Sempre me posicionei contra essa ideia das prefeituras criarem guardas municipais porque, na verdade, são extensões das polícias militares, embora argumentem que são grupamentos para defesa do patrimônio público. A filosofia de seleção e treinamento é a mesma da corporação militar (sempre é um coronel da reserva que está no comando).

Quando eles caem nas ruas têm o instinto psicológico de agirem como policiais, com métodos truculentos como já presenciamos em várias imagens nas ruas. Qualquer problema, partem logo para a pancadaria quando alguém comete algum desatino, muitas vezes gente com transtorno mental, andarilhos pedintes e até moradores de ruas.

Tenho comentado que a polícia militar, do jeito que está disseminando violência e mortes desnecessárias, não importa se bandidos ou não, precisa ser repensada e reformada, com novos conceitos de segurança ao cidadão que tem o direito de ser respeitado por ser o contribuinte que paga para ter proteção, e não ser desacatado e baleado.

Em Vitória da Conquista, por exemplo, agentes da guarda municipal têm cometido atos tão condenáveis quanto a polícia militar, e feito coisas que não competem a eles. Dias desses, um transeunte de Vitória do Espírito Santo estava agindo de forma estranha na porta de uma loja e deu um surto, talvez desorientado pela fome ou problemas mentais.

Como sempre acontece, o lojista acionou a guarda municipal que colocou o homem na viatura e o levou para a chamada “Três Torres”, na Serra do Periperi. Lá nessa localidade espancaram o rapaz com barras de ferro deixando seu corpo em estado lamentável. Por acaso, é essa a função de um guarda municipal?

Nessa “Três Torres”, no Bairro de Nossa Senhora Aparecida, transformaram a localidade em ponto de espancamento praticado por policiais. Não se sabe se é do conhecimento das autoridades porque essa atitude, seja de quem for, é abominável. Na teoria, a guarda é para estar a serviço da proteção patrimonial, mas nesse sistema é para servir os patrões comerciantes e empresários, e não propriamente do povo.

No lugar de se criar guardas municipais, vamos construir mais escolas e equipar os postos de saúde, duas áreas precárias. A educação, por exemplo, é a única via para se reduzir a violência, o desemprego a fome e a miséria. Nosso povo inculto fica empolgado quando um candidato a prefeito anuncia que em seu mandato vai criar uma guarda municipal.

Os políticos vereadores e a própria população cobram o cumprimento da promessa, como ocorreu aqui em Conquista com respeito ao prefeito Hérzem Gusmão quando assumiu o poder executivo e atrasou o projeto. Somos mesmo um povo facilmente iludido que entra nessa onda de que mais uma guarda vai proporcionar mais segurança para a cidade. Pura ilusão!