O cara só pode ser um maluco e mentiroso que poderia estar internado num hospício psiquiátrico, ou preso por prevaricação, injúria, infâmia, calúnia e difamação. O cara delata na Operação Lava Jata do Ministério Público Federal mais de 20 políticos de receber propinas, inclusive o seu ex-chefe, e todos negam veementemente chamando-o de mentiroso e fantasioso, com intuito apenas de se livrar dos seus malfeitos.

O Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, já derrubou três ministros e agora aponta o dedo para o presidente interino da República, Michel Temer. É coisa de doido, meus camaradas! É bandido entregando bandido, coisa de quadrilha quando está acossada depois de um roubo de grandes proporções. Depois das pistas descobertas, dinheiro usado no sustento próprio do poder e em suas mordomias, cada um se esconde em seus esconderijos e nega a participação no assalto.

Em detalhes, o cara cita datas, ano, locais de encontros e as quantias entregues a cada malfeitor. Mesmo assim, todos confessam inocência e atacam com pedradas o tesoureiro que foi responsável por anos pela formação e distribuição do Fundo das Propinas, uma espécie de Fundo Monetário dos Políticos, o FMP do Poder.

Na história contada pelo delator, o bando era deveras ganancioso e tinha indivíduo que requeria mais para si, de acordo com seu posto que exercia no comando do grupo. Coisa do tipo: O que me cabe na partilha desse saque tem que ser maior que a de fulano porque eu sou o dono desta pasta e me arrisquei bem mais.

O tesoureiro que controlava os fornecedores da grana tinha que se virar para saciar apetites e gulas diferentes. O ex-chefe Renan Calheiros, por exemplo, foi o que mais recebeu. Os menos representativos ganhavam menos. O bando tinha seu próprio código de ético. Vamos reconhecer que o Machado tinha mesmo “jogo de cintura”, como se diz no jargão político e empresarial.

Parece coisa de ficção literária de romance policial, filme de faroeste ou coisa semelhante, mas é tudo realidade o que aconteceu e ainda acontece no reino chamado Brasil. Escritores, poetas, compositores, teatrólogos e artistas em geral não podem se queixar da falta de matéria-prima para elaboração das suas obras. É um reino recheado de fatos escabrosos que mostram as vísceras mais podres do poder.