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:: 2/out/2026 . 23:53

O NÍVEL DAS ELEIÇÕES SÓ BAIXA

  Por 35 dias transitaram os candidatos na televisão e no rádio no horário da propaganda eleitoral, sem propostas, sem pautas de trabalho, sem projetos e planos, num baixo nível do tipo conversas de botequim.

  Como eleitor e cidadão, me senti um lixo e envergonhado desse Brasil onde impera a decadência em todos setores, e a tendência é piorar enquanto não houver uma reforma política que ajuste igualdade a todos em termos de tempo e recursos, além de outras aberrações que precisam ser liquidadas.

  Não vou aqui alimentar ilusões de que se faça uma reforma política séria porque eles não querem, não importando qual ideologia sejam ou tenham. Então, vamos continuar juntando os cacos dos paradoxos, das incoerências e das contradições.

  Fiquei atento para ver se alguém falasse sobre cultura e, somente um tocou no assunto, mesmo assim de forma superficial como aquele tipo de propaganda subliminar. Nenhuma voz dos intelectuais, dos artistas e dos fazedores de cultura sobre esta questão.

   Não dá aqui para ficar relatando as barbaridades, a desmoralização das instituições brasileiras e o baixo nível político a que chegamos porque seria uma perda do meu precioso tempo. É como se alguém perguntasse o que achou sobre um determinado evento e, simplesmente respondesse, sem comentários.

  Durante toda essa jornada pecaminosa, cheia de promiscuidade, fanatismos, mentiras e falações genéricas, quem mais saiu enlameada foi a nossa já frágil democracia, esta que vem sendo vilipendiada e apedrejada como se fosse uma “Geni”.

A MORTE DO “PADIM CIÇO”

    Por paralisia intestinal, aos 90 anos de idade, morre em 20 de julho de 1934, em Juazeiro do Norte, o padre Cícero Romão Batista, o “Padim Ciço”, o todo poderoso do sertão nordestino que chegou a derrubar um governador do Ceará e era inimigo ferrenho da Coluna Prestes, cujo comandante Luís Carlos Prestes era considerado por ele um satanás saído dos infernos da Rússia.

  A notícia correu como rastilho de pólvora e logo chegou aos ouvidos de Lampião e seu bando através da sua rede de olheiros, coiteiros e espiões. Embora não se encontrassem por cerca de oito anos, o “rei do cangaço” sempre tinha o sacerdote como seu grande protetor espiritual e ficou muito consternado com seu falecimento.

  Um poeta anônimo chegou a fazer esses versos: “O vento silenciou,/O sol apagou a luz,/A imagem do Senhor/Chorou pregado na cruz./A terra quase tremia/Sua morte parecia/Com a morte de Jesus”

  Narra o escritor Frederico Bezerra Maciel, em sua obra “Lampião, seu Tempo e seu Reinado” que o pesar do “capitão” foi profundo, de um silêncio absoluto e todas mulheres choraram. O chefe mandou logo comprar faixas de crepe para o luto de oito dias. Todos cangaceiros usaram fumo no braço. As mulheres ló tingido de preto cobrindo a cabeça.

  Lampião ordenou que cortassem duas toras finas de pereiro, em tamanho desigual e com elas formou uma cruz. Na haste superior, enlaçou um pedaço de tarja, “que o vento drapejava anunciando de longe o luto do sertão”.

  De acordo com Bezerra, “à noite, por uma dessas circunstâncias que desconcertam o pensamento e despertam presságios, uma nocticanora mãe-da-lua pousou no braço horizontal do cruzeiro. Até a madrugada, enquanto durou o escuro, soltava seu canto estranho e plangente”

   Conta a história que a mãe-da-lua começou com seu canto alto, depois descia em escalas de notas uivantes e muito longas, como gemidos sofridos de moribundo desesperado de dor. Na descrição do autor do livro, os sons rasgantes davam a impressão de gargalhadas sarcásticas e apavorantes. Era a morte zombeteira mangando da dor sertaneja.

  Aquele canto da mãe-da-lua, segundo Frederico, deixou Lampião sobressaltado a noite inteira, com sonhos e pesadelos. Pela manhã, confidenciou a Maria Bonita seu pressentimento de que o “Padim Ciço” viria buscá-lo em um fim do mês de julho.

  Oito dias depois, no fim do luto, a mãe-da-lua voltou a cantar e a repetir os mesmos lamentos no cruzeiro erguido no alto da caatinga. Lampião teve os mesmos sonhos, inclusive nos anos subsequentes. Crendice, ou não, Lampião seria morto, na gruta do Angico, em 28 de julho de 1938.





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