outubro 2026
D S T Q Q S S
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

:: 24/out/2026 . 0:30

AS VERSÕES DA IMPRENSA SOBRE O CANGAÇO SÃO DESENCONTRADAS

   A literatura sobre o cangaço no Nordeste, principalmente na época de Lampião, é vasta e a grande maioria dos escritores usou com uma das principais fontes para suas pesquisas a imprensa da região, do Rio de Janeiro e São Paulo, só que muitas das informações são desencontradas e outras infundadas.

   Lampião, inclusive, ficava injuriado e tinha acessos de raiva quando falavam coisas sobre ele que não condiziam com a realidade. Existia muito sensacionalismo nas notícias para vender mais jornais.

  Poucos jornalistas chegaram a entrevistar Lampião, a não ser em 1926 quando o “rei do cangaço” esteve em Juazeiro do Norte (Ceará) para se integrar aos “Batalhões Patrióticos” contra a Coluna Prestes, iniciativa do deputado Floro Bartolomeu e o do padre Cícero Batista Romão, o “Padim Ciço”.

   Em agosto ou setembro daquele ano lá estiveram repórteres do jornal “O Povo”, de Fortaleza e “Jornal do Comércio, de Pernambuco.  Fora isso, quem depois esteve com Lampião foi o sírio-libanês Benjamin Abraão que fez um documentário sobre seu bando, em 1936, trabalho este proibido de ser divulgado por Getúlio Vargas e que se perdeu com o tempo.

   Em geral, as notícias sobre a ação dos bandoleiros eram desencontradas e muitas infundadas porque se tratavam de versões dadas pelo povo, que se baseavam em boatos, sem levar em consideração que muitas reportagens eram feitas por telefone, através de depoimentos de oficiais das volantes, de prefeitos e governadores que contavam só um lado dos acontecimentos.

   Como até meados do século XX o Nordeste era uma região de difícil acesso e violento por causa do banditismo, as empresas jornalísticas (a imprensa escrita) procuravam evitar o envio de seus jornalistas ao local dos embates, acompanhando as tropas de combate. Não era uma prática usual.

   Os jornais de Fortaleza, de Recife, Os Diários Associados, A Noite, do Rio de Janeiro, o Estado da Bahia, o jornal A Tarde (Salvador) e pequenos periódicos do interior foram os que mais divulgaram fatos sobre o cangaço. Mesmo assim, as notícias chegavam atrasadas e não eram bem apuradas e checadas.

    Quando Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros foram mortos pela tropa do tenente João Bezerra, em Angicos (Sergipe), as notícias procederam das agências Nacional e Meridional e da sucursal do Diário de São Paulo.

  Entre as versões que não batem, alguns jornais, por exemplo, chegaram a colocar o cangaceiro Ângelo Roque, o Labareda, como morto em Angicos quando, na verdade, ele não se encontrava no local. Uns chegaram a dizer que mataram Maria Bonita ainda viva, o que não foi comprovado.

  O Diário de São Paulo chegou a escrever que o pai de Lampião, o José Ferreira da Silva era um facínora e que foi morto em combate contra a força da polícia alagoana comandada por José Lucena Maranhão. O pai em vida demonstrou ser pacato, sempre fugindo das perseguições e foi fuzilado quando debulhava milho em sua casa.

   Portanto, os jornais e testemunhas sempre foram e devem ser fontes importantes de pesquisas na elaboração de obras sobre o cangaço, mas não são totalmente confiáveis. Os dados precisam ser checados e complementados através de documentação da época.





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia