Autoria  do jornalista e escritor Jeremias Macário

A benção, meu “Velho Chico”!

Criatura das águas milenares,

Barrentas e canoras,

Das lavadeiras senhoras,

Da Canastra nascente,

Que deu vida e abrigo

À fauna e à flora,

A toda essa gente,

Da aurora ao poente.

 

Teu nome mesmo é Opará,

Grande fluente rio-mar,

Dos xokós, tuxás-hariris,

Deus salve teus ancestrais,

Tapuias e tupis-guaranis,

Guerreiros valentes e animais,

Desses vários brasis.

 

A benção, meu “Velho Chico”!

De alma bondosa e pura,

Que sempre destes fartura,

Ao pobre e ao rico.

 

Oh, senhor, majestoso do Nordeste!

Que atravessas todo este agreste,

Espalhando o fruto e a flor,

Do teu ventre o peixe a borbotar,

Perdoai todo o mal e dor,

Que te fez por dentro sangrar.

 

Em tuas margens,

Pelo fuzil e pelo punhal,

Foi derramado o sangue nordestino,

Entre o sertão e o litoral.

 

Oh, meu “Velho Chico”!

Nestes séculos de atraso,

Das secas e do cangaço,

Fostes nosso eterno pai

Das lendas e histórias,

Imortais mitos e memórias.