Não são somente os prédios da Uesb que encantam, se bem que dentro deles brotam o conhecimento e o saber que devem ser compartilhados para os demais e não apenas ficarem fechados entre as quatro paredes dos próprios acadêmicos, o bambuzal, praticamente em sua entrada, passa uma sensação de que se está entrando no fundo de um túnel onde do outro lado está a luz. Sempre que tenho que ir à instituição superior de ensino, vem logo à minha cabeça o prazer de transitar ali por dentro bem devagar para apreciar a beleza poética da natureza. No momento, também me faz lembrar do lindo bambuzal na entrada do Aeroporto Internacional de Salvador, que deveria ter o nome de Castro Alves. É sempre prazeroso e faz bem ao espírito. O bambu, que tem sua origem há cerca de 65 milhões de anos, no final do período Cretáceo e início do Terciário, com dispersão na Ásia e nas Américas, é uma planta que balança, mas não cai, enverga, mas não quebra. Devemos ser como o bambu diante das intempéries da vida passageira, cuja morte a chamamos de a tirana. De acordo com pesquisas científicas, a China foi o primeiro local a cultivar a planta em larga escala, há mais de cinco mil anos. No Brasil existem mais de 260 espécies nativas do bambu, conhecidas como taquaras, usadas por povos indígenas. A palavra veio do Oriente, derivada de um idioma da Malásia. O bambu é uma das matérias primas mais versáteis do planeta. Pela sua resistência, é utilizada na engenharia e até na alimentação. Ele também recebe o nome de “aço verde”, substituindo a madeira e até o ferro em estruturas. Também é aproveitado na fabricação de móveis e objetos decorativos, como luminárias, persianas e cestos. As fibras podem ser transformadas em tecidos macios em roupas, lençóis e toalhas. O broto é um alimento tradicional e nutritivo na culinária asiática. No meio ambiente, o bambu sequestra grandes volumes de carbono e é usado ainda na produção de carvão vegetal de alta qualidade, bem como na industrialização de papel. Na cultural oriental chinesa e japonesa existem diversos provérbios, como “o bambu que se curva é mais forte que o carvalho que resiste”, “ o bambu curva-se, mas não quebra”, “o bambu leva anos para criar raízes, mas depois cresce em semanas”, “Para aprender sobre o bambu, vá até o bambu” e “seja como o bambu: oco por dentro para manter o coração leve”.