Entendo não ser somente eu, mas todos nós da sociedade estamos fartos dos discursos repletos de bordões, aqueles saídos da boca de certos políticos (não apenas deles) que sempre são repetidos com as mesmas palavras, tipos “enrroleiçhãos” que não saem do lugar e não apresentam novidade. Ouve-se hoje muito os termos empoderamento e resiliência, mesmo sendo mal-empregados. A maioria não compreende muito bem o que sejam.

O que quero dizer é que existe uma escassez de imaginação e criação quando se trata de determinados assuntos e temas, inclusive da própria mídia na repetição de matérias e notícias (novidades). Na maioria das vezes, a gente sente que já ouviu o mesmo arranhado filme, e pede para que mude de faixa. São os mesmos chavões que chegam a doer em nossos ouvidos. Pouco ficam de prático em suas “mensagens”.

Vamos diretos ao nosso ponto da questão. De acordo com Michaelis (2000), Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, empoderamento vem de empoderar, apoderar, meter-se na posse de; senhorear-se; deixar-se possuir. Exemplo: A saudade apoderou-se dele. Existe ainda apoderamento – ato ou efeito de apoderar-se. Posse violenta de alguma coisa.

O termo resiliência significa ato de retorno de mola; elasticidade. Ato de recuar (arma de fogo); coice. Poder de recuperação. Trabalho necessário para deformar um corpo até seu limite elástico. O sentido maior é poder de recuperação do indivíduo diante das adversidades que se agigantam nos momentos mais difíceis de nossas vidas.

Nesse Dia Internacional da Mulher (8 de março), o que mais ouvimos das entrevistadas e entrevistados foi a palavra empoderamento. Sinceramente, prefiro muito mais o uso de equidade e igualdade entre mulheres e homens na conquista dos espaços na comunidade. Gostaria de saber se rebolar num palco, exibindo-se como objeto sexual, é em si um ato de empoderamento?

Quem quiser pode me chamar de conservador, arcaico ou outra coisa como machista. No entanto, é bom pensar e refletir antes de falar, porque nesses tempos atuais da tecnologia e a da internet do celular na mão, as pessoas ficaram meio preguiçosas para praticar esses atos tão importantes para chegarmos à lógica, sem deturpações.

Empoderar, em minha opinião, remete a ter poder para subjugar os outros, como há séculos fazem nossos governantes no Brasil contra nosso povo. Não se deve tentar alcançar um alto posto, usando seu poder de opressão através de métodos inescrupulosos, e tenho certeza que mulher nenhuma age assim, como atualmente fazem os homens, inclusive guerreando. A mulher não precisa ser como o homem, apenas ser ela mesma com seu potencial e capacidade de atuar em qualquer função. Não precisa colocar a placa de feminista.

Então, sou mais a busca da igualdade entre todos, sem distinção de cor e gênero. Não interessa a pele, raça e nem o sexo. Esse negócio de empoderamento pode até criar animosidade e divisão. Devemos lutar com serenidade e cobranças de políticas públicas, para chegarmos ao tempo onde todas sejam iguais, não importando se é negro, branco, gay, LGBT, mulher ou homem.

Estão chegando as eleições, e os discursos das mesmices começam a bater em nossos ouvidos, com promessas de mudanças que se emperram sempre no empoderamento do poder, não importando os meios. Muitos movimentos, ao invés de unir num só objetivo que é a igualdade, terminam separando porque se apresentam com viés de ódio, racismo e intolerância, na base dos xingamentos e do fanatismo.