ELES AINDA RESISTEM
Poema inédito de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário em homenagem às profissões em extinção
No campo agreste do Nordeste,
Ainda toureia o nosso vaqueiro,
E o carro atropelou nosso tropeiro.
Antigamente se dizia,
Meu alfaiate, meu sapateiro,
Não escuto o fole do ferreiro,
Malhando o ferro da ferradura,
Dos cavalos velozes das diligências,
Nas estradas reais de suas excelências.
Na rua não passa mais o amolador,
Nem o vendedor de quebra-queixo,
E o saveiro sumiu na fumaça da maresia,
Com o progresso e a tecnologia.
Eles ainda resistem,
Passando profissão de pai pra filho,
Na batida seca do feijão e do milho,
Ainda resistem à extinção,
Como a Arara, a Asa Branca e o Gavião.
Hoje é meu técnico de informática,
O meu médico, só o rico tem,
Como o advogado e o engenheiro,
Mas ainda tem a religião fanática.
Eles ainda resistem,
Como teias nos fios do algodão,
Da mulher rendeira a tecer sua lã,
Para proteger do frio seu clã.
Na esquina ainda tem o relojoeiro,
Mas ninguém quer mais ouvir,
A canção romântica do seresteiro,
Nem as raízes do som sertanejo,
Não tem mais o tocador de realejo,
Nem na praça o fotógrafo lambe-lambe,
E não se ama mais no primeiro beijo.











