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:: ‘Notícias’

SARAU A ESTRADA FALA DO NORDESTE

Uma região que já foi próspera nos tempos coloniais e passou a ser pobre e esquecida a partir do Império e dos governos da República, que sempre privilegiaram o Sul e o Sudeste com pesados investimentos, o Nordeste com seu rico folclore e seu grande potencial na música e na literatura foi tema do nosso último “Sarau A Estrada”, realizado no dia 21 da noite de sábado.

Para combinar com o assunto, o prato principal dos tira-gostos que acompanharam o vinho, a cachacinha e a cerveja gelada foi exatamente o bode cozido com pirão, trazido pelo cantor e compósito poeta Walter Lajes e sua companheira Rita. Como o Sarau sempre foi colaborativo, Jésus, Baducha, Karina, Marta Moreno, Nunes e sua esposa, Mano di Souza, Cleide e demais trouxeram complementos deliciosos.

Nosso maior frequentador, professor Itamar Aguiar não pode participar deste encontro porque teve que viajar na noite de sábado para Salvador e de lá para a capital de São Luis, no Maranhão, como convidado palestrante de um congresso, mas, em passagem rápida ao espaço cultural bateu seu ponto e deixou uma cachaça mineira como sua contribuição. Sua ausência foi um desfalque, mas justificada. Ah, pela primeira vez, recebemos a visita de Ricardinho Benedictos, coordenador de Cultura da Secretaria Municipal.

Para ilustrar a noite e reforçar o tema Nordeste, nossa companheira Cel, esposa de Baducha, nos brindou com uma bela exposição de xilogravuras referentes à literatura de cordel, incluindo a figura maior de Luiz Gonzaga, o rei do baião e do forró. A exposição mostra xilogravuras de J. Borges que ilustram vários títulos de cordéis, como O Boi que Conversava com os Pássaros, A Briga dos Dragões, Os Violeiros, O Caro de Boi, O Ninho da Coruja, Mudança de Sertanejo, Moça Roubada, Casamento Matuto, entre tantos outros.

Karina falou da importância do Sarau para a cultura local, entendendo que deve se tornar mais visível na comunidade através de posições sobre o atual cenário político do país. Como excluímos da nossa pauta posições públicas de cunho político-partidário, nos restou uma moção de repúdio às manifestações, ainda que isoladas, de figuras políticas e de generais que estão se colocando a favor de uma intervenção militar no Brasil. O nosso grupo condena, veementemente, qualquer tipo de golpe contra nossa democracia, mesmo que debilitada.

Com a recepção sempre disposta e acolhedora da anfitriã Vandilza Gonçalves, os trabalhos sobre “Nordeste: Folclore, Música e Literatura” foram abertos por Jeremias Macário que fez um passeio geral sobre o potencial cultural nordestino, principalmente na literatura e na música, como também na economia, apesar da região continuar pobre e atrasada, com profundas desigualdades sociais.

Com os debates abertos a todos, cada um deu sua impressão sobre a nossa região, destacando nomes da música e da literatura, como Zé Ramalho, Elomar, Luiz Gonzaga, Geraldo Vandré, Dominguinhos, Fagner, Belchior, Raul Seixas, Gil, Caetano, Moraes Moreira e muitos outros. Na literatura, uma extensa lista de projeção nacional e internacional engrandece o Brasil, como José Lins do Rego, José de Alencar, Graciliano Ramos, Ariano Suassuna, Gilberto Freyre, Joaquim Nabuco, João Cabral de Mello Neto, Castro Alves, Jorge Amado e João Ubaldo, só para ficar nesses.

Não se pode negar o grande potencial nordestino nestas duas áreas, principalmente, mas a conclusão a que se chegou nas discussões em geral é que a região ainda é muito carente de investimentos, de apoio e incentivos dos governos federais, tanto na rica cultura popular e acadêmica, como nos setores da economia, da educação e da saúde. Também, não foi deixado de lado nos debates os aspectos da seca que, depois de séculos, continua sendo uma indústria de votos dos poderosos. Foi discutido ainda a questão do  fervor religioso expresso pelos nordestinos.

Nem é preciso dizer que o “Sarau A Estrada”, mais uma vez, varou madrugada, num ambiente de calorosas e acirradas discussões, mas de forma cordial, cada um respeitando a opinião do outro, como tem sido nosso lema democrático. Difícil controlar o grupo, a maioria composta de artistas que são avessos à organização e disciplina, mas a compreensão falou mais alto. Os cantadores violeiros fizeram o arremate final dos trabalhos entoando lindas canções nordestinas.

Para o próximo Sarau, marcado para o dia 9 de dezembro, como encerramento dos eventos do ano, foi sugerido o tema “Cultura e Memória”. Qual a definição de cultura? Existe uma cultura estritamente brasilis, ou ela é uma reprodução da cultura de outros povos? Somos simples imitadores? Por que de tanto vandalismo contra nosso patrimônio cultural, nossos monumentos, estátuas e outros bens históricos? É correto o termo de que os brasileiros não têm memória e pouco conhecem de sua história? São pontos de reflexão que vamos discutir no próximo encontro de dezembro.

A REVOLUÇÃO QUE SACUDIU O MUNDO (II)

ÀS PORTAS DA REVOLUÇÃO 

Com trapalhadas e tudo, vandalismos e vexames, sob o comando de Lênin, Stalin e Trotski, na madrugada de 26 de outubro de 1917, os revolucionários bolcheviques deram o golpe final e fatal no reinado do tzar Nicolau II, iniciando outra feroz ditadura.

A sucessão de erros do antigo regime na guerra e o agravamento da crise facilitou a ação intensa dos movimentos sociais, no período de 23 a 27 de fevereiro de 1917, em Petrogrado, derrubando uma autocracia de trezentos anos. Segundo os historiadores, foi uma revolução anunciada, mas inesperada. “Uma revolução anônima, sem líderes ou partidos dirigentes,” assim classificou o professor e pesquisador Daniel Reis Filho.

Como descreve Simon Sebag Montefiore, em seu livro “O Jovem Stálin”, o tiroteio, os tumultos e a alegria da “Revolução de Fevereiro” mudaram completamente o clima da capital. Carros blindados percorreram as ruas tocando buzinas, cheios de trabalhadores; garotas com pouca roupa e soldados acenavam suas bandeiras empunhando armas. Gráficas produziram jornais que representavam todas as opiniões políticas. Panfletos descreveram a ninfomania lésbica e lúbrica da imperatriz derrubada e suas orgias com Rasputin.

O tzar abdicou em dois de março, dando início ao fim dos Romanov. Criou-se um vácuo no poder, preenchido pela “Duma” com um governo provisório, encabeçado pelo príncipe Lvov. Formou-se, então, uma frente moderada-liberal (Kerenski) com cores capitalistas.

Foi decretada anistia geral aos presos e exilados, reconhecendo-se a liberdade de expressão e organização. Porém, a questão primordial para Lênin era salvar a revolução. O governo provisório continuava insensível, intransigente e agarrado ao conservadorismo político. Pouco se avançou. A agonia persistia com os conflitos. Esperava-se o fim da guerra.

Da Suíça, Lênin atacava o governo provisório e exigia paz com a Alemanha. Em Petrogrado, Stálin e Kamenev se aproximavam da direita e tentavam uma conciliação, para atrair os mencheviques radicais. Do exílio, Lênin começou a escrever cartas para corrigir os erros dos camaradas.

Incomodado com a situação, Lênin descobriu uma maneira de retornar. Com sua mulher Krúpskaia e seu companheiro Zinoviev, o líder embarcou num trem, se fingindo de surdo-mudo sueco. Através de suas armações, dominou o trem; aprovou a proibição de fumar; ditou as regras; e, em três de abril, parou com seu camarada e a mulher na estação Beloostrov, na fronteira russo-filandesa. Ainda no vagão da terceira classe, deu uma bronca em Kamenev: “Que diabo você anda escrevendo”? Stálin procurou disfarçar e recebeu o camarada, que naquela época tinha 46 anos e estava irado e violento, como assinala o escritor Simon Sebag.

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UMA LICENÇA PARA O TRABALHO ESCRAVO

O Brasil está conseguindo um feito inédito no cenário internacional que é retroceder aos tempos arcaicos do patriarcalismo das capitanias hereditárias e dos senhores de engenhos com a figura dos coronéis da “Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre, onde o senhor todo poderoso era o dono de tudo, além da terra e dos escravos, e a ele todos deviam obediência absoluta. Outro país do mundo não consegue tal proeza!

Assim caminha o nosso maltratado Brasil de hoje, recuando ao tempo passado remoto, diferente das outras nações que procuram cada vez mais aplicar medidas evolutivas no trato do ser humano, através da melhoria da educação, da saúde, da ciência e da tecnologia. O nosso país prefere andar na contramão do progresso social, de volta aos tempos primitivos e coloniais.

Como se não bastassem a terceirização em todas as atividades, as reformas trabalhistas e previdenciárias de dominação do capital e aniquilação dos cidadãos, privatizações e entreguismo do patrimônio público, as retiradas de proteção ao meio ambiente e até das mulheres vítimas da violência dos seus maridos, agora o mordomo de Drácula manda o Ministério do Trabalho baixar uma portaria que concede licença à pratica do trabalho escravo nas arcaicas lavouras ruralistas brasileiras.

Como forma de pagar os votos dos ruralistas da Câmara dos Deputados, os quais irão dizer sim ao relatório fajuto que o inocenta das acusações de crimes de corrupção, o mordomo presidente, antecipadamente, recompensa os oportunistas, premiando-os com a Portaria 1.129 que reduz o conceito de trabalho escravo, dificultando a sua caracterização e consequente fiscalização.

A mesma Portaria determina que a inclusão de empresas na lista suja do trabalho escravo passa a depender de ato do ministro, tirando a autonomia da área técnica, tornando mais difícil a comprovação do crime. No resumo da ópera, a Portaria equivale a uma permissão do rei para o uso do trabalho escravo, não só no campo como na construção civil e em outros setores industriais.

Logo mais deve vir aí decretos para o retorno de concessões de patentes nacionais de coronéis aos latifundiários da terra, títulos de barões, condes, duques, condessas e duquesas. A tropa de enrustidos, seguidora do mordomo, já está defendendo que, como pagamento ao trabalhador rural, basta o patrão dar a comida e a dormida. Eles devem estar maquinando outros retrocessos contra as liberdades de expressão, o avanço e as conquistas das mulheres, dos negros, dos gays e de todas as minorias.

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A REVOLUÇÃO QUE SACUDIU O MUNDO (I)

Pelos conceitos filosóficos materialistas de Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895) jamais o socialismo pregado por eles seria introduzido num país tão agrário e atrasado como na Rússia tzarista, sem o nível de consciência política e luta de classe como já existia em algumas nações da Europa Ocidental como Alemanha, Inglaterra e França.

Contrariando as teorias desses estudiosos, há cem anos (17 de outubro de 1917) estourou na Rússia uma revolução que sacudiu o mundo em plena I Guerra Mundial, influenciando depois outras revoluções com as mesma pegadas ideológicas na China (1949) e em Cuba, na América Latina, em 1959.

No Dia Internacional da Mulher de 1917, 23 de fevereiro no calendário juliano, a greve mais importante da história mundial começou com mulheres do setor têxtil em Petrogrado, conforme escreveu o historiador norte-americano Kevin Murphy, professor da Universidade de Massachusetts. As greves logo se generalizaram pelas cidades.

Enquanto os maridos lutavam no front da guerra, as mulheres trabalhavam 13 horas por dia num frio abaixo de zero grau em condições subumanas, tudo isso num regime brutal do tzarista que perdurava por séculos. Antes disso, os trabalhadores já tinham dado um grande exemplo ao mundo de auto-organização e poder, através dos sovietes, nos movimentos de 1905.

Diante de uma crise econômica e social profunda o regime tzarista não resistiu em 1917. Nicolau II foi obrigado a ceder, dando lugar a um governo constituído por socialistas revolucionários, cadetes e mencheviques que eram minoria.

De longe do seu exílio na Suíça, Vladimir Ilitch Lenin escrevia suas cartas em tom de manifesto dando suas impressões sobre os movimentos na Rússia e distribuía tarefas aos camaradas bolcheviques na luta de tomada do poder. No auge das greves tomou um trem blindado com destino à Estação da Finlândia e de lá para Petrogrado.

AS LUTAS REVOLUCIONÁRIAS

A Rússia começou a se agigantar a partir do século XVII com a dinastia dos Ramanov. Fortaleceu-se com Pedro, o Grande, no início do século XVIII. No seu trabalho “As Revoluções Russas e o Socialismo Soviético”, o professor e pesquisador Daniel Aarão Reis Filho descreveu sobre o império tzarista no final do século XIX quando era o maior Estado do mundo em tamanho (potência imperial), com população estimada de 132 milhões de habitantes (85% agrária vivendo em estado de miséria). Seu império chegava até ao Alaska, hoje dos Estados Unidos.

Toda burocracia de 500 mil funcionários era exercida pela polícia política, criada no reino de Nicolau I, entre 1825 – 1855, considerado responsável por todo atraso e repressão na Rússia. Mesmo no período imperial, onde predominava a tirania, a Rússia atravessou várias revoltas encabeçadas pelos jovens estudantes e camponeses, que exigiam reformas.

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O ENSINO CONFESSIONAL É RETROCESSO

É correto você catequizar uma criança para uma determinada religião? É certo as escolas darem aulas específicas de religião, ou apenas estabelecerem uma disciplina sobre história geral das religiões? E o ensino religioso confessional nas escolas públicas foi a decisão acertada do Supremo Tribunal Federal (STF)? Pelo resultado, a laicidade do Estado no Brasil não passa mesmo de uma retórica.

Para o espírita e fundador da “Cidade da Luz”, José Medrado, foi lamentável o voto do STF. Para ele, o professor poderá ensinar a sua própria religião. Na minha modesta leitura, foi um retrocesso e mais lenha na fogueira da intolerância.

Não vou citar atos de agressão religiosa por parte de fanáticos porque são muitos. Segundo Medrado, o Brasil está caminhando em marcha ré para perdas de conquistas individuais e coletivas por todos os lados. O que presenciamos é extremismo em tudo, não só de ideologia – afirmou.

Desde menino fui catequizado pela Igreja Católica e digo mais que sofri lavagem cerebral no meu tempo de adolescência no Seminário. Não vou aqui discutir questão de formação do conhecimento e aprendizagem escolar. Quem passou por isso sabe o que sente, e até hoje carrega consigo marcas, medos e conceitos conservadores difíceis de serem apagados. Confesso que hoje não sigo nenhuma religião e condeno expressamente o fanatismo.

No ensino religioso confessional, de acordo com o último parecer do Supremo, o aluno faz sua opção pela disciplina, ou seja, é uma matéria optativa na escola. Apesar da Religião Católica ser a mais disseminada por tradição cultural desde a formação do país, a Evangélica é a que tem hoje maior visibilidade e expansão.

Hoje não existe apenas uma bancada evangélica no Congresso Nacional, mas também nas escolas públicas. Para se ter uma ideia, quase 100% dos conselheiros titulares da criança e do adolescente de Salvador são evangélicos. As escolas privadas adotam o catolicismo cristão apenas como símbolo, sobrando apenas as unidades de determinadas irmandades ou ordens (Jesuítas, Maristas, Salesianos, Sacramentinas e outras) que são diretamente ligadas à Igreja Católica.

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A IMUNIDADE SEM LIMITES

Depois de longas discussões, amarra um texto ali, amarra outro acolá, maciotas e acertos, o Supremo Tribunal Federal (STF) terminou por consagrar a imunidade parlamentar sem limites, favorecendo a impunidade e de que a pregação da própria corte de que a lei é igual para todos não passa de uma simples retórica. Não é para levar a sério.

No exame da ação se uma cautelar do judiciário maior do país que pune um parlamentar pelos seus crimes é para ser cumprida, ou tem antes que passar pelo crivo das duas casas legislativas, a impressão que ficou é que o Senado emparedou o Supremo, e os homens que se dizem representantes do povo são mesmo intocáveis.

O que houve foi uma acomodação entre os deuses dos três poderes, cada um ditando suas próprias regras e leis para serem cumpridas somente pelo povo que a eles devem total obediência, sob pena de cadeia. Esquece esse negócio que foi dito de que o Supremo é guardião da Constituição.

Foi só uma turma do STF decidir pela punição do senador Aécio Neves por crime escancarado de corrupção, para o Senado deixar bem claro que não ia cumprir a ordem, mesmo que o Judiciário mantivesse a ação cautelar sem ter que passar por consulta da casa legislativa.

Caiu por terra a máxima da ministra Carmen Lúcia que disse que a lei era para todos quando assumiu a presidência do Supremo. Era só uma afirmação, como tantas outras por aí que acontecem no Brasil, sem efeito concreto. Ainda teve gente que acreditou nessa balela, como acha que o voto para obrigar que o mascarado revele sua identidade.

Não dá mais para confiar num Supremo que não reage ao ser abertamente criticado por um dos seus membros, no caso o ministro Gilmar Mendes, que classificou as decisões dos colegas como planfetárias. Quem tem um membro desse em seu colegiado, não precisa de inimigo.

Pela “melhoria do Brasil”, pela governabilidade, pelas emendas parlamentares, pelos cargos e pelas reformas que vão beneficiar as elites empresariais e políticas, o mordomo de Drácula, mais uma vez, será inocentado dos seus crimes. Com essa decisão salomônica do Senado, quem vai agora ser o guardião da Constituição?

 

INTERVENÇÃO MILITAR É DITADURA

O que leva uma pessoa, inclusive com representação política, a ver e a pedir como saída para o caos ético e moral do país uma intervenção militar, caminho para uma ditadura? Primeiro sua formação conservadora e retrógrada em pensar que tudo se resolve na base da violência e da arbitrariedade. Segundo, a ingenuidade e a falta de reflexão racional dos fatos antes de seguir ideias de um grupo que se encaixa na sua mentalidade, e terceiro o desconhecimento da história, o que faz repetir os mesmos erros do passado.

Mais recentemente, o vereador conquistense, David Salomão, com um passado de truculência numa greve de militares na Bahia, veio a público e da tribuna da Câmara Municipal defendeu uma intervenção militar. Fez mais ainda: Instalou quatro outdoors pela cidade fazendo apologia à volta das forças armadas. A palavra “intervenção” foi estampada em destaque, tendo a bandeira do Brasil ao fundo e, no lugar de “Ordem e Progresso”, as peças trazem o termo “Em Progresso”, abaixo de “intervenção”.

Ainda bem que a Câmara de Vereadores repudiou o ato e houve protestos de estudantes e professores da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb onde próximo estava colocado um desses cartazes. Todos classificaram a atitude como insanidade do defensor. A placa foi destruída pelos alunos. O ex-deputado Emiliano José, torturado pela ditadura, disse ser preciso estar alerta e emendou que “a cadela do fascismo sempre está no cio”.

Na sua “justificativa”, o vereador David Salomão diz ter feito a publicidade no sentido de que precisamos de uma intervenção em virtude do caos no atual cenário político em que vivemos. Afirmou ainda defender uma intervenção militar até as próximas eleições. Oh quanta ingenuidade e desconhecimento da nossa história! Ou será que ele está colocando a sua presunção acima do saber?

Só para citar algumas passagens mais marcantes da nossa história, o golpe de 1930 que colocou Getúlio Vargas no poder só terminou em 1945, com início de uma repressão pela decretação do Estado Novo em 1937. Em 1964, as forças armadas deram um golpe na democracia (até hoje eles, os generais, chamam a dita cuja de revolução) com a promessa de logo convocar eleições em 1965. Acontece que a linha dura engrossou o caldo e a ditadura perdurou por mais de 20 anos. Está aí a grande ingenuidade dos que defendem uma intervenção achando que imediatamente os militares vão devolver o poder e autorizar eleições diretas.

O senhor parlamentar chamou os estudantes da Uesb, onde ele mesmo estudou, de marginais. Mas, quem está mesmo à margem da sociedade? Bem, a Universidade publicou uma nota de repúdio contra a veiculação da peça publicitária estampada à frente do campus de Vitória da Conquista.

Estamos mesmo numa encruzilhada difícil e nos causa mais temor e medo ver muita gente nas ruas sendo manipuladas para seguir os passos do retrocesso e da intolerância, pregados por gente do tipo Jair Bolsonaro e outros. O pior é que o radicalismo dos que lutam pelos avanços nas conquistas sociais e políticas também está visível e impregnada de ódio. Tudo isso nos leva ao medo e à insegurança  do viver Brasil.

GASTOS COM VEREADORES E FALTA DE TRANSPARÊNCIA

Sem contar as 1.807 câmaras de vereadores que nem prestaram contas ao Tesouro Nacional no ano passado, o povo brasileiro gastou R$11,6 bilhões com estes parlamentares de 3.761 dos 5.569 municípios. É muita grana que poderia está sendo investida em educação, saúde, saneamento, transporte público e segurança.

Além do volume alto de recursos, onde vereadores em muitas casas votam seus próprios salários, nomeiam amigos e parentes, outra situação grave é a falta de transparência, ou quando existe alguma divulgação em seus sites, os dados são incompletos, confusos e enganosos, dificultando a compreensão do contribuinte, a grande maioria leiga em questões contábeis.

Todo eleitor, por exemplo, tem o direito de saber, com bastante clareza, qual salário mensal do seu vereador, benefícios que recebe da tal verba de indenização, quantos assessores ele possui em seu gabinete, nomes de cada um deles, critérios de nomeação e suas respectivas remunerações mensais. Afinal de contas o dinheiro é dos impostos pagos pelos contribuintes.

A maioria das câmaras brasileiras não expõe essas informações precisas, como a Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista em seu portal de comunicação com o público, apesar de ter avançado em outros quesitos no que tange a transparência, isto em relação aos dois últimos anos. A comunidade precisa ser bem mais esclarecida.

Hoje o limite legal dos gastos dos municípios com as câmaras é com base em receita própria e transferências constitucionais da União. O presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos apresentou projeto onde a base passaria a ser exclusivamente da receita própria, isto é, de acordo com a capacidade do município de gerar receita, como acontece em vários países.

Estudo da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil mostra que dos 3.761 municípios que prestam contas, 707 gastam mais com as câmaras do que geram de receita própria (IPTU, ISS, taxas e contribuições). Atualmente, as receitas dos municípios são utilizadas para manter o legislativo.

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BAHIA SE DESTACA EM FRUTAS E ALGODÃO

A BANANA SUPEROU CULTURAS TRADICIONAIS

O valor da produção agrícola da Bahia, de R$15,7 bilhões no ano passado, foi menor que em 2015, em pouco mais de R$17 bilhões, segundo análise da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), mas o estado continua sendo destaque em frutas e algodão em relação a outras unidades da federação.

A área cultivada caiu de 4,9 milhões de hectares, para 4,3 milhões. A queda foi em decorrência das estiagens e das irregularidades na distribuição das chuvas, especialmente na região Nordeste.

Em fruticultura, a safra elevou a Bahia à posição de segundo maior produtor nacional, somente atrás de São Paulo e superando Minas Gerais. O cacau já foi o carro-chefe até o final dos anos 80, mas a soja é hoje o principal produto baiano, apresentando valor de R$3,5 bilhões.

Em valor, as frutas da Bahia renderam R$4,1 bilhões, sendo os municípios de Juazeiro, Wenceslau Guimarães, Bom Jesus da Lapa e Rio Real os maiores produtores. Em mamão, manga e maracujá, a Bahia lidera o ranking nacional.

Em soja, os municípios de Formosa do Rio Preto, São Desidério, Correntina, Barreiras e Luiz Eduardo Magalhães foram os maiores destaques.

A produção de banana, quem diria, em 2016 superou culturas tradicionais como o algodão, cacau, milho e o café. Passou a ser o produto mais valorizado na pauta agrícola, com destaque para Bom Jesus da Lapa, Wenceslau Guimarães e Barra do Choça, aqui no sudoeste, próximo a Vitória da Conquista.

Em algodão, a Bahia é o segundo maior produtor do país, sendo superado apenas por Mato Grosso. No município de São Desidério está concentrada a maior safra baiana, ficando em segundo lugar no ranking nacional.  O município de Sapezal, em Mato Grosso. Foi o maior produtor do Brasil.

O ESTRADEIRO DOS FESTIVAIS LAMENTA A FALTA DE APOIO

Com o pé na estrada e a sua inseparável viola sonora de nordestino valente, há 20 anos o poeta, cantor e compositor Walter Lajes vai ao encontro dos festivais de música e arte na Bahia e outros estados e sempre carrega em sua mochila o nome de Vitória da Conquista. Nessa lida artística de mais de 30 anos, o rei baiano dos festivais já participou de mais de 200 eventos e guarda em sua casa como recordação uma bagagem entre 40 a 50 troféus.

Como um verdadeiro caçador de festivais desde o final dos anos 80 e início dos 90 quando ainda não existia a internet, Walter Lajes, uma junção de Walter Luiz Araújo de Jesus, faz tudo isso com muito sacrifício, prazer e amor para projetar e divulgar seu trabalho, e claro, ganhar uma grana para seu sustento, mas lamenta e critica a falta de apoio logístico e financeiro do poder público em geral e da iniciativa privada que quase nada investe na cultura.

Mesmo diante das dificuldades para conseguir um patrocínio, Lajes garante que vai continuar pegando a estrada para seus festivais, mas em tom de desabafo disse estar decidido a não mais representar o nome de Conquista se não houver uma ajuda municipal. Desde quando veio de Ribeira do Pombal (BA) onde se criou e se sente filho da terra, o artista se fixou em Conquista e louva a cidade onde também lhe deu régua e compasso.

Na terra de Elomar e Glauber Rocha, cheia de talentos valiosos em várias linguagens artísticas como na música, na literatura, no teatro, na dança e no cinema, Walter não entende como esta grandiosa cidade é tão carente de atividades culturais, com tão pouco apoio dos setores público e privado. Sabemos que a Secretaria de Cultura tem se esforçado para apoiar o setor e os artistas, mas esbarra na contenção de recursos disponíveis na pasta.

Walter já rodou por várias cidades da Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e até no Pará, em Marabá. Agora entre os dias 12 e 14 de outubro  estará mais uma vez representando Vitória da Conquista no “Mucuri Artes”, terceiro festival, na cidade de Carlos Chagas, em Minas Gerais, com a música “Vaticínio Marteliano”.

TRAJETÓRIA PROFISSIONAL

Apesar dos obstáculos, com sua voz forte e segura, letras firmes sobre as questões existenciais da vida, com foco na cultura nordestina, o menino pobre filho do mecânico de máquinas pesadas, Waldemar Araújo de Jesus com dona Maria Rodrigues Morais pretende tocar sua obra com a mesma intensidade dos anos 90 quando se tornou um profissional da música.

A vida do artista que nasceu no interior do Paraná, mas faz questão de dizer que é baiano da gema porque aqui chegou ainda bebê de menos de um ano, é digna de um romance, baseado em fatos reais, mas isso já é outra história a ser contada. Antes de se fixar em Ribeira do Pombal onde teve sua melhor infância e começou sua carreira artística, ainda criança Lajes foi com seu pai para o Rio de Janeiro.

Entre os 15 e 18 anos fez interpretação teatral e participou de um grupo de jovens da Igreja Católica na cidade baiana. Foi ai que nasceu sua veia poética se estendendo à composição com ajuda e apoio do amigo de nome “Caboclinho”. Com o violão do primo deu seus primeiros acordes tocando os clássicos de Guilhermano Reis.

Vendo seu dote artístico, em 1987 seu pai comprou um vilão na Mesbla em prestações em que ele pagou uma parte trabalhando como vendedor de uma loja de roupas em Salvador, ao mesmo tempo em que estudava no Colégio Central da Bahia. O instrumento Walter guarda até hoje com muito carinho e dele extraiu grandes composições vencedoras dos festivais. De olhar matreiro como um sertanejo diz: “Esta viola é a minha inspiração”.

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