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:: 28/abr/2022 . 22:51

“ÁRVORE DA VIDA”

Vitória da Conquista foi visitada na semana passada por uma carreta de livros, estacionada na Praça Barão do Rio Branco, chamada de “Expolivro Árvore da Vida”, iniciativa de comunidades religiosas que percorrem o país disseminando a leitura por onde chega. A recepção na cidade foi muito boa, além das expectativas, segundo o coordenador do projeto, Tito Furtado. Estive lá no sábado passado para conhecer o ambiente e me senti mais esperançoso quando constatei a presença de um grande público de crianças ávidas e felizes ao manusear os livros, o que é um bom sinal para o nosso futuro, tão incerto nos tempos atuais quando se tem um governo que chega até a criminalizar a cultura. Não importa que sejam livros de cunho religioso, desde que não sejam fundamentalistas que procurem impor nos pequenos uma doutrina única, mas que abram as cabeças para condenar a intolerância e aceitar o pensar do outro, sem ódio e xingamentos.

PALAVRAS! PALAVRAS!

Mais nova obra do jornalista e escritor Jeremias Macário

Tempos de estiagem,

Num cálido vazio árido,

Assim padece nossa linguagem,

De limitadas palavras,

Menos verbos conjugados,

Cadeados, censuras e travas.

 

Palavras! Palavras vira-latas,

Nesses mares de piratas;

Sem regras gramaticais;

Travessa de ódio e xingamentos,

Pouca lógica e argumentos;

Códigos que entopem canais,

Nas enchentes das redes sociais.

 

Palavras! Palavras! Palavras!

Raízes de Alá e Baobá,

Que nos fazem racionais,

Diferentes de outros animais.

 

Palavras! Palavras! Palavras!

Nascidas nos fios das barbas,

Que perderam seu valor,

Na escrita, fala e nos sinais,

Na guerra, na paz e no amor;

Sejam dos sábios imortais,

Labaredas de fogo incandescentes,

Como nas canções dos festivais;

Iluminem nossas mentes,

Na crítica e nos pensamentos;

Que não se percam aos ventos;

Nunca armas da violência,

E sim, sentido da existência.

 

 

 

 

EXPOSIÇÃO MOSTRA A HISTÓRIA DA CAFEICULTURA EM VITÓRIA DA CONQUISTA

Exuberância de cores e realismo em dimensões variadas impressionam o visitante quando penetra na “Exposição Café com Arte”, da premiada artista plástica Valéria Vidigal, no Shopping Boulevard, que poderá ser apreciada até o dia 8 de maio.

A perfeição de suas telas dá vida, não somente à lavoura em questão, mas também às pessoas que nela labutam desde o plantio, a colheita de seus grãos (conhecidos como ouro verde ou vermelho) até à preciosa bebida chegar ao consumidor, que não pode passar sem um cafezinho para esquentar seu corpo e seu espírito, principalmente pela manhã.

Não sou crítico de arte, mas pude perceber e observar que a cada quadro que faz, a artista se supera em seus trabalhos, especialmente quando são voltados para a cafeicultura, seu principal tema que abraçou com toda dedicação em seus anos de carreira.

Como jornalista, conheci Valéria praticamente quando aqui cheguei em Vitória da Conquista nos anos 90 para gerenciar a Sucursal do jornal A Tarde, e tive o prazer de fazer algumas matérias com ela, ali na Galeria do Itatiaia, onde possuía um atelier e realizava cursos de pinturas para os interessados desejosos em ingressar nessa arte poética de fotografar coisas e objetos através dos pinceis.

Mesmo sendo suas origens de Minas Gerais, pode-se dizer que Valéria Vidigal já faz parte da própria história do café do Planalto de Vitória da Conquista, cuja cultura foi aqui introduzida nos anos 70, portanto, há cerca de 50 anos.

Suas obras modernistas e cheias de detalhes fantásticos levam as pessoas a entrar nelas como se estivessem numa própria fazenda de café, porque se sentem bem próximas da realidade. É uma artista que, além de conhecer muito bem os meandros da lavoura, faz as cores brotarem dentro da sua alma, numa rara perfeição.

Apesar do tema ser único, seus quadros não se repetem, e cada um nasce com mais força que o outro, o que desperta a atenção do visitante. É uma mostra de pura arte que enaltece a cafeicultura brasileira, conhecida internacionalmente pela sua produção e qualidade.

Da Etiópia para o Brasil, para a Bahia e para Conquista até chegar às mãos da artista Valéria que, com a habilidade das tintas fez do café um produto ainda mais admirado. Como ninguém, ela soube eternizar a história dessa planta, que representou um dos ciclos econômicos mais importantes no final do Brasil colonial, permanecendo até hoje como maior produtor e exportador mundial de seus grãos.





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