( Chico Ribeiro Neto)
Cabelo colado de brilhantina, camisa bem engomada, caderno todo bem forradinho e sapato preto brilhando. Lá vem o CDF, aquele que só dá bom dia ao professor.
Sempre sentado na primeira fila, o CDF toma nota de tudo, até do espirro do professor.
Segundo os linguistas, o termo CDF surgiu de uma expressão popular usada por estudantes a partir da década de 70 (C. de Ferro). O apelido era direcionado a quem ficava sentado estudando por horas, sem se levantar, sem reclamar e sem dispersão.
Depois vieram outras variantes: o CDA (C.  de Aço) e o CDAI (C. de Aço Inoxidável).
Há uma observação atribuída ao jornalista e escritor Nelson Rodrigues de que o grande personagem da vida não  é necessariamente o primeiro da classe nem o último, mas aquele que encontra o próprio caminho.
O CDF é o primeiro a se apresentar quando o professor pede algum voluntário para ir ao quadro, e acerta todas as respostas.
Na igreja é ele quem segura aquela vela grande na frente do padre.
No recreio ele fecha a cara pras piadas de putaria, finge que está lendo e sonha em um dia estudar no Texas, Oregon ou Massachusetts.
CDF fica puto quando tira a nota 9,75. Ele nasceu para tirar 10 em tudo. É puxa-saco do professor e dedo-duro.
Quando vê um colega bagunceiro, grita logo: “Se não quer estudar, volte pra sua casa”.
O CDF é também o primeiro a se inscrever na equipe organizadora da XX Páscoa Estudantil. Ele só pede uma coisa nas orações: tirar 10 sempre.
Ele odeia jogar bola, “é perda de tempo”, e quando sai de férias fica doido pra voltar logo.
Dá presente à professora no Dia do Professor e no Dia das Mães.
Muito emocionada, a mãe do CDF está sempre à elogiá-lo : “Meu filho só pensa em estudar. Eu não preciso nem chamar ele pra fazer o dever de casa (hoje chamado de tarefa)”.
O CDF odeia política estudantil: “Escola é lugar de estudar, não de fazer política”.
O CDF vai pro céu? Ele tá estudando pra isso.

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