade para que Conquista se torne numa cidade turística de verdade, pois possui todo potencial para tanto, dependendo tão somente de um planejamento entrelaçado entre todos os segmentos.
Em minha opinião, Portal da Chapada nessa região mais próxima, é Ituaçu, Contendas do Sincorá, Dom Basílio e Nossa Senhora do Livramento, ali bem ao lado de Rio de Contas. Trazer turistas de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo ou Rio de Janeiro só serve aos interesses do setor hoteleiro e das agências de viagens. Aqui é o Planalto da Conquista.
Por enquanto, o visitante que vier para aqui de avião não tem praticamente nada para se ver em Conquista, não passando de simples passageiro de pernoite, do tipo bate e volta. A agência de viagem leva ele para a Chapada e no retorno pega seu voo e vai embora. Conquista hoje só tem um monte de bares e restaurantes que oferecem músicas ao vivo (nem todos) onde isso existe em todos lugares.
Para começar e dar vida à cidade, precisamos instituir uma política pública cultural, com atividades definidas durante todo ano, não somente as festas de São João e Natal. Infelizmente, não temos uma feira literária, um festival de música (não falo desse da TV Bahia), um salão de artes plásticas, uma semana do teatro e da dança, uma jornada de cinema e audiovisual, entre outras festas culturais.
Para movimentar todo ano com apresentações variadas, Conquista conta com bons equipamentos, como o Teatro Carlos Jheová, o antigo Cine Madrigal, Casa Glauber Rocha, adquirida pela Prefeitura Municipal, os museus Regional, Padre Palmeira, de Kard, Cajaíba, localizado na Serra do Periperi, o monumento do Cristo de Mário Cravo, o Espaço Glauber Rocha e o Memorial Regis Pacheco, só que são subutilizados, e muitos estão desativados. O Museu de Kard, o maior a céu aberto do Norte e Nordeste, já constitui numa grande apresentação lá fora.
Numa ação conjunta, num sistema de parceria público privada, esses pontos carecem de reformas e instalações adequadas parta que funcionem, cada um exercendo a sua função, com total incentivo e apoio aos artistas para que desenvolvam suas expressões e suas linguagens. Temos grandes talentos, só que estão adormecidos.
A área do Cristo deveria ser estruturada com um estacionamento, um restaurante e lojas de artesanato e comidas típicas. Como no Rio de Janeiro (claro que não necessita dos mesmos equipamentos), um bonde elétrico faria a ligação entre o centro da cidade e o topo da Serra, inclusive até certo horário da noite, sem falar da vista do pôr-do-sol. Tudo isso com total segurança das polícias e da guarda municipal. É um projeto arrojado, mas realizável através de parcerias e decisão política.
Ainda como parte desse pacote turístico, os museus teriam que abrir suas portas nos finais de semana, como acontece em outras partes do mundo. Conquista ainda deveria ter uma praça dos artistas, com bares oferecendo saraus, músicas ao vivo, comidas de botecos (concursos), lojinhas de biscoitos, artesanatos, livros de autores regionais e outros objetos da terra.
Depois de toda essa estrutura de opções montada e organizada, os poderes público e privado entrariam com a divulgação massiva nos meios de comunicação para atrair e convencer os turistas de passagem a ficarem mais tempo aqui. Todos ganhariam com isso, desde o artista aos empresários, comercial, de serviço e o industrial.
Como passeios ecológicos ainda poderiam ser criadas trilhas no Maçal, pela Serra do Periperi, visitas à Barragem de Anagé, fazendas de café e outros caminhos com guias treinados. Teríamos ainda roteiros programados aos terreiros de candomblé. Enfim, todos tirariam proveito, e Conquista passaria a ser conhecida como uma cidade turística, e não como Portal da Chapada.













Excelente reflexão e provocação meu amigo. Aqui, infelizmente seguem pensando com a.cabeca de quando a cidade era dormitório e passagem de viajantes antigamente levando gado e agora levando gente. A cidade segue sendo administrada e pensada em função somente de vender e gerar riqueza para se gastar em outro lugar…triste da cidade que segue pensada como pouso do farasteiro.
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