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:: ‘Notícias’

FUNDAC LANÇA EDITAIS

A Fundação da Criança e do Adolescente – Fundac, lançou nesta quinta, 17, edital de chamamento público para parceria de gestão e execução de medidas socioeducativas de semiliberdade nos municípios de Feira de Santana, Itabuna, Vitória da Conquista e Salvador.

Somente serão aceitas projetos apresentados pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, consideradas como Organização da Sociedade Civil – OSC, nos termos da Lei 13.019/2014 e que tenham, dentre as suas finalidades, as atividades relacionadas e descritas no edital e com atuação comprovada em gestão e administração de serviços públicos e/ou privados. Também são requisitos do edital habilitação técnica, jurídica, qualificação econômico-financeira e regularidade fiscal

Confira os editais: http://bit.ly/2w8Jfe9

ASSIM SÃO “OS DEUSES” INTOCÁVEIS

“Quem não pode atacar o argumento ataca o argumentador” – Paul Valéry

Existe maior ironia, contradição e paradoxo do que um deputado, senador ou magistrado da República maltratada criticar o Executivo e cobrar dele corte de gastos públicos para reduzir o déficit fiscal do país? Não existe mais vergonha. Está rindo do quê, aí?  Cá, estou deprimido.

Mesmo contra toda ira do povo, esses “deuses” intocáveis continuam mantendo suas benesses e mordomias e fazendo reformas políticas capengas, arrancando mais de quatro bilhões de reais da nação para financiar suas campanhas.

Confesso que não me apetece mais falar deste assunto porque me dá náuseas, mas a revolta é maior e supera a escolha. Entre os povos antigos da Mesopotâmia (Assírios e Babilônios), Celtas, Cartagena, Maias e outros, quando as coisas não iam bem, a colheita era fraca e sofriam derrotas nas guerras, os sumos sacerdotes sacrificavam animais e seres humanos nos templos para aplacar a ira dos seus deuses. Eram rituais macabros.

Mesmo com realidades e tempos totalmente diferentes, aqui no Brasil o povo continua sendo convocado aos altares dos sacrifícios para derramar seu sangue como se tivesse praticado alguma heresia ou pecado contra os “deuses”, barões, coronéis e reis governantes que regem os destinos do país.

Dos seus olimpos dos prazeres e das orgias eles mandam raios e tempestades, mas a população está irada e não suporta mais tantas imolações de inocentes. Este jogo pode virar e os “deuses” serem eliminados e esquecidos para sempre.

Como se fossem “deuses” intocáveis, o Congresso Nacional, Judiciário e outras classes privilegiadas, como os militares, sempre ficam fora dos cortes de despesas públicas. Eles esbanjam, e os súditos cobrem os rombos com suas próprias vidas.

O Executivo não toca nesta casta porque dela é refém para o “toma lá dá cá” bem escancarado. O mercado financeiro, as grandes fortunas e os supersalários são outros “deuses” intocáveis a quem o povo faz sacrifícios de morte.

Esses deuses deviam, pelo menos, se calar para não provocar mais raiva. Agora mesmo, o mordomo-chefe e sua cúpula, depois de saírem por aí distribuindo emendas parlamentares, num montante de oito bilhões de reais, e cargos para pagar votos em suas defesas, impõem severos cortes aos empregados do seu poder, deixando, como sempre, o Legislativo e o Judiciário de fora. Estão sendo negados os serviços necessários e mais urgentes, como nas áreas da saúde, educação e segurança.

Das medidas insignificantes para cobrir o rombo nos cofres públicos de cerca de 160 bilhões de reais, nenhuma atinge os “deuses” intocáveis. O negócio é ir empurrando com a barriga e todo corpo para o próximo aventureiro que vier. O futuro será ainda mais ingrato e tenebroso. Quem viver verá a bagaceira!

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BASTA DE BENESSES, CHEGA DE MORDOMIAS!

 

Sérgio Fonseca

e-mail: serioja.fonseca@hotmail.com

A nossa sociedade paga demais a muitas pessoas, que pouco fazem, no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. Tanto na esfera federal, como na estadual e municipal. E, na realidade depois de serem eleitos como representantes do povo, a maioria vai batalhar mesmo é para a melhoraria de suas finanças pessoais ou aumentar sua participação pessoal em mordomias ou benesses como jatinhos da FAB, helicópteros governamentais, cartões corporativos, verbas de representação, auxílio moradia, auxílio alimentação e demais penduricalhos valiosos.

O site www.nossasaopaulo.org.br/portal/node4733 faz um precioso detalhamento sobre essa questão de mordomias e benesses. Em 2016, por exemplo, o veículos oficiais federais custaram, aos cofres públicos, R$1,6 bilhões. Nunca é demais lembrar que, na Holanda,os parlamentares não têm direito a carro oficial. O prefeito vai ao trabalho de bicicleta. Na Noruega, há 20 carros para atender ao governo e só o primeiro ministro  tem carro exclusivo.

Em Londres, o prefeito anda de metrô ou de bicicleta. Ele e os vereadores recebem vale-transporte anual para o metrô. Na Suécia, nem o primeiro ministro tem carro oficial. Se residirem a mais de 70 Km de Estocolmo, poderão pedir reembolso. Os parlamentares suecos têm direito a reembolso de combustível.

Na realidade, aqui no Brasil, encastelou-se no poder, uma classe de semi-deuses que, embora levantem o estandarte da defesa dos interesses do povo brasileiro,  na realidade – com pouquíssimas exceções – defendem mesmo são os interesses de corporações, sindicatos, associações de classe ou mesmo quadrilhas especializadas no assalto ao Erário Público em suas mais variadas formas.

O eleitor brasileiro precisa conscientizar-se, antes que seja tarde demais, de que é um cidadão de segunda categoria com direitos pouco atendidos . Qualquer tentativa de melhora de sua posição é impiedosamente destroçada e/ou  achincalhada pela maioria parlamentar como ocorreu, por exemplo, cm os mais de 2 milhões de assinaturas propondo mudanças radicais na legislação, propostas elaboradas pelo Ministério Público e pela própria população. Estas propostas foram acintosamente desvirtuadas pelos “pais da pátria”que não querem que mude a situação que tão grandemente os beneficia.

Tancredo Neves(1910-1985) frisava que “O Brasil de nossos dias não admite nem o exclusivismo do governo nem da oposição. Governo e oposição,  acima de seus objetivos políticos, têm deveres inalienáveis com o povo”.

Recentemente, o Executivo mandou para o Congresso – sugestão de Refis, boa para o governo e boa para os devedores – mas atendendo principalmente aos devedores, foi violentamente desfigurada pelos irresponsáveis parlamentares, que mascararam o perdão disfarçado de algumas dívidas. Uma total falta de vergonha e de espírito cívico.

O economista John Kenneth Galbraith (1908- 2006) já dizia que  “As pessoas com privilégios preferem arriscar a própria destruição que perderem um pouco de sua vantagem material”.

Como ladrões nas trevas, na calada da noite, o Congresso Nacional aprovou R$3,6 bilhões a serem gastos na campanha eleitoral de 20018. Ao invés de campanhas simples, os políticos mais uma vez estão jogando nas costas do contribuinte o pagamento de caríssimos marqueteiros e faraônicas campanhas eleitorais. Sem esquecermos que já há um fundo de financiamento de campanhas .

O novo fundo, que só vai beneficiar políticos e alguns de seus asseclas tem o altissonante nome de ” Fundo Especial de Financiamento da Democracia”. Se regulamentado, junto com o fundo já existente, totalizará R$4,47 bilhões. Gasto excessivo para este período da crise nacional. Por que deputado e senadores não resolvem, pelo menos uma vez por a mão no bolso e financiarem suas próprias campanhas?

Aliás, Raymond Poincaré( 1860-1934)ex-presidente francês, já dizia que “nenhum governo tem para dar, seja a quem for, um tostão que não seja tirado de alguém”. Acrescentamos nós, ainda mais em momento de crise brasileira.

 

 

 

LADRÃO QUE ROUBA LADRÃO…

“Os pingos da chuva fazem um buraco na pedra não pela violência, mas por cair com frequência” – Lucretius

A concorrência entre ladrões no Brasil está acirrada e deixando o mercado saturado. A competição não está moleza pra ninguém. Tem até meliante aí com medo de perder o emprego. O setor também sofre com a crise. Todas as cidades foram loteadas. Noutro dia, um ladrão disse para o outro: Cara se manda que este ponto já tem dono.

Os mais malandros estão alugando e terceirizando áreas, e aí o bandido tem que se virar para não ter prejuízo no final do mês. Como a situação está difícil, estão até adiando férias e folgas. Muitos ficam sem o décimo terceiro e outros benefícios. Tem ladrão demais no mercado. Muitos estão até tomando cursos de profissionalização para enfrentar as disputas.

Quando o cidadão não tem dinheiro na carteira, relógio, celular, e objetos valiosos, tem marginal fazendo acordo na boa com o cliente, do tipo vá em casa ou ao banco pegar a grana, dando desconto no assalto e até recebendo via cartão de crédito. O negócio é faturar, não perder a clientela para não ficar desempregado.

No alto Planalto de Brasília, a concorrência também é pesada, mas a coisa lá é bem diferente porque todos estão bem empregados com bons cargos e mordomias. No entanto, lá também tem organização criminosa e todos os pontos estão loteados e demarcados. Deputados, senadores e executivos se reúnem sempre para estabelecer princípios. Mesmo assim tem muita gente quebrando as regras e roubando ladrão.

Uma coisa muito marcante neste mercado de ladrões é o machismo. As mulheres sempre são jogadas de escanteio, alijadas mesmo do processo, principalmente em Brasília. Sempre estão dizendo que não sabiam de nada. Apenas gastavam em restaurantes e lojas de luxo com joias e roupas.

Viu na semana passada na televisão aquele diálogo: Oi, Pati, sou eu, a Tici! Estou ligando para dar meu apoio e dizer que estou do seu lado. Na festa que promovemos para nossos esposos tudo correu normal. Não houve nada de acerto de propinas e corrupção. Ingênuas! Nem sabiam que ficaram de fora dos esquemas dos 10 milhões de reais!

Dizem por aí que ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão, mas não é bem assim que a coisa funciona entre eles. Não existe perdão. Com as turmas das ruas, as regras são claras, como diz o juiz de futebol Arnaldo César Coelho. Em Brasília dos percentuais como norma ética, se marcar bobeira, uns roubam os outros no maior cinismo e cara de pau.

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COMO GADO EM CURRAL

“Uma sociedade em que os trabalhadores são tratados como máquinas… não pode ser concebida como uma civilização” – Mahatma Gandhi.

Fazer o quê, né? Seja o que Deus quiser. É assim que reage nosso povo cansado e sofrido, tão explorado e massacrado, diante dos sacrifícios criminosos impostos pelos governantes, luxuosamente acomodados em suas suntuosas mesas de oferendas de inocentes aos seus deuses do capital.

Não adianta nada denunciar e dar entrevista, seu moço! Temo pela minha vida. Não existe mais esperança de punição dos culpados. É o que mais se ouve de vítimas de crimes e assassinatos praticados por policiais e executores de morte contra cidadãos.

No cotidiano, como gado em curral, eles burocratizam mais e mais nossas vidas, inventando recadastramentos eleitorais biométricos, documentos novos de identidade, habilitação de motoristas, provas de vida, renovações de papéis no SUS e INSS, entre outras tantas trancas, sob alegação de tornar o sistema cruel mais moderno, seguro e mais fácil.

Como os governos e os políticos “representantes” roubam nosso dinheiro, por sadismo mesmo, essa corja passa o tempo todo criando mudanças burocráticas e empurra o povo para um curral apertado, sem nenhuma estrutura física e humana. Os serviços são precários, sem espaço e de péssima acomodação, formando longas filas de sofrimentos, choros e lamentações.

Ao negarem recursos para montar ou ampliar uma estrutura digna de atendimento, eles transformam a vida do cidadão num verdadeiro inferno de Dante. Acreditando no que dizem, de que a medida é para melhorar, e com medo das ameaças de punição se não comparecerem ao local de registro para renovar o documento e provar de que ainda vivem, idosos, doentes, mulheres grávidas e até crianças se amontoam como bichos em grades, lutando desesperadamente para serem atendidos.

Contra o povo estão praticando atos de vandalismo, violência e crimes hediondos numa sociedade esgarçada de mortos-vivos. O mais espantoso e revoltante é que nos matadouros destas filas só se vê pobres submissos aos caprichos dessa gente. Nada de engravatados da elite burguesa que há mais de 500 anos suga nosso sangue como vampiros.

Vendo todo este terror do outro lado, o Ministério Público e a Justiça, privilegiados e abonados com suas benesses, calam-se e nada fazem para intervir e exigir que os governos proporcionem condições humanas e dignas de atendimento, suspendendo todos os procedimentos, enquanto não houver tratamento justo e respeitoso.

Na maioria dos casos, a mídia só mostra o horror, e pouco cobra dos responsáveis pelo atentado macabro. Faz a parte do seu papel pela metade. Enquanto isso, o povo toma seu cálice amargo de sangue em longas esperas nas filas intermináveis.

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EXPLORAÇÃO E ESCRAVIDÃO EM CONQUISTA

Com a terceirização em todos os níveis e a reforma trabalhista dos contratos avulsos intermitentes, aos acordos que estão acima das leis, numa economia em crise de profundas desigualdades sociais e pobreza avançada com mais de 14 milhões de desempregados, o capital financeiro está batendo palmas como se estivesse num paraíso.

Neste contexto negativo, não foram só os sindicatos que perderam a força de acompanhar o trabalho legal. Os órgãos de fiscalização do governo, que já são deficitários, especialmente em termos de recursos humanos, agora vão abrir a porteira e fazer vistas grossas. É o vale tudo no mercado faroeste do banditismo.

Sem condições de fazer qualquer barganha numa negociação ou contrato, gostaria de saber qual a linha que separa a exploração da escravidão trabalhista que não existe somente no ambiente do agronegócio como se tem evidenciado? Na verdade, a exploração já implica em escravidão.

As duas estão incubadas e “invisíveis” aos órgãos de fiscalização dentro das cidades, aqui mesmo em Vitória da Conquista, praticadas, principalmente, por bares, restaurantes e empresas de serviços em geral. A maioria dos trabalhadores aceita porque não tem outra saída. Temem passar fome com suas famílias.

Existe aqui, por exemplo, um restaurante na área vegetariana, vegana, ou naturalista, não sei bem, onde os donos praticam exploração e escravidão. A começar, os funcionários recebem seus salários com mais de um mês de atraso (às vezes dois meses), e muitos estão com férias vencidas há dois anos, sem 13º e outros benefícios a que têm direito.

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A LINHA ENTRE AS MENTIRAS E AS VERDADES

No “Pós-Verdade”, termo eleito como o maior vocábulo do ano de 2016 pelo Dicionário Oxford, “os fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”. Tudo isso define o momento em que vivemos.

Para definir estas circunstâncias do nosso tempo, o professor, doutor em linguística e referência do pensamento crítico sobre jornalismo brasileiro, Nilson Lage, disse que é da natureza humana recusar fatos que contrariam nossa visão de mundo.

Em entrevista à revista “Muito” de o A Tarde, veja o que fala o professor sobre a informação da mídia, da qual não se deve confiar totalmente, de acordo com sua recomendação.

Para ele, as pessoas tendem a aderir à informação que confirma suas crenças e valores; prestigiam o que é surpreendente; contrariam a lógica ou é mais fácil de compreender – tecnicamente tem menor custo neuronal.

Em sua análise, não há coisa mais axiomática do que a notícia: Não argumenta, não costuma comprovar o que informa e, raramente, cita a fonte ou a fonte é acessível.

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A TARDE E OS IMPRESSOS BAIANOS

Bons tempos quando o centenário jornal “A Tarde” era um dos maiores do Norte e Nordeste e líder absoluto na capital baiana em termos de circulação e preferência dos leitores.

Entre as décadas de 60, 70 e 80 Salvador contava com grandes impressos como Diário de Notícias, Jornal da Bahia, Tribuna da Bahia e, posteriormente, o Correio, sem contar pequenos semanários especializados que fechavam o círculo da informação nas áreas de esportes, política, economia, entretenimento, literatura, ciência, educação e cultura em geral.

Com grandes profissionais, esta foi praticamente a época de ouro do jornalismo baiano, juntando os velhos provisionados, no modo de dizer, com os novos saídos da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, da qual fui aluno e me formei.

Os “focas” aprendendo com os experientes e vice-versa. Um bom time de jornalistas bem reforçado. Não se trata simplesmente de saudosismo, mas a disputa era tão acirrada que o A Tarde foi obrigado a passar de vespertino para matutino para não perder espaço no mercado para os outros.

E isso eu estou falando dos meus tempos quando ingressei no jornal A Tarde em 1973 como revisor. Nem se sonhava com a internet. Comandavam nas redações as máquinas de datilografia, o telefoto, o fotolito e a impressão a quente do teletipo.

Sem muitos recursos técnicos, os impressos caprichavam no conteúdo e na fidelidade da notícia. Hoje se tem muita tecnologia e os impressos pecam na qualidade de suas reportagens. A Tarde reinava na capital e no interior, tanto que se dizia que só nele a informação virava verdade, mas os outros chegavam perto na concorrência.

No interior do estado, a mídia impressa, pejorativamente chamada de “caipira”, também era destaque nos principais centros como Vitória da Conquista que hoje, infelizmente, não tem um diário, Juazeiro, Feira de Santana e Itabuna que ainda mantém seus diários e Ilhéus. Grandes jornais em Conquista, por exemplo, entraram para a história, como O Conquistense, A Palavra, A Conquista, O Avante, O Combate, o Sertanejo, entre outros.

Como o foco é o “A Tarde” onde atuei por 34 anos, lembro muito bem dos anos 70, 80 e 90 quando a direção da empresa, sob o comando do saudoso administrador Arthur D´Almeida Couto e Jorge Calmon (Jornalismo) fortaleceram o jornal no interior através da estruturação das suas sucursais. Criaram até o slogan: “O Jornal do Interior.”

Com a morte de Arthur Couto no início dos anos 90 houve um enfraquecimento, mas a política de interiorização se manteve, inclusive com a expansão do “Caderno dos Municípios.” Antes as notícias do interior eram divulgadas em páginas diárias. No entanto, muitos fatos importantes chegavam a ser manchetes de 1ª, 2ª, e 3ª, páginas.

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A RODA DA INSENSATEZ HUMANA

O homem para se evoluir precisa resgatar a harmonia do passado para recuperar seu sentido de viver. As tecnologias de hoje nos agridem, embaçam nossas vistas, nos iludem com o mágico falso, com deuses de ouro e com o mito de que somos uma raça superior e civilizada.

Não entendo patativa de arquitetura e engenharia, mas nossas cidades, cheias de edifícios, viadutos por todos os lados, arranha-céus, asfaltos escaldantes, concretagens, carros buzinando e soltando gás carbônico de suas descargas, são feias e desumanas. Não inspiram poesia, felicidade e paz de espírito. Evaporam estresse e são sufocantes.

Somos imbecis de nós mesmos e cretinos que pensam que somos evoluídos porque algum “pensador” disse isso em alguma aula ou palestra. Na insensatez do inconsciente, nos achamos inteligentes porque sabemos citar alguns filósofos gregos, tiranos e césares imperadores.

Vivemos num mundo e num Brasil esbagaçado, com “líderes” da pior espécie que estão roubando o fio da esperança que nos ligaria a um humanismo mais real, justo e igualitário. Como no tempo dos Selêucidas de Antíaco IV, em Judá e Israel (168 anos A.C.) estão cortando nossas liberdades e  nos impondo severos castigos.

Dentro do nosso consciente inconsciente, entendemos que somos livres só porque podemos xingá-los e avacalhá-los depois de umas cervejas na mesa de um bar. Após o porre, saímos todos felizes por, aparentemente, termos dados nosso recado retórico e esboçado reação.

Cada um em seu quadrado arrota, esbanja e disputa sabedoria. Depois se recolhe ao insignificante de sempre à sociedade dominadora que endeusa o consumismo e aniquila o ser. Tudo fazemos para sermos integrantes comportados desse sistema perverso, colocando nossos espíritos a serviço do diabo.

Curtimos, nos embebedamos em festas de comes e bebes. É só alegria, prazer e badalação nas redes sociais, mas, no outro dia, na labuta imperiosa da sobrevivência, a cidade feia continua intragável, sem alma e desumana como sempre. A rotina da família e das obrigações do dia a dia vão criando uma crosta cinzenta no córtice do nosso cérebro. É o sinal de alerta, mas seguimos em frente!

Com o passar do tempo, a vida vai ficando sem arte, perdendo seu brilho, sem sentimento e sem humanismo. Mesmo assim, ela tem que continuar por entre esta selva de pedras. Bem que esta cidade poderia virar ruínas e de seus escombros nascer um templo habitável de convivência humana. De tanto consumir lixo não mais nos incomodamos, e seguimos os preceitos e as leis, acreditando que só isso nos basta.

Vejo pessoas passando pra lá e pra cá para resolver burocracias com montes de papéis nas pastas, apressadas para seus monótonos trabalhos de vender, comprar, advogar, contar, calcular, edificar, medicar, comunicar e muitos à procura de uma cura para seus males espirituais e corporais advindos dessa estrutura que só causa angústia.

Outros acolá, nos centros e nas periferias, levantam piquetes e passeatas contra a violência, os preços altos do transporte sucateado, a falta de teto, de terra com tanta terra, a falta de água nas torneiras, de creche, de atendimento médico, de uma escola em seu bairro ou porque a criança morreu de bala perdida. Afinal, vivemos em cidades amedrontadas.

Existem estatutos para crianças e adolescente, para os idosos, mas não passam de enganos, pouco funcionam. Vive-se de remendos e na base do  faz de conta de que estas pessoas estão sendo cuidadas. É assim e nada se pode fazer. É o que temos para oferecer.

Acostumamo-nos com o pouco e a viver na vala dos desvalidos até a hora antecipada de atravessar a outra margem desse rio. O barqueiro ainda cobra uma moeda para nos levar para o outro lado. Os “líderes” também vão, mas com muita gala e pompa, depois de ter nos deixado aos trapos.

Vejo policiais despreparados, brutalizados e truculentos como sempre que já saem dos quarteis dando porrada em toda gente, matando e limpando a área. Os “jornalistas” dos microfones malditos enchem seus sacos de espetáculo e sensacionalismo para saciar a agonia frustrante do povo ávido por justiça, de preferencia com as próprias mãos.

O ciclo vicioso continua e os crápulas são os mesmo eleitos, de pai para filho, com a regra máxima de juntar e juntar mais cabedal através das propinas corruptas. Não importa a desgraça, o clamor e o rastro de sangue que vão deixando em suas passagens de pés grandes de monstros diabólicos. O círculo da esperança nunca se fecha.

Vejo pessoas fazendo caridade e doações aos mais necessitados e miseráveis. Sopa e cobertores para os moradores de ruas, desabrigados das chuvas ou expulsos de seus casebres. Vejo a compaixão, a misericórdia e até a alienação, mas não vejo a solução através das esmolas. Só acredito nas ações do ensinar a pescar.

A mídia corre para também fazer sua média melosa e piedosa de audiência. O povo aplaude e faz coro! Cada dia aparece na tela mais gente passando fome e necessitando urgentemente de mais tratamentos e medicamentos para se salvar. Acode-se um, mas existem milhares e milhares na mesma precariedade. O Estado nem toma conhecimento.

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TANAJURAS E JUMENTOS DE CARGA

Adaptado pelo meu amigo e conterrâneo Wilson Aragão, um dos maiores compositores da Bahia e do Brasil, “Tanajura” é uma antiga cantiga de meninos do sertão baiano, intitulada “Galinha Gorda”. Ouvindo esta semana o seu CD “Capim Guiné” (Uma Guerra de Facão) lembrei de imediato na relação entre aumento de impostos para engordar a cambada lá de cima e o contribuinte-consumidor.

Quando a chuva se levanta no sertão, as tanajuras (formigas voadoras) costumam cair nos terreiros e ai a meninada alegre canta “Cai, Cai Tanajura, na Panela da Gordura”. Com toda sua sabedoria, Aragão recolheu o folclore e fez uma linda canção. Cá com meus botões logo pensei: Tanajuras somos nós e a Panela da Gordura são os três poderes que vivem com suas mordomias às nossas custas.

Para tripudiar com nossas caras – o Brasil tem que fazer uma guerra de facão – o Mordomo de plantão diz que o povo compreende o último aumento de impostos do Pis/Confins dos combustíveis. A música fala de espetar as tanajuras e jogá-las na panela da gordura. Pois é, somos espetados todos os dias pelo “quintos dos infernos” e só lamuriamos. Quando o brasileiro vai virar, de verdade, a mesa?

Os que já passaram e agora o Mordomo com seus rebanhos selvagens de leitões, hienas, gaviões, urubus dos carros pretos são os verdadeiros assaltantes e vândalos deste país, loteado pelas capitanias hereditárias da política e dos cargos onde avós e pais vão passando suas heranças malditas para os filhos, irmãos, tios, sobrinhos, primos até a parentes distantes.

Eles são os predadores, nós as tanajuras e os jumentos de tropas de cargas. Somos também gado e boiada levados ao matadouro. Vejo este povo, que já paga altos impostos, tão solidário para ajudar aos mais necessitados que vivem em extrema pobreza, mas tão resignado  e indiferente que não se rebela contra a escorcha e os desmandos.

Com o nosso sentimentalismo tupiniquim, acudimos os miseráveis para preencher a lacuna deixada pelos governos do Estado através de campanhas de doações de todo tipo e espécie, mas o quadro lastimável continua e piorar a cada ano. Não somos indignados ao ponto de reverter e mudar a triste realidade. Então, muita coisa está errada. É triste ver este povo vivendo eternamente de esmolas.

As ações de pena e caridade não são seguidas de rebeliões, levantes e protestos. A caravana de lobos passa e nem olha para a desgraça humana nas cidades e nos campos. Engordamos o Estado e ainda temos que dar esmolas?  O ciclo é vicioso porque tem sempre gente pedindo e não acaba nunca.

JUMENTO DE CARGA

O contribuinte-consumidor é mesmo um jumento que passa toda sua vida carregando peso para o seu dono e ainda é chicoteado quando reduz os passos diante de uma carga excedente. Quando não serve mais e poderia ter seu descanso num bom pasto, é levado para o matadouro e triturado para servir de ração humana e animal.

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