Poema de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Tem momentos

Que você fica sem norte,

Para o riscado do escrever;

Não adianta garimpar o corte,

Dele não sai a pedra brilhante,

Pois o tempo lhe mastiga,

Como animal ruminante.

 

As ideias voam na poeira

Da catinga seca do sertão:

É a danada matreira,

Senhora dona inspiração.

 

Quando foge a inspiração,

Sua alma tormenta padece,

Porque as palavras se vão.

 

Essa tal da inspiração,

É como o inferno e o céu,

Na briga entre Deus e o Cão,

Rasga-se tanto papel,

Que ao poeta, ou escritor,

Seja lá quem for,

Só lhe resta a solidão.

 

Dizem que a inspiração,

É coisa de entidade,

De outra encarnação,

Que cada artista,

Tem seu ancestral;

Faz pacto com o diabo;

Tem que passar fome e miséria;

Viver como eterno sofredor,

Para ser um grande criador.

 

A inspiração,

É como adubo em chão bruto,

Que faz da planta brotar o fruto.