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:: 6/abr/2022 . 23:56

A INIMIGA NÚMERO UM DO GOVERNO

Como se não bastasse a destruição do meio ambiente, nosso maior patrimônio nacional, desde o início do seu mandato trapalhão e aberrante, o capitão-presidente elegeu a cultura como sua maior inimiga e começou por cortar o Ministério da Cultura. Essa sua obsessão de que cultura é coisa de comunista ficou agora bem clara com o veto à Lei Paulo Gustavo que destina 3,8 bilhões de reais para o setor, beneficiando, principalmente, o audiovisual.

Dessa verba, pouco mais de 2,7 bilhões contemplam o audiovisual e os restantes para promoção de editais, comunidades negras e indígenas dentre outras linguagens artísticas, visando ajudar essas categorias que ficaram paradas sem trabalhar por dois anos por causa da pandemia. Será que o Bozó vetou por discriminação ao nome do artista Paulo Gustavo? Não existem outras razões plausíveis.

O Conselho Municipal de Cultura de Vitória da Conquista está emitindo uma nota de repúdio pelo veto, ao mesmo tempo em que apela aos deputados e senadores que juntem forças para derrubar esse ato insano e criminoso. Dessa verba, Conquista, um dos grandes celeiros do audiovisual, com quase 400 mil habitantes e terceira maior cidade da Bahia, deve ser contemplada com cerca de 2,5 milhões ou mais.

Os artistas conquistenses estavam contando com esses recursos para desenvolver seus projetos e, mais uma vez, se sentem frustrados e decepcionados, tendo ainda em vista que o poder público municipal tem investido muito pouco em cultura, um setor que vive à mingua com o pires, ou a cuia na mão, para realizar seus trabalhos. Muitos talentos estão sendo engavetados e sepultados.

Em toda minha vida, nunca vi tanta insanidade e perseguição contra a cultura, tida pelo capitão destruidor da pátria como coisa de esquerdista comunista, de vagabundos e maloqueiros vadios. Até quando esse racista, misógino, homofóbico e tantas coisa de ruim vai continuar abusando da nossa paciência?

Ele, junto com o Paulo Guedes, da Economia, e Damares, dos Direitos Humanos e da Mulheres justificam que a lei é inconstitucional por não estar previsto no orçamento, ou coisa assim, mas no Ministério da Educação os pastores evangélicos metem a mão em milhões e quilos de ouro em troca da liberação de recursos.

A cultura, ou a chamada economia criativa nesse país representa, ou já representou, quase 3% do Produto Interno Bruto (PIB e emprega, ou já empregou, mais de cinco milhões de pessoas. Um veto desse é mais um crime na mão assassina de um capitão que prega o negacionismo, o fanatismo religioso, a não vacinação, a aglomeração, a derrubada das florestas e o aumento de mais armas para matar.

A cultura nunca foi tão vilipendiada, ultrajada e sangrada na história do Brasil, nem nos tempos dos governos dos generais, sem contar que a arte e a liberdade de expressão estão sendo também censuradas e amordaçadas.

Nesses quatro anos, o Brasil ficou mais atrasado que há quarenta anos. Somos campeões de retrocesso no mundo, porque, sem cultura não existe memória e nem povo desenvolvido socialmente. Milhões vivem nas favelas passando fome, sem água e pisando nos esgotos porque nunca lhe deram educação e cultura.

Para os bispos vendilhões dos tempos, que rezam a Deus para agradar  satanás, milhões de reais; para as forças armadas que estão traindo nossa pátria, outros milhões, para seu Centrão no Congresso Nacional, bilhões; para os montadores das fake news mais milhões; e para a cultura, sua maior inimiga, nada através de seus vetos e cortes de verbas.

TEMPOS DIFÍCEIS PARA OS JORNALISTAS NESTA DATA COMEMORATIVA DO 7 DE ABRIL

Lembro quando comecei a dar os primeiros passos na profissão como revisor, no início de 1973, ano da minha graduação como bacharel em jornalismo para Universidade Federal da Bahia (Ufba). Eram tempos difíceis em pleno cerco da ditadura civil-militar, anos de chumbo contra a liberdade de expressão quando os homens da farda faziam o papel de cão de guarda para censurar os veículos de comunicação, especialmente o jornal impresso onde atuava.

Apesar de toda mordaça, os jornalistas eram mais combativos e participativos e tudo faziam para driblar a opressão dos generais. Os sindicatos, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e as associações brasileiras de jornalismo (ABIs) eram mais fortes e unidas. Naquela época, nem se falava de “fake news”, que passaram a brotar com a chegada da internet e, consequentemente, das redes sociais, o chamado jornalismo virtual onde grande parte da atividade foi banalizada, e a maioria perdeu a responsabilidade maior de informar.

Nada contra a evolução tecnológica onde a notícia é mais veloz que uma bala e pode ser mortal. Passados mais de 50 anos, onde cada um se acha jornalista (não precisa ser diplomado), o neoliberalismo de mercado estreitou os espaços da profissão, e poucos que optaram pela área e passaram a frequentar as escolas seguem a carreira. Caiu o nível de formação e aumentou o noticiário de matérias infundadas, mal apuradas pela falta de uma maior investigação.

Quando aqui cheguei, em 199,1 fui o primeiro jornalista formado da cidade e logo passei a assumir a diretoria regional do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), chegando a vice-presidente. Atualmente, como graduado sou o decano e, durante essa longa caminhada, já enfrentei muitos desafios. Continuo escrevendo porque é o alimento da minha vida e, se tivesse que recomeçar, seria novamente jornalista.

DIA DO JORNALISTA

Toda essa abertura, em forma de “nariz de cera”, é para lembrar do 7 de abril, Dia do Jornalista (quinta-feira), infelizmente menos comemorado que até no período duro do regime militar onde existia mais união e celebração com aqueles memoráveis encontros, dos quais muito ajudei a realizar. É dia de reflexão e protestos porque hoje vivemos num governo federal que, com sua tropa antidemocrática belicosa, desvaloriza, ameaça, menospreza, ataca, agride e xinga jornalistas com palavras de baixo calão. Será que não estamos num período mais difícil ou igual àqueles vividos há mais de 50 anos?

Vamos dar uma pequena pausa nesse comentário para focar propriamente no Dia do Jornalista, pouco rememorado pela própria classe (casa de ferreiro, espeto de pau). O dia foi criado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e foi estabelecido por alguns motivos, como numa reunião de coletiva de imprensa. Uns dos motivos é que no dia 7 de abril de 1908, foi criada a própria ABI. Idealizada pelo jornalista Gustavo Lacerda, a associação situa-se no Rio de Janeiro, e é um centro de ação que tem como objetivo assegurar os direitos à classe jornalística.

Também no dia 16 de fevereiro foi comemorado o “Dia do Repórter”, que está ligado a um episódio da nossa história do Brasil. A data foi designada em homenagem ao jornalista e médico Giovanni Battista Líbero Badaró, morto no dia 22 de novembro de 1830. Ele participou de diversas lutas a favor da Independência do Brasil. Era proprietário do jornal “Observador Constitucional” e um dos principais motivadores da liberdade de imprensa, hoje tão vilipendiada, bem como a nossa Carta Magna.

Libero Badaró teve uma morte misteriosa, mas, segundo a história, inimigos políticos atentaram contra a sua vida. O falecimento dele causou descontentamento à população e culminou na abdicação do trono de Dom Pedro I, justamente no 7 de abril de 1831.   

Só para reportar a história, a primeira faculdade de Jornalismo foi criada em 1912, na Universidade de Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos. A faculdade foi fundada por meio da doação de dinheiro do jornalista Joseph Pulitzer, que ajudou a tornar a imprensa conhecida como o quarto poder e que dá nome ao principal prêmio concedido a jornalistas.

No Brasil, a primeira escola de jornalismo foi criada em 1947. Atualmente, a instituição chama-se Faculdade Gásper Liberó e localiza-se no prédio da Gazeta, na Avenida Paulista.

TEORIA E PRÁTICA

Quando adentrei na redação era um dos poucos graduados pela Faculdade de Jornalismo da Ufba. Existiam os antigos jornalistas registrados no Ministério do Trabalho. Na década de 70, o diploma passou a ser exigido e isso criou uma animosidade entre os chamados velhos e novos. Dizia-se que jornalismo era uma vocação, uma forma de dom que se aprendia no dia a dia da notícia, o que não deixava de ser uma verdade, mas a formação teórica com a prática fortalecia ainda mais a profissão.

A briga gerou uma disputa de ações na justiça para derrubar a obrigatoriedade do diploma, isso, se não me engano, entre as décadas de 80 e 90. A ação caiu nas mãos do Superior Tribuna Federal, em 2009. Recordo que um dos ministros, contrário ao diploma, fez uma leviana comparação entre a culinária e o jornalismo, dizendo que a pessoa para cozinhar não precisava ter diploma. Aquilo foi de uma insanidade sem tamanho.

As faculdades continuaram emitindo os atestados profissionais, como a própria Facom da Ufba, a Uesb que começou seu curso em 1998 (fui um dos incentivadores e ajudei na sua estruturação) e tantas outras particulares. Mesmo com a não obrigatoriedade do diploma, vejo que as empresas dão mais preferência aos formados, valorizando a formação escolar e o conhecimento.

Para marcar a data, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os sindicatos dos jornalistas do Brasil e profissionais da área costumam fazer reflexões importantes sobre a carreira, o mercado de trabalho, os salários e o futuro da profissão.

O curso de Jornalismo é ministrado nas principais universidades do país durante quatro anos ou oito períodos. Os estudantes têm aulas teóricas, como teoria da comunicação, história da imprensa e ética e legislação, história da arte, práticas, como telejornalismo, jornalismo impresso e webjornalismo.  

O jornalista é o profissional que informa fatos à sociedade. Ele pode atuar em meios de comunicação, como rádio, TV, jornal, revista e internet. Também é comum que jornalistas trabalhem como assessores de comunicação e imprensa e, mais recentemente, em mídias digitais, tais como redes sociais e blogs.

TEMPOS DIFICEIS E O ESTRESSE

De acordo com pesquisa entre cerca de sete mil profissionais no Brasil, 66,2% dos jornalistas se sentem estressados. Dos entrevistados, 34,1% foram diagnosticados clinicamente com lesões por esforços repetitivos; 40,6% sofreram assédio moral no trabalho; 11,1% assédio sexual. A categoria é formada por maioria de mulheres (58%), inclusive negras.

É esse, mais ou menos, o perfil do jornalista brasileiro. Da amostragem, 44,2% disseram que seus esforços no trabalho não são reconhecidos. Os dados ainda confirmam que houve uma redução do volume de vínculos empregatícios pela CLT, bem como, 24% prestam serviços de freelancers, MEI, pessoa jurídica ou sem contrato. De toda classe, 42,2% trabalham mais que oito horas por dia. O estudo da Fenaj (Rede de Estudos sobre Trabalho e Identidade dos Jornalistas), de agosto a outubro de 2021, conseguiu coletar mais de sete mil respostas, sendo 6.594 válidas.

 





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