Entra governo e sai governo, principalmente os de esquerda, mas ninguém tasca na ganância e na avareza absurdas do sistema financeiro brasileiro que massacra os mais pobres com seus juros escorchantes e escandalosos como os mais altos do mundo capitalista.

Para não dizer outras palavras, esse sistema é criminoso e conta com o aval dos governantes e políticos, inclusive dos que se arvoram ser socialistas. O maior endividamento das famílias é culpa dos banqueiros, operadoras de cartões de crédito e financeiras que praticam a brutal agiotagem oficial, carimbada pelos poderes da República. Eles não têm nenhuma moral de condenar os agiotas clandestinos.

Esse desenrola que criaram agora para tapear os otários não passa de uma enrola, um tipo de estelionato 171, aplicado na população que depois de uma conversa de “negociação”, o indivíduo sai todo contente, não sabendo que continua encalacrado, seja através do parcelamento das prestações ou com um pouco da redução dos juros estratosféricos.

Por questões pessoais que aqui não veem ao caso, esqueci de pagar duas parcelas do meu cartão de crédito – e olha que sou um cliente correto e em dia com minhas obrigações – coisa na faixa média de 200 reais por mês. Quando descobri já estava no valor de quase R$1.600,00. Um tremendo susto!

Fui ao banco para “negociar” como se diz no popular. A atendente me deu duas opções terríveis, mas fui obrigado a escolher uma, a de parcelar o valor total em oito vezes e durante esse tempo não usar o cartão de crédito. Continuei enforcado, com a corda apertada no pescoço. Ainda comentei que o sistema é bruto. Claro que não sai de lá nada aliviado e alegre.

Estou apenas citando o meu exemplo, que serve para tantos outros. Cai na real, meu amigo camarada, porque o sistema financeiro não perde absolutamente nada com esses tais desenrolas de araque! Para os ricos do agronegócio e outros setores empresariais, a taxa é menor por causa das garantias dadas. Para o pobre da classe média (nem existe mais), a cobrança é outra bem maior, a chamada taxa de risco. Quando uns não pagam, os outros fiéis cobrem o suposto prejuízo. Portanto, não existem perdas.

De três em três meses, esses bancos principais, inclusive os públicos, como Itaú Unibanco, Santander, Bradesco, BMG, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal sempre apresentam lucros de bilhões em seus balancetes, com índices de aumentos em relação aos períodos anteriores. É o setor da economia que tem mais ganhos no Brasil. São uns verdadeiros vampiros que sugam todo sangue dessas almas penadas.

Para se ter uma ideia, se houvesse uma anistia total para todos os mortais aposentados e pensionistas dos créditos consignados, dos pessoais, dos microempresários e outras pequenas formas de tomar dinheiro emprestado desses bancos e financeiras no país, nem assim eles entrariam em falência, porque são séculos de exploração e “roubo”.

Desde o império eles já encheram as burras de dinheiro e se tornaram megas estruturas financeiras que contam com a proteção dos governos, eleitos pelos mesmos magnatas. Para completar, ainda temos o absurdo dos absurdos: Quando algum banco entra em falência por corrupção praticada lá dentro dos confortáveis gabinetes, o governo federal ainda entra com o socorro, com o dinheiro do contribuinte.

Além disso, ainda existem os famosos calotes quando muitos clientes perdem seus parcos investimentos ou têm que esperar por um bom tempo para receber sua grana parcelada, sem as devidas correções monetárias. Muitos são obrigados a entrar na Justiça e morrem sem receber o que lhe é devido.