• (Chico Ribeiro Neto)

    Foi que nem um saco de pipoca domingo de tarde, chupar um caju vermelho e tomar uma cerveja bem gelada.

    É que nem você chegando de viagem, perder o medo de visagem e acender a luz no escuro.

    Foi que nem viajar no por do sol, vestir a velha calça ou tomar um sorvete de cajá.

    Que nem melancia aberta na hora, você chegou em boa hora, e aí rumbora.

    Como a lua chegando, um prato de andu com carne do sol e ver um girassol.

    Foi que nem ver o rio cheio, o coração vazio e o tio que deu um constipio.

    Que nem a curva do rio, a primeira namorada e a estrada esburacada.

    Como a estrela caindo, um cavalo passando e ela mergulhando.

    Foi igual a um beijo roubado, um soco bem dado e um tapa desferido.

    Como a feira de manhã, sonhar com onça e abrir uma manga rosa.

    Que nem acordar achando que a vida é boa, resolver andar à toa e o concerto dos sapos na lagoa.

    É que nem o olho do peixe, o rabo do macaco e o sofrimento da tartaruga.

    Como mordida de marimbondo, o grito furibundo e o olhar do moribundo.

    Foi como a cortina que voa, a água que escoa e aquela canoa.

    Foi que nem o canto do aniversário, o curió na janela e a voz dela.

    Parecia uma cantiga longe, mas estava bem perto.