Foi necessário um choque de realidade no primeiro turno das eleições presidenciais, quando o adversário bolsonarista ficou em vantagem em relação ao candidato Lula, para que o PT e as esquerdas em geral voltassem a procurar suas bases e mobilizasse o povo nas ruas.

   Em meu entendimento, a mobilização popular, aquele método analógico tradicional, foi fundamental para a virada, sem menosprezar, é claro, a comunicação virtual nas redes sociais. O Lula poderia ter vencido no primeiro turno se esta ação tivesse sido colocada em prática desde o início da campanha.

   Em comentário que fiz quando começaram as eleições, cheguei a dizer que somente a mobilização popular nas ruas venceria a disputa e critiquei as esquerdas, principalmente o PT, por terem esquecidos suas bases desde quando o partido foi fundado, em 1982.

   Quando o povo foi às ruas com suas bandeiras e cartazes em defesa da democracia, tive a sensação da volta daqueles movimentos de outrora, unindo trabalhadores, jovens estudantes, as mulheres, professores, os idosos aposentados e outras classes desfavorecidas na luta pelo bem da nação.

   A mobilização agiu como um tratamento de choque, além de ter    sensibilizado e despertado a consciência do eleitor indeciso e daquele que não votou no primeiro turno, a ir às urnas e fazer a virada que, na análise de muitos, inclusive dos institutos de pesquisas, era praticamente impossível.

   O trabalho nas redes sociais foi importante, mas não foi decisivo tanto quanto a mobilização popular, o corpo e corpo, o olho no olho, como se fazia em tempos passados através dos comícios, folhetos, adesivos e no convencimento das palavras. A mobilização fez mostrar de que o voto no Flávio Bolsonaro era um voto contra o país, não importando a rejeição ao Lula por vários motivos que todos sabem.

     Esta paulada no primeiro turno e a mobilização nas ruas devem servir de exemplo de que o PT precisa baixar sua guarda; ser mais humilde; fazer sua autocrítica e preparar nomes fortes dentro das esquerdas, seja qual for o partido, para disputar as próximas eleições e impedir o retorno da extrema direita, não apenas na majoritária.

  Esse Congresso Nacional, com maioria de conservadores de direita, precisa também ser mudado, bem como as assembleias estaduais e as câmaras de vereadores. Isso só é possível se a esquerda mudar seu velho discurso e trabalhar junto às suas bases.

   Esperamos que o resultado do primeiro turno e a mobilização popular, realizada no segundo, sirvam de exemplo de que muita coisa precisa ser mudada para que o povo sinta a necessidade de que o país não pode mais conviver com a arbitrariedade sob o jugo de uma opressão ditatorial.

  Essa mobilização nas ruas precisa continuar viva, vigilante e constante, sobretudo agora em que o Congresso Nacional tem maioria de oposição ao governo, com ideias burguesas, oligarcas, nazifascistas e conservadoras.

  As redes sociais têm o seu papel, mas acomoda o cidadão no sofá da sua casa, enquanto a mobilização popular tradicional serve como forte aliada e alimento para que o Governo de Lula possa aprovar projetos, programas e pautas em benefício do povo, especialmente nas áreas trabalhista, previdenciária, da educação e da cultura.