PESCADOR DE PENSAMENTOS
Mais um poeminha da minha lavra, Jeremias Macário, que em breve fará parte de uma obra intitulada “NA ESPERA DA GRAÇA”, só de textos poéticos. Aguardem!
Não sou de peixe pescar,
Nem em rio, nem em mar;
Sou mais da mata do orixá.
Curto minha cigana cabana,
Como recluso solitário,
Fugitivo dessa bruta sociedade,
Para ser pescador de pensamentos,
Sobre o sentido da liberdade.
Lá fora, o frio cortante,
No açoite dos ventos,
O coiote uiva no monte,
E a lareira aquece,
Minha prece,
Trazendo pensamentos,
Misturo Freud, Engls e Marx,
Na porta bate o Prudhon,
Também os antigos gregos,
Nietzsche, Tolstói e Sartre,
Existencialismos e ismos,
De Kafka, o niilismo,
De Shakespeare, o dom,
Na arte de viver sem apegos,
No dito pelo não dito,
Penso em Cristo,
No satanás maldito,
Que dizem ser mito.
A noite está se esvaindo,
A lua quase caiando;
Imagino não existir fronteira,
Como na origem dos tempos,
Quando amei aquela feiticeira,
Ladra do meu sonho,
Onde tudo lá deixei,
Para me tornar frei,
Pescador de pensamentos.
Nesse gelado inverno,
Escuto Círculo de Fogo,
Penso no céu e no inferno,
Nas palavras como jogo,
No fulk de Boby Dilan,
Milton, Raul e o pop Gil,
O bolero de Ravel,
Morricone e Joan Baez,
No som do piano de Elton John,
Que brotam de uma só vez,
Viçosos rebentos,
De pescador de pensamentos.
O sono no labirinto tombou,
Levando meus sentimentos,
De espírito cheio de dor,
Levanto com pensamentos,
De simples pescador.











