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:: 24/ago/2022 . 22:12

A CULTURA E O TURISMO DEVEM SE UNIR PARA BEBER DA MESMA FONTE

Como vender Vitória da Conquista para o turista de outros estados, de modo que ele aqui fique por três ou mais dias rendendo dividendos para a cidade? Só por ser uma cidade do frio? Que tem um bom sistema privado de saúde e gera bons negócios? Pelos biscoitos que produz ou pela gastronomia? Pelas suas festas de São João e Natal? Só com os nomes de Glauber Rocha e Elomar Figueira? Nessa panela não estão faltando mais ingredientes atrativos?

São perguntas que, em minha opinião, o próprio Plano Municipal de Turismo, que ora está sendo construído e concluído, deve fazer. Não está faltando aí um Plano Municipal de Cultura para que unidos os dois possam beber da mesma fonte? Não é somente citar os grandes nomes famosos que divulgam Conquista, mas possuir um arcabouço de eventos culturais fixos que tragam gente de fora, não somente da região. O turista da saúde vem apenas cuidar de seus doentes.

Não sou muito entendido em projetos e planos, e sei que essa tarefa é para consultores e especialistas no assunto. Não é fácil sua elaboração porque carecem de pesquisas e diagnósticos. No entanto, acho que o mais difícil é colocar tudo em prática, se não existirem elementos vivos da cultura para que o turista se sinta motivado a se deslocar do seu estado ou região para visitar Conquista.

Não bastam ter o São João, o Natal, o Festival de Inverno (mostra de shows musicais), se não temos feiras literárias, festivais de música, de teatro, de dança, de audiovisuais, de cinema, como exemplo em Gramado, salões de artes plásticas, todos com premiações. Tudo isso e mais você vai encontrar num Plano Municipal de Cultura que o Conselho está lutando para implantar, de modo a alavancar o Plano de Turismo.

Além de tudo isso, temos que rever e debater a questão da conservação do nosso patrimônio material e imaterial que, na verdade, necessita de conservação e revitalização. Todos sabem que não temos um centro antigo, como em Salvador e outras grandes cidade, porque o nosso de Conquista foi praticamente destruído pela ganância do setor imobiliário.

Na situação atual, no âmbito municipal, infelizmente não temos espaços para apresentações de artes cênicas. O Teatro Carlos Jheová está interditado há uns dois anos. O antigo Cine Madrigal, administrado pela Secretaria de Educação, virou um impasse. A Casa Glauber Rocha, onde deverá ser um local multifacetado, abrigando várias artes (cinemateca), também não sai das discussões. O Museu Padre Palmeira, o Monumento do Cristo, a Praça J. Murilo (Praça Céus, no Alto Maron) precisam ser reformados, reequipados e urbanizados. Os terreiros de candomblé são outros patrimônios importantes de vitalização turísticas. Como fazer com que eles sejam pontos visitados?

No campo do imaterial, Conquista precisa fortalecer nosso folclore (Ternos de Reis), não somente em final de ano, e outras festas populares que estão aí soltas na zona rural e nas periferias, sem o devido e merecido apoio do poder público, segundo comentam por falta de verbas. Tem a capoeira que deveria ter o seu lugar de apresentação pública, sem falar nos vários tipos de samba.

São essas peças essenciais que deverão estar inseridas no Plano Municipal de Cultura e que vão funcionar como engrenagem para o desenvolvimento do turismo. Como atrativos elas devem ser vendidas em propagadas institucionais e em campanhas lá fora através de feiras, panfletos, publicidades e matérias jornalísticas nas mídias, e até no “boca a boca”. Vamos sair dessa teoria e partir para a realidade,  mas tudo isso precisa de uma decisão política, colocando a cultura como uma das prioridades.

Não adianta pegar o dinheiro do contribuinte, elaborar um projeto caro e depois deixar numa vitrine. Ele precisa ser incluído na Lei Orçamentária do Município, para que funcione e gere emprego e renda, bem como fator de desenvolvimento para a cidade, inclusive na redução das desigualdades sociais. Não estou dizendo que vai ser mais um programa engavetado, mas um alerta para que a proposta de lei seja posta em prática, inclusive pelas outras administrações.

 





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