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:: 30/out/2026 . 23:36

O SARAU A ESTRADA VAI AO BAIRRO BRASIL

  Pela segunda vez o Sarau A Estrada irá à rua para levar cultura até o povo, seguindo a máxima do cancioneiro Milton Nascimento, de que “o artista deve ir onde o povo está”.  O evento está marcado para o próximo dia 14, das 16 às 19 horas, na Praça Mármore Neto, ou “Praça do Boneco” como é conhecida popularmente.

   Desta vez nossos artistas vão usar os equipamentos da Carreta da Cultura, da Secretaria Municipal de Cultura, para passar suas mensagens através da música, declamação de poemas, contação de causos e outras expressões e linguagens artísticas, sempre procurando interagir com a população que está convida a participar das nossas atividades.

   A primeira vez estivemos na Praça Nove de Novembro e contamos com o apoio de compositores e cantores da cidade, grupos de poetas, capoeiristas e uma exposição de peças artesanais da “Kokos e Kabaças”, do nosso companheiro músico e cantor Walter Lajes.

  O formato deverá ser o mesmo com apenas algumas modificações e adaptações, só que estamos saindo do centro da cidade, onde realizamos nosso primeiro sarau, para o Bairro Brasil, conforme decidiu nossa Comissão Organizadora, formada por Cleu Flor, Dal Farias, o cantor e publicitário Alex Nery, professor Itamar Aguiar, a atriz Edna Brito, os músicos Manno Di Souza e Dorinho Chaves, Conça, Cleide, Vandilza Gonçalves e Jeremias Macário.

  Para o próximo ano, o nosso propósito é levar o nosso Sarau até as periferias de Vitória da Conquista, aos distritos e povoados do município. Outra iniciativa é sair de Conquista para outras cidades da região e do estado, como a Lençóis, na Chapada Diamantina.

   Para quem ainda não sabe, o Sarau A Estrada completou 16 anos de existência e nasceu em 2010 entre um grupo de amigos com o nome de “Vinho Vinil”, visando valorizar a boa música popular brasileira gravada em discos de vinis.

    Durante esse tempo, o Sarau A Estrada desenvolveu diversos projetos, como CD, DVDs, vídeos durante a pandemia e chegou a se apresentar no Teatro Carlos Jheovah que se encontra fechado há cerca de quatro anos, bem como o Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha.

 Pelo seu trabalho, foi laureado pelo Conselho Municipal de Cultura com o troféu Glauber Rocha entregue pela Câmara de Vereadores. Nesses anos de existência, sempre funcionou no Espaço Cultural A Estrada e se tornou um evento bimensal que reúne artistas, jovens estudantes, professores, intelectuais e pessoas interessadas pela cultura.

 Temos sempre um tema de abertura, seguido de cantorias, declamação de poemas, contação de causos e a troca de conhecimento e saber entre seus membros. É um Sarau colaborativo de portas abertas onde todos contribuem com seu funcionamento.

COMO OCORREU O COMBATE EM ANGICO E O PLANO PARA O ATAQUE

“DEPOIMENTOS”

   O escritor Antônio Amaury Corrêa de Araújo, em sua obra “Assim Morreu Lampião” descreve em detalhes, através de depoimentos de coiteiros, barqueiros, soldados e cangaceiros que conseguiram fugir, como aconteceu o combate na fazenda Angico, em Sergipe, e a trama montada pela tropa do tenente Bezerra que resultou na morte do “rei do cangaço”, Maria Bonita e mais nove bandidos do seu bando.

  O Joca Bernardo foi o principal delator, sem caráter e escrúpulos e fazia o papel de X9 para a tropa e coiteiro para Lampião. Nos depoimentos fica bem explicito o seu papel de um sujeito safado, o tipo de espião duplo que até traiu o amigo Pedro de Cândido, forçado através de torturas, a dizer onde estava o coito de Lampião.

  Nos depoimentos, Amaury entrevistou José Panta de Godoy, o soldado que chegou a atirar na cabeça de Lampião enquanto ele se contorcia no final da sua morte. Na linguagem matuta caipira, narra os depoimentos de Adilia, mulher do cangaceiro Canário, Cila Ribeiro de Souza, companheira de Zé Sereno e Pedro Benga, dono das canoas com as quais o tenente transportou a tropa na noite de uma quinta-feira de 28 de julho de 1938.

  Ouviu também João de Almeida Santos, o Joca Bernardo, morador da fazenda Novo Gosto, município de Pão de Açúcar, Cícero de Martins, um dos barqueiros que levou a tropa de Piranhas até Entre-Montes para procurar Pedro de Cândido, Durval Rodrigues Rosa, o coiteiro irmão de Pedro, Abdom Cosme de Andrade, autor do primeiro tiro contra os cangaceiros, Balão, o bandido que conseguiu sobreviver ao combate, Antônio Jacó (Mané Veio), braço direito de João Bezerra, Francisco Rodrigues Pereira, político e comerciante de Piranhas (Alagoas), Mané Feliz, um dos coiteiros de Lampião e Waldemar Damaceno dos Santos, o telegrafista da cidade de Piranhas que transmitiu a mensagem sobre a presença do bando na área a mando do sargento Aniceto, dizendo “tem boi no pasto”.

  Sobre o cangaço e a imprensa, o “Estado de São Paulo” publicou em 3 de agosto de 1938 um artigo intitulado “Lampião. O mesmo periódico divulgou em 16 de agosto o comentário sobre “A Cabeça de Lampião” criticando o sensacionalismo sem limites com relação aos fatos relatados por determinados jornais, inclusive com notícias falsas.

   O editorialista sobre “Lampião”, do Estado de São Paulo, destaca que “a imprensa carioca, possivelmente todo jornalismo indígena, tem comentado largamente a façanha das forças volantes de um dos estados do Nordeste, que acabam de eliminar o sinistro “Lampião”.

  Fotografias dos “heróis” das milícias estaduais, tudo isso, juntamente com “clichês” que focalizam aspectos do reduto geográfico em que estalou o choque, tem sido publicado com abundância e destaque pelas folhas brasileiras. Aqui tenho dito, mais de uma vez, quanto me repugna e quanto julgo prejudicial esse procedimento da imprensa. Não me surpreende que envenenando a mentalidade popular e alvoraçando o sistema nervoso de uma população sabida e proclamadamente nevropata.

   Entretanto, neste caso triste, é necessário que nos bastamos, mais uma vez, contra esses processos de jornalismo. Amanhã – pois não faltam remetentes graciosos – alguns exemplares desses jornais transporão o Atlântico e irão parar sobre a mesa do secretário de grandes jornais europeus ou estadunidenses. É a hora! Os sensacionalistas, que os há também lá estão, aos olhos das multidões de países mais civilizados, alguns aspectos do interior do Brasil!

  Nisso tudo, o que acho mais lamentável é a atitude dessas pessoas de responsabilidade. Não se pode negar que o “cangaço” é um flagelo tão grande quanto a das secas periódicas, o da falta de transportes, o da crendice das populações sertanejas que acreditavam na invulnerabilidade do facínora de “corpo fechado”. Todos esses males, entretanto, provêm única e exclusivamente, como todos têm dito, da falta de cartilha.

   Alfabetizem-se os sertões e adeus bandidos, adeus santos e “coiteiros”. Por que o governo não ouve aquela voz admirável, aquele homem que encarnou todo o país consciente, deplorando a luta, diagnosticando-lhe as causas, ao escrever aquele momento que se chama “Os Sertões”? Por que continuamos surdos àquela voz de compaixão e de protesto à terrível acusação que fez Euclides contra a represália do banditismo?” – F”.





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