Poema inédito do jornalista e escritor Jeremias Macário, que leva o mesmo nome do seu livro

Oh quantos feixes de lembranças!

Daquela terra estéril e árida,

De gente sofrida de alma cálida,

A esperar algum agito do vento,

Para farfalhar as folhas da plantação,

Quando nessa travessia do tempo,

Resolvi partir em minhas andanças.

 

Como viajante dessas histórias,

Fui rasgar todas as divisórias,

Deixei meus pais e o meu amor,

Com lágrimas bateu no peito a dor,

Cortei pelo cemitério dos anjos,

Bem longe vi as meninas de tranças,

E segui com a mochila das andanças.

 

A noite na roça é fechamento de porta,

Aí fui girar mundo nas andanças,

Passei fome nas esquinas das vidas,

Entrei em muitos becos sem saídas,

Levei rasteiras, tropeços e foras,

Roguei por todas Nossas Senhoras,

Voltei como agrônomo doutor,

Para reanimar essa natureza morta.

 

As estrelas e a lua voltaram ao cio,

Meu amor me beijou quando me viu,

Do chão criamos filhos e bonanças,

Mas meus pais não resistiram o verão,

E se foram durante minhas andanças.