Mais uma produção do jornalista Jeremias Macário sobre a destruição do meio ambiente

Da ficção nasce o real,

Em cenas chocantes,

De gemidos lamuriantes:

Labaredas lambem a terra,

Da serra derrete o gelo,

Pelo calor infernal,

Que vai esquentar o mar.

 

É o dragão soltando fogo,

O beija-flor pingando água,

E a campanha entra no jogo,

Pra ver quem consome mais,

Na disputa dos canais.

 

Quando se planta uma árvore,

Milhões são derrubadas,

Gases tóxicos vão ao ar,

O sal come o chão,

E só se vê destruição.

 

A conta nunca bate,

Nem existe empate,

Nesse diário planetário.

 

Em noites de orgias,

De caras taras de famas,

A fome revira o bagaço,

O bilionário caga no espaço,

E a floresta se arde em chamas.

 

A mente cria outro invento,

Para a indústria lucrar;

Lá fora sopra um vento,

Como alma penada a vagar.

 

O dia vai ficar escuro,

Em ruínas de monturo,

Sem mais fonte cristalina,

Só escorre esgoto de latrina;

Nem o vermelho pôr-do-sol,

Pra acender nosso farol.