O “lá (ele” é uma expressão tipicamente baiana para reagir a frases de duplo sentido, insinuações sexuais ou brincadeiras. Significa “tô fora”, “não é comigo, é com outra pessoa”.
Fui comprar cinco espigas de milho para cozinhar. Cheguei na loja de hortifrútis e pedi ao empregado para descascar uns milhos para mim. Como sempre gosto de um pouco da palha do milho dentro da panela, pois dá mais gosto, falei pro cara: “Irmão, por favor, deixe um com palha e tire a palha de quatro pra mim”. “Lá ele. Isso eu aí eu não faço, não”. Somente aí caiu a ficha.
Algumas situações que cabem responder com “lá ele”:
“O senhor vai tomar sentado ou em pé?”, pergunta o garçom a quem você pediu uma cerveja.
“Quer receber agora ou pra semana?”, pergunta alguém sobre um pagamento a ser feito.
“Vai levar agora?”
Dois caras montando um sofá: “Você segura que eu empurro”.
O passageiro grita no ônibus: “Motorista, abra o fundo aí”. E o motorista: “Lá ele cinco mil vezes”.
Como diziam os antigos, “esse povo leva tudo pro buraco da maldade”.
“Rapaz, esse negócio entrou com força”.
“Vou ali comer”.
“É pra botar embaixo ou em cima?”, pergunta o empregado com uma caixa na mão.
“Coloco essas compras aí ou posso colocar no fundo?”
“Vai comer aqui ou vai levar?”, pergunta o garçom do bar que serve PF.
O caixa do supermercado vai registrando minhas compras. A bandeja de ovos é o último item e ele me pergunta: “Posso passar até os ovos?”. Um “lá ele” bem dado.
Um amigo foi a uma loja de material de construção comprar um produto similar ao WD, que é mais barato. Uma moça estava no balcão e ele perguntou, sem um pingo de maldade: “Você tem aí um líquido viscoso e penetrante?” “Lá ele”, respondeu ela.
O outro comprou uma caixa de copos e o empacotador perguntou: “O senhor vai levar em pé ou deitado?”
E teve aquele que comprou um pernil e o açougueiro perguntou: “Vai levar inteiro?”
“Quando deita, você dorme logo ou leva um pedaço acordado?”
Segundo a linguística, o “lá ele” é “um marcador pragmático de distanciamento”. Expressão antiga usada na Bahia, pode hoje ser considerada de cunho machista, mas já se entranhou na boca do baiano. Lá ele!