De autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Pelo meu canto de tocador,

Um dia meu pai,

Me chamou de vagabundo.

Botei minha viola na sacola,

Gastando sola, girando mundo,

Com meu pranto profundo.

 

Do Oiapoque ao Chuí,

Chorei nas motosserras Amazonas;

Naveguei pelos rios das chalanas,

Entre fumaças do Pantanal,

Onde o homem destila seu mal,

Contra a fauna e a flora,

Manda embora o tuiuiú e a sucuri.

 

Como violeiro viajante,

Fiz um tour,

Pela cultura gaúcha do Sul;

Bebi das maiores fontes,

Nas terras do meu Nordeste,

Dos cancioneiros cabras da peste.

 

Como violeiro viajante,

Cortei pontes, estradas e montes,

Pelos canais dos festivais,

Desses rincões nacionais,

Espalhei minhas mensagens,

Nessas longas viagens.