NOSSOS LIVROS COMEÇAM A FLORESCER NO JARDIM DAS MENTES BRASILEIRAS
Até que afinal de contas uma luz começa a surgir lá no fim do túnel da nossa cultura, um jardim tão pisoteado nos últimos anos. Essa esperança faz o sol nos tirar das trevas através do livro. Acabo de ler uma boa notícia do Painel do Varejo de Livros. Ele diz que entre os meses de janeiro a novembro deste ano, a venda de livros superou em 33% o ano de 2020, e em 31% o ano de 2019, antes da pandemia.
É uma boa nova cultural entre tantas macabras neste ano que se finda com a destruição do nosso patrimônio histórico, com a negação da nossa memória e o retrocesso em direção aos tempos da Idade Média. O aumento da leitura, não importa os estilos e gêneros, é um sinal do florescer das mentes, porque ela oferece mais visão ao indivíduo que passa a expressar melhor suas ideias.
Espero que neste 2022, a venda de livros nas livrarias que ainda restam (muitas foram fechadas) supere a do ano que se vai. Isso pode até dar um ânimo no mercado livreiro, mas o governo federal, um negacionista e retrógrado, já trama o pior contra a nossa combalida cultura, que é a intenção de elevar os impostos para os livros. Isso poderá tornar menos acessível às classes de menor poder aquisitivo.
Ler é florescer as mentes. Ler um livro é como plantar mais uma semente do conhecimento e do saber no quintal do nosso jardim. A maioria dos nossos grandes escritores sempre tiveram uma infância e uma juventude de leitura, principalmente nos tempos em que se tinha fome de cultura, e se devorava livros, e não redes sociais em celulares de ódios e intolerâncias, cheias de fake news.
Sobre a leitura, um alimento para a alma faminta, aqui listaria uma série de benefícios para o espírito que poderia até virar bordões chatos como de final de ano, mas o livro é um templo sagrado que o ser humano deve sempre frequentar, não importando sua religiosidade. É um rememorar o passado para o conhecer das nossas origens; entender melhor a realidade do presente; e abrir novos caminhos para um futuro melhor.
Se o brasileiro está lendo mais, isso logo vai refletir na sociedade, e vamos ter mais capacidade de agir e reagir contra as mentalidades atrasadas. Vamos ter gente falando melhor, e transformações sociais virão por aí. É um sinal de que estamos saindo dessa letargia, desse apagão mental e de que está despontando aí o senso crítico. Incentivar o hábito de ler é lutar por uma país melhor, como disse o escritor e poeta Leandro de Assis, autor do livro “O Poder Transformador da Leitura: Hábitos e Estratégias para Ler Mais”.
Como diz o escritor, precisamos de mais espaços para a leitura, como a criação de mais bibliotecas, estímulo às livrarias e projetos do poder público para lançar novos talentos da literatura. Em Vitória da Conquista, por exemplo, precisamos resgatar a nossa cultura em reverência aos grandes nomes que projetaram nossa cidade através das letras.
Umas das estratégias seria a criação de um Plano Cultural para Conquista através de uma Fundação, para dar normas às diretrizes políticas culturais. Nesse sentido, o novo Conselho Municipal de Cultura tem, neste ano de 2022, a obrigação de fazer decolar esse plano, deixando um legado para as novas gerações.
Acredito que um país culto é um país desenvolvido onde seus cidadãos passam a ser donos de si mesmos, elegendo políticos comprometidos com a educação e a cultura. Só assim poderemos extirpar de uma vez os preconceitos racistas, a homofobia, a xenofobia, a misoginia, e olhar os outros sem diferenças. A cultura exerce influência também no nível econômico e social das pessoas, reduzindo as desigualdades.












