:: 21/abr/2022 . 22:57
O VERDE E O CONCRETO
Em meio a esta selva de pedras e o concreto, ainda temos um pouco de verde para suavizar a vida. A correria é tão grande que quase ninguém para numa praça para admirar uma planta florida e relaxar seu espírito carregado de problemas do dia a dia, quer sejam financeiros, materiais ou da própria alma. Mesmo com a linda Praça Tancredo Neves, que serve de acolhimento para os passantes, inclusive para uma reflexão sobre donde viemos e para onde vamos, Vitória da Conquista ainda é carente de mais verde, principalmente em certos pontos do centro, como na Avenida Siqueira Campos, que poderia ser uma alameda de árvores de espécies da região. A Brumado, a Frei Benjamim e a própria Juracy Magalhães são outras avenidas desprovidas do verde. Não é somente fazer canteiros e ciclovias de concreto. A natureza tem que vir em primeiro lugar. Ao invés do eucalipto, bem que o bosque ao lado do Parque de Exposições poderia ser mais fresco, úmido e bonito se fosse preenchido com outras espécies do nosso sertão. O verde ameniza a dureza do concreto.
TREM DE BITOLA
Versos inéditos de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Não seja trem de bitola,
“se oriente, meu rapaz”:
Seu time não é sua vida,
Curta a canção da viola,
Pra tudo tem uma saída,
Não seja trem de bitola.
Fazer o quê, seu moço?
Use sua pensante cabeça,
Pra não ficar ai nessa cola,
Cresça, faça e apareça,
Não seja trem de bitola.
Troque a conta pela filosofia,
Se livre dessa burocracia,
Que rima com tirania;
Seja vaqueiro na laçadeira;
Vá abrindo sua porteira;
Não fiquei aí com cara de estola,
Nem seja trem de bitola.
Entre a comida a la carte,
Prefiro mocotó e a buchada,
Assim vou tocando minha arte;
Sou cabra nordestino da enxada,
Longe dessa sociedade depravada,
Cheia de porcarias no buxo,
Que só pensa consumir o luxo,
Ser seguidor de pistola,
E andar como trem de bitola.
- 1












